ÉRICA: 🤍
Seis anos, Seis anos desde que minha vida virou de cabeça para baixo, Desde que minha mãe se foi e tudo mudou.
Meus tios fizeram o possível e o impossível por mim e por Hellena, Nos deram uma casa, comida, educação, Mas eu precisava seguir meu caminho.
Agora, aqui estava eu, dentro de um Uber, subindo as ladeiras do Rio de Janeiro, rumo ao Morro da Rocinha, Não era um destino sonhado, mas era o que eu conseguia bancar sem depender de ninguém, Eu queria minha independência, queria construir minha vida com minhas próprias mãos.
O carro parou em frente à casa dos meus tios pela última vez, Cecília e Bruno estavam na porta, visivelmente emocionados.
Érica: Sinceramente, nem sei como agradecer a vocês por tudo. — Minha voz saiu embargada, mas mantive o sorriso. — Por terem nos acolhido quando mais precisávamos.
Minha tia apertou minha mão e sorriu, com os olhos marejados.
Cecília: Não tem que agradecer, minha filha, Sua mãe ia querer que a gente cuidasse de vocês, Mas, meu Deus, como vai ser sem vocês aqui? A gente vai morrer de saudade!
Bruno suspirou ao lado dela, com aquele olhar duro de quem queria protestar, mas sabia que não adiantava.
Bruno: Eu já falei, aquele lugar não é pra vocês. — Ele cruzou os braços. — Mas não vou te impedir, Só saiba que, se quiser voltar, a casa sempre estará aberta.
Eu sabia que ele estava certo, Não era um lugar seguro, Mas eu precisava tentar.
O Uber chegou, e depois de um último abraço apertado, entrei no carro com Hellena.
Hellena: Vai dar tudo certo, né? — ela murmurou ao meu lado, olhando a cidade passando pela janela.
Érica: Vai sim.
Ou, pelo menos, era o que eu queria acreditar.
[...]
O motorista era simpático e foi conversando conosco sobre a favela, Ele falava das dificuldades, mas também do calor humano do lugar, das histórias de superação, Eu tentava me apegar a isso, mas meu estômago revirava de ansiedade.
Quando chegamos ao ponto final, a atmosfera mudou, Assim que saí do carro, vi um grupo de homens parados na esquina, Cinco deles, todos armados.
Segurei a mão de Hellena, tentando não demonstrar nervosismo.
Hellena: É aqui? — ela perguntou baixinho.
Érica: Sim.
Ela quis ir até uma lanchonete ali perto, Tirei uma nota de vinte do bolso e entreguei a ela.
Érica: Vai lá e compra algo pra gente, mas não demora.
Ela assentiu e se afastou, me deixando sozinha diante daquelas presenças intimidadoras.
Um dos caras me encarou de cima a baixo e deu um riso debochado.
X: Qual foi, patricinha? Tá perdida? — senti a malícia só na sua fala.
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Sob O Morro
Fanfiction📍Rio de janeiro, Rocinha +18 Eu não sonhei em ser dono de morro, só fui vivendo, Quando vi, já tava com fuzil no ombro, nome na boca da polícia e respeito na quebrada, Aqui, quem anda devagar vira alvo, quem ama demais vira fraqueza... mas mesmo no...
