MAYARA: 🍀
Acordei com o sol me cutucando pela janela, Pisquei os olhos algumas vezes até me acostumar com a luz, Do meu lado, PH dormia pesado, todo largado, com o braço jogado para fora da cama, Um sorriso escapou de mim, Quem vê ele na rua, cheio de marra e respeito, não imagina esse lado despreocupado.
Me levantei com cuidado para não acordá-lo, A rotina começava cedo, e o salão me esperava, Entrei no banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes e arrumei o cabelo em um coque rápido, Dei uma olhada no espelho, Cara lavada, roupa confortável, legging preta, blusinha justa, Air force branco, Pronta para o corre.
Voltei para o quarto PH estava mexendo no celular, dei um beijo demorado nele.
Mayara: Bom Dia, Amor da minha vida. — Ele me puxou pra cama.
PH: Bom Dia. — Me puxou pra mais um beijo. — Sonhou comigo? — Rir batendo no braço dele.
Mayara: Amor, Eu sonhei que eu tava grávida e a gente estava em um chá revelação, Mas eu não sei se era menina ou menino, Acordei bem na hora. — Fiz cara feia.
PH: Você e seus sonhos. — Levantou da cama. — Vai fazer teu corre, tenho que fazer o meu. — Ele me deu mais um beijo e deu um tapaço na minha bunda.
Mayara: Caralho, Pedro Henrique, Isso dói. — Ele deu de ombros rindo.
Fui direto para a cozinha pegar um café, Eu sabia que o dia no salão ia ser cheio, precisava ter muita energia.
O caminho era curto, e enquanto eu descia o morro, as pessoas já me cumprimentavam, Ter o salão ali, no coração do morro, era algo que eu tinha orgulho, Biro fez questão de montar tudo para mim, ele sempre teve esse jeito de cuidar, mesmo com toda a pose de "dono do mundo".
Cheguei e abri o salão, Antes mesmo de eu ajeitar tudo, Sabrina apareceu, Ela era pontual até demais, já esperando para me ajudar.
Mayara: Bom dia, Sabrina! Dormiu bem? — perguntei, já pegando as toalhas limpas para organizar.
Sabrina: Bom Dia, Dormi sim, Maya! Ansiosa para o dia de hoje, vai ser cheio, né? — ela respondeu com aquele sorriso animado.
Sabrina era uma menina de 17 anos, cheia de vida, mas que carregava um peso que a maioria das meninas da idade dela nem sonhava, Quando ela apareceu no salão, há uns dois anos, implorando por trabalho, eu vi o desespero nos olhos dela, Precisava ajudar os pais, sustentar a casa, fazer o que fosse preciso, Eu não pensei duas vezes e trouxe ela pra perto. Hoje, ela é minha parceira aqui.
O salão começou a encher rápido, As mulheres do morro adoravam se arrumar lá, Além do cabelo, unhas e maquiagem, a gente também vendia umas roupas estilosas que sempre faziam sucesso, e foi ideia da Sabrina.
Enquanto eu fazia o cabelo de Dona Cida, ela, como sempre, puxava conversa.
Cida: Mayara, ouvi dizer que Biro vai fazer outro evento aqui no morro, É Verdade?
Mayara: Verdade, sim! — respondi, concentrada nas mechas dela. — Ele não para quieto, né? Sempre quer fazer algo diferente, Eu amo isso nele, sempre querendo ajudar as pessoas.
Cida: Esse menino... Parece que nasceu pra ser o rei daqui — Dona Cida riu, e eu acompanhei.
Sabrina estava ao meu lado, atendendo uma menina mais nova, e piscou pra mim, já sabendo que Biro sempre dava aquele jeito de movimentar tudo por ali.
O salão era isso, lugar de beleza, risadas, fofocas, mas também de acolhimento, era onde as mulheres do morro se sentiam bem, conversavam, desabafavam, A cada cabelo feito, unha pintada ou peça de roupa vendida, a gente construía um pouquinho mais daquele espaço que tanto significava para mim, para Sabrina, e pras mulheres que confiavam na gente.
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Sob O Morro
Fanfiction📍Rio de janeiro, Rocinha +18 Eu não sonhei em ser dono de morro, só fui vivendo, Quando vi, já tava com fuzil no ombro, nome na boca da polícia e respeito na quebrada, Aqui, quem anda devagar vira alvo, quem ama demais vira fraqueza... mas mesmo no...
