BIRO: 🤑
Acordei antes mesmo do despertador tocar, Não era novidade, na verdade, mas hoje era um daqueles dias em que o sono parecia impossível de segurar, O sol mal tinha nascido, mas a favela já estava começando a se agitar, como se todo mundo soubesse que hoje era um dia diferente.
O dia mais esperado do ano, O dia que eu fazia questão de manter desde que virei dono, Quando criança, eu olhava os mais velhos organizando tudo isso cesta básica, brincadeiras, churrasco, Eu achava incrível, mas nunca imaginei que um dia estaria à frente de tudo, Era quase inacreditável.
Levantei da cama, ainda meio sonolento, mas com aquela animação típica de quem está prestes a ver algo importante acontecer, Tomei um banho rápido, vesti a camisa branca básica e um short qualquer, O dia seria longo e, com certeza, quente.
Desci as escadas da casa, e já encontrei PH encostado no portão, me esperando, O desgraçado nem mora aqui, mas vive mais na minha casa do que na dele.
PH: Atrasado, hein? — ele provocou, segurando o riso.
Revirei os olhos, mas sorri, Era sempre assim.
PH: Cala a boca, moleque, Bora logo, que hoje o dia é nosso.
Fomos encontrar Pereira na associação do bairro, onde as cestas básicas estavam empilhadas, prontas para serem distribuídas, Era um trabalho que a gente sempre fazia junto, eu, PH, Mayara e Pereira, Cada um com sua função, mas todos movidos pelo mesmo propósito.
Enquanto organizávamos tudo, Pereira puxou assunto, falando sobre as crianças da favela e como aquele dia era importante para elas, Algumas passavam o ano todo perguntando quando seria a festa, quando poderiam brincar nos infláveis ou pegar os doces que Mayara separava com tanto carinho.
PH: A Mayara falou que a Érica e a Hellena estavam ajudando nos doces desde ontem — PH comentou, empilhando as cestas na lateral do salão.
— Parece que já embalaram uns dois saquinhos.
Pereira: Se deixar, Mayara bota o bairro inteiro pra embalar — PH riu, colocando mais uma cesta no canto. — Mas é isso aí, mano, quanto mais gente, melhor, Mas escravizaram minha mulher, isso que não pode. — Bati na cabeça dele.
O clima era leve, mesmo com o peso da responsabilidade, Não era só uma festa, Era sobre dar um pouco de esperança para quem, muitas vezes, não tinha nem motivo para sorrir.
As cestas estavam empilhadas, prontas para serem distribuídas, Cada uma delas representava mais do que arroz, feijão e óleo, eram esperança embrulhada em pacotes simples, mas com um valor imenso para quem recebia.
PH já tinha subido na moto para chamar a atenção da galera, A buzina ecoou pela rua e, em poucos minutos, os moradores começaram a aparecer, Eram mães com crianças no colo, senhores de boné surrado, adolescentes rindo e conversando, A favela parecia um pouco mais viva naquele momento.
PH: Bora, galera! — gritou PH, com aquele sorriso de quem parecia ter nascido pra movimentar a quebrada. — Chega junto, que hoje é dia!
Pereira já estava com a lista em mãos, organizando quem receberia primeiro, Sempre fazíamos questão de manter tudo justo, sem confusão, pra garantir que todos saíssem dali com algo.
Enquanto eu entregava uma das cestas, uma senhora se aproximou, com o rosto marcado pelo tempo e pelos desafios, Agradeceu com um sorriso tímido, quase envergonhado.
Cleide: Deus abençoe vocês, meu filho, Isso aqui ajuda mais do que vocês imaginam.
Engoli em seco, segurando o peso daquelas palavras, Nunca foi sobre o reconhecimento, mas saber que aquilo fazia diferença pra eles me lembrava por que a gente fazia tudo isso.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sob O Morro
Fanfiction📍Rio de janeiro, Rocinha +18 Eu não sonhei em ser dono de morro, só fui vivendo, Quando vi, já tava com fuzil no ombro, nome na boca da polícia e respeito na quebrada, Aqui, quem anda devagar vira alvo, quem ama demais vira fraqueza... mas mesmo no...
