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MAYARA: 🍀

Desde que voltamos de Angra dos Reis, minha rotina virou uma correria, Tem dia que consigo chegar no salão, tem dia que não, Hoje, pelo menos, o Pereira disse que ficaria com as crianças, Disse que não ia pra boca e, de fato, já me deu uma força.

Mesmo sendo irmã do Biro, eu e o PH temos que correr atrás do sustento, Já tava de pé fazia tempo e tinha preparado umas coisas que o Pereira ia precisar.

Tomei um banho gelado, o Rio já acordou fervendo, como sempre, Vesti minha legging e uma blusa bem colada, Se o PH me visse com aquilo, ia surtar com o quanto marcava meus peitos.

Fui até o quarto das crianças, A Ems já tava acordada, olhando pro teto, toda séria, Peguei ela com cuidado e levei pro banheiro, Tirei a roupinha dela, PH tinha deixado a água pronta, como eu tinha pedido, Coloquei a mão pra testar, morninha, no ponto, Ems continuava me encarando, com um humor que parecia espelho do meu.

Depois que dei banho nela, foi a vez do Renan, Arrumei os dois no carrinho, tranquei tudo em casa, respirei fundo e saí, Esses dias o morro anda tenso, é troca de tiro de manhã, de noite, até de madrugada, E a gente, morador, vai só aceitando.

Bati no portão do Pereira, Ele demorou uma eternidade pra abrir, Quando apareceu, a cara toda amassada entregava que ainda tava dormindo.

Pereira: Porra, Mayara, tu é pontual demais. — ele disse, me abraçando.

Mayara: Eu tenho um salão pra abrir, Pereira. — respondi, direta, Ele soltou aquele sorriso debochado de sempre.

Pereira: Se fosse esperta, deixava com a Sabrina e ia curtir com o PH. — falou, rindo, Pereira nunca teve papas na língua.

Mayara: Tenho que botar dinheiro dentro de casa, Pereira, Meus filhos precisam comer, Faz dias que não piso no salão. — falei, séria, Ele deu de ombros.

Pereira: Vai, mete o pé, As crianças não querem ver essa tua cara feia. — Mostrei o dedo do meio.

Pereira: Ihhh, rala daqui, sua má influência! Respeita as crianças, porra! — ele gritou, enquanto eu saía rindo e balançando a cabeça.

Desci o morro ligeira, Quando cheguei, o salão já tava aberto, Sabrina varria o chão, algumas coisas já estavam organizadas.

Mayara: Bom dia, querida. — falei, entrando. — Antes de abrir, a gente tem que deixar isso aqui um brinco.

Sabrina: Já comecei. — ela disse. — Passei no mercadinho e comprei o que tava faltando. — apontou pros sacos no canto.

Mayara: Muito bem, Passa no caixa depois e pega o valor, tá? — ela assentiu, sem parar o que tava fazendo.

Enquanto a Sabrina terminava de varrer, fui direto pra trás do balcão, Me abaixei, peguei o pano de chão e a garrafa de desinfetante, O cheiro cítrico já me trouxe uma sensação de limpeza, mesmo antes de passar, Tinha alguma coisa em deixar o salão brilhando que me dava uma paz estranha, Talvez fosse a sensação de estar fazendo algo por mim, pelos meus filhos, por PH, Ou talvez fosse só mania de quem vive no caos e quer ao menos um canto organizado.

Sabrina: Como estão as crianças? — Sabrina perguntou, ainda com a vassoura na mão.

Mayara: Bem, Ems acordou com o humor igual ao meu, meio emburrada, Renan nem reclamou do banho, O Pereira ficou com eles hoje. — Ela riu.

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