56

1.6K 111 2
                                        

ÉRICA: 🤍

Tem coisa que a gente não tá pronta pra ouvir, Mesmo sabendo que um dia pode acontecer.

A ligação chegou como uma facada sem aviso, Pereira não falou muito, só deixou escapar um "pegaram o Biro", e a partir dali... meu mundo simplesmente desabou.

Fiquei parada por alguns segundos, Sabe aquela sensação de quando a alma sai do corpo? Foi isso, Meu peito afundou, meu estômago revirou, a cabeça ficou leve, como se tudo girasse e eu não tivesse mais chão, Só um eco dentro de mim dizendo, não, não, não…

"Como assim pegaram ele?" gritei, Mas Pereira já tinha desligado.

Eu andava de um lado pro outro da casa, com a mão no celular tremendo, ligando pra qualquer um que talvez soubesse de alguma coisa, Mas ninguém sabia, E quem sabia, se calava, A verdade é que ninguém queria me dar a confirmação, porque sabiam… que quando caísse sobre mim, ia doer mais do que um tiro.

E doeu.

Mais do que qualquer coisa.

Mesmo com tudo que aconteceu, Com a Tainá, com as mentiras, com a raiva que eu jurei pra mim mesma que nunca ia passar, Porque a dor do amor ferido é outra… mas quando você ama de verdade, quando aquela pessoa tá dentro de você, até no que você tenta esquecer... aí não tem como fingir.

Me sentei na beirada da cama, com o rosto entre as mãos, e chorei como uma criança, O Biro foi preso, Meu Biro.

O homem que erra demais, que vacila, que me fez sangrar por dentro, Mas também o homem que me fez rir nos dias mais improváveis, que falava com o bebê toda noite encostando o rosto na minha barriga, chamando de "meu pivetinho" como se aquele fosse o único lugar seguro do mundo.

E aí foi como se alguma coisa tivesse rompido, Um peso enorme apertou meu ventre, Ardeu.

Me curvei pra frente, tentando respirar, O coração disparou, e uma dor funda, silenciosa, começou a me invadir, Era o tipo de dor que não dá pra medir, que não avisa, A mão instintivamente foi pra barriga, e senti… senti o meu bebê se revirando como se também tivesse sentido o baque.

Érica: Calma, filho… mamãe tá aqui… —  sussurrei, com a voz embargada, tentando manter a calma que eu mesma não tinha.

Mas eu tremia inteira, O choro que antes era emocional, virou físico, Me contorcia, não só de tristeza, mas de medo, E se… e se eu perdesse meu bebê?

Liguei pra Mayara, não aguentei a dor, Ela largou tudo e veio aqui, não demorou muito, ela e PH estavam no carro, O caminho inteiro até o hospital foi uma mistura de lágrimas, reza e desespero, Eu implorava baixinho.

Érica: Deus, por favor… já não basta ele, não me leva meu filho… por favor… — Mayara me encarou com Dó.

Mayara: Amiga, ele vai sair de lá, Ele sempre volta. — Passou a mão na minha.

Érica: Eu tenho medo disso falhar... — Solucei.

Mayara: Érica! Ele volta, vai ficar tudo bem... Vamos passar um tempo em Angra dos Reis, Eu, você e Hellena. — Assenti, não tinha o que negar.

PH: Vou mandar uns cara com vocês, proteção total, esses filha da puta vão se arrepender do que fizeram. — Suspirei e encarei a janela.

Sob O Morro Onde histórias criam vida. Descubra agora