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ÉRICA: 🤍

O som do despertador preencheu o quarto silencioso, me fazendo gemer de leve, Com um suspiro cansado, desliguei o aparelho e me espreguicei, tentando afastar o sono, Já fazia uma semana que eu estava trabalhando, e, apesar do cansaço, estava satisfeita.

A entrevista tinha sido um sucesso, e eu tinha conseguido a vaga, Era um alívio saber que eu podia contar com aquele salário para ajudar em casa.

Levantei, seguindo para o banheiro enquanto prendia o cabelo de qualquer jeito, A água fria no rosto ajudou a clarear os pensamentos, e eu me lembrei da conversa com Pereira.

As palavras dele ainda ecoavam na minha mente, Me fazendo questionar até que ponto eu estava disposta a arriscar para alcançar meus objetivos.

"O morro tem suas próprias leis, Érica, Aqui, se você não se impõe, passa por cima."

Suspirei, enxugando o rosto com uma toalha, Era verdade, Crescer ali me ensinou que confiar em qualquer um podia ser perigoso.

Mas, ao mesmo tempo, aquela sensação de estar sempre alerta me sufocava, Eu queria mais, Queria poder andar pelas ruas sem precisar olhar para trás a cada esquina.

Abri o guarda-roupa, puxando uma calça jeans e uma blusa mais formal, Enquanto terminava de me arrumar, ouvi passos no corredor e, pouco depois, Helena apareceu na cozinha, já vestida para escola.

A tensão entre nós ainda era palpável, Desde a briga depois do aniversário dela, as coisas tinham ficado complicadas, Eu sabia que tinha exagerado nas palavras, mas minha raiva na hora falou mais alto.

Érica: Bom dia — murmurei, sem jeito, pegando a bolsa no sofá.

Hellena: Bom dia — respondeu Helena, a voz baixa, Ela parecia tão desconfortável quanto eu.

Mordi o lábio, reunindo coragem.

Érica: A gente... A gente podia conversar mais tarde? — arrisquei, evitando seus olhos.

Ela hesitou, mas acabou concordando com a cabeça.

Hellena: Pode ser, Eu volto umas oito.

Érica: Tá bom. — Forcei um sorriso, Era um começo, pelo menos.

Peguei as chaves, tentando afastar o nervosismo que subia, Abri a porta, mas quase trombei com PH, que vinha subindo a viela com um cigarro nos lábios e um boné torto na cabeça.

Érica: Eita! — dei um passo para trás, arregalando os olhos.

PH: Calma ae, Não precisar junto não. — PH segurou meus ombros, rindo. — Vai atropelar os outros agora, é?

Érica: Você que tava na contramão! — retruquei, semicerrando os olhos, mas um sorriso escapou sem eu querer.

PH: Contramão? Aqui é mão única, pô. — Ele fez um gesto dramático com as mãos, me fazendo rir.

Érica: Idiota — murmurei, revirando os olhos, Mas a verdade é que a companhia dele deixava o clima mais leve, a gente meio que se aproximou depois que eu e Mayara viramos amigas, Passo tempo com os dois quando muita coisa da errado aqui.

PH balançou a cabeça, ainda rindo.

PH: Tá indo trampar, né? Quer carona? — apontou com o queixo para uma moto encostada ali perto.

Érica: Não, obrigada, Se eu chegar de moto lá, é capaz de nem deixarem eu entrar. — Ajeitei a mochila.

PH: Colé? Então vamo aí pelo menos até a avenida. — Insistiu, já começando a andar ao meu lado.

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