📍Rio de janeiro, Rocinha +18
Eu não sonhei em ser dono de morro, só fui vivendo, Quando vi, já tava com fuzil no ombro, nome na boca da polícia e respeito na quebrada, Aqui, quem anda devagar vira alvo, quem ama demais vira fraqueza... mas mesmo no...
O despertador tocou cedo demais, mas, honestamente, já estava cansada, Cansada de esperar algo que nunca vem, Não sei mais se o amanhã vai ser pior que hoje ou se o hoje vai ser mais insuportável que o ontem.
A cada dia, meu peito aperta um pouco mais, como se estivesse afundando em um buraco sem fim, O peso da dor é tão grande que chega a me sufocar, E eu me sinto tão culpada por isso, como se fosse imatura demais pra lidar com a vida.
O futuro me assusta, o presente me engole, Eu olho pra tudo e vejo que nada faz sentido, A única coisa que me dava algum tipo de conforto, a única coisa que me dava segurança, não está mais ali.
E, pra piorar, eu não sei se ele vai voltar, Mesmo depois de ouvir do Biro que a chance dele voltar é maior que a de ele não voltar, eu não consigo acreditar nisso, Não consigo pensar dessa forma, Eu quero acreditar, mas o medo é maior.
Arrastei meu corpo até o banheiro, deixei a água cair no cabelo, como se isso fosse fazer alguma diferença, Eu precisava me cuidar, reagir, mas não sabia nem por onde começar.
Passei horas ali, pensando, respirando fundo, suspirando, O reflexo no espelho não me parecia meu, Era uma versão de mim mesma que eu não reconhecia.
Me enrolei na toalha e vesti qualquer coisa, Não tinha mais motivo pra me preocupar em me vestir bem, Não tinha mais o Pereira pra me olhar e elogiar, Penteei o cabelo com a cabeça cheia de pensamentos desconexos.
Eu só precisava passar confiança pra todo mundo, principalmente meus tios, Eu só precisa de uma foto, UMA FOTO, coisa que sempre fiz com facilidade, mas que animação eu tinha pra tirar foto?
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A fome estava ali, mas não conseguia sentir nada além do peso da tristeza, No entanto, fui até a cozinha e peguei um pão, um pedaço de queijo, Comer, mesmo sem vontade, era o que eu sabia fazer.
Engoli sem sabor, os pensamentos ainda turvos, mas algo dentro de mim começou a se mover, Talvez fosse o simples ato de cuidar de mim mesma, mesmo que fosse algo tão pequeno, mas, de algum jeito, me trouxe um pouco de força.
Dei uma respirada profunda, senti uma leveza que não tinha sentido há dias, Eu me forçava a acreditar que, apesar da dor, o mundo ainda girava, Que, mesmo no meio de tudo isso, eu poderia continuar.
Não era fácil, não seria rápido, mas eu precisava sair de onde estava, Eu queria me sentir inteira novamente, mesmo que fosse apenas por um momento.
E então, enquanto ainda mexia no celular, um movimento involuntário me fez olhar para o espelho, A imagem de mim mesma parecia distante, mas algo dentro de mim se rebelou.
Não era mais sobre a dor, Era sobre a necessidade de sair daquela rotina de tristeza que me consumia, Eu não sabia o que viria pela frente, mas não podia ficar ali, parada, esperando o que o destino iria me dar, Eu tinha que seguir.