Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Obrigada pela contribuição

3.3K 360 248
                                        

Lalisa Manoban Pov.

Estava passando pelo corredor sem ter o que fazer quando parei em frente a uma sala, sorri ao ver o piano bem ali, no centro e parecia tão convidativo, tenho certeza que ele me chamava para toca-lo. Andei em sua direção, desde que me mudei para cá, não tinha tocado nele ainda e eu não sabia o motivo, talvez eu estivesse ocupada demais para lembrar do instrumento musical. Me sentei no banco afofado, encarando aquela bela coisa em minha frente, ergo a tampa do piano e suspiro me sentindo nostálgica. Eu tocava bastante antigamente, mas ultimamente eu não tinha tempo, eu sempre estou participando de alguma propaganda ou em algumas reuniões com o meu pai. Apoio os meus dedos nas teclas, fazendo um som soar pela sala toda, eu não sabia muito bem o que queria tocar, não estava pensando direito naquele momento. Mas algo me veio a cabeça, quando eu tocava bastante antigamente, eu vivia apenas apertando as teclas e tentando fazer um som bom, algo só meu, um passatempo. Então foi o que eu fiz naquele momento, dedilhei pelas teclas, deixando que o som que saísse do piano entrasse em minha alma e me guiasse para algo calmo. Eu me sentia leve, não tocava nada em especifico, apenas seguia as coordenadas que os meus dedos faziam e me entorpeciam no meio daquela musica. Fechei os olhos por um momento, apreciando o meu próprio dom que eu tinha, em saber soar um som calmo e gostoso, algo que agrada os ouvidos.

Um trovão alto se fez presente, mas a magia não quebrou, eu sabia que chovia lá fora e aquilo apenas contribuiu para o momento melancólico. De repente, o som calmo era outro, se tornou algo triste a cada tecla que eu apertava com calmaria, estou gostando do que estou fazendo. Mesmo tendo aquela barulheira ao meu redor, pude escutar passos se aproximando, um cheiro delicioso entrou em minhas narinas. Apertei dramaticamente as teclas como um finalizar daquele som, então virei o rosto, encontrando-a ali, bem perto. Roseanne me lançou um lindo sorriso, se aproximando e pronta para se sentar ao meu lado no banco. Aquela bunda parecia estar maior a cada dia que passa, minhas mãos formigaram com vontade de aperta-la.

- Eu não conheço essa musica – Roseanne comentou ao se sentar ao meu lado.

- Não é de ninguém – Sorri em sua direção – Apenas apertei as teclas e deixei que algo saísse.

- Nossa Lili, isso foi incrível – Roseanne arregalou os olhos em surpresa – Você tem um dom.

- Pode ser – Dei de ombros – Desde criança eu fazia isso, sentava no banco e apertava as teclas até que algo bom soasse.

- Queria ter esse dom – Roseanne fez um bico fofo.

- Você sabe tocar algum instrumento? – Pergunto interessada.

- Sim,guitarra e violão - eu disse sorrindo.

- Oh sim, violão é muito bom também – Encaro as teclas brancas e pretas a minha frente – Quer que eu te ensine? Acho que você vai aprender rápido.

- Duvido – Roseanne riu de si mesma – Sou péssima.

- Não custa tentar, Rosé – A fito pelo canto do olho.

Roseanne apenas assentiu um tanto sem jeito, ela parecia estar tímida e com vergonha no momento, talvez esteja com medo de fazer merda no piano. Peguei com delicadeza as suas mãos e direcionei seus dedos nas teclas certas, pedi para que ela apertasse com cuidado para que o som saísse calmo. Foi o que a australiana fez, eu fui ensinando calmamente, a melodia ia saindo aos poucos conforme o meu ensinamento. Roseanne tentava decorar para fazer sozinha mas falhava miseravelmente, sempre esquecendo de uma ou duas teclas no meio da melodia que criamos. Então apoiei as minhas mãos sobre as suas, guiando seus dedos e apertando-os junto aos meus nas teclas corretas, meus olhos foram parar em seu rosto, eu não precisava olhar para o que eu estava fazendo, eu sabia de cor. Roseanne retribuiu o olhar, já que eu que guiava seus dedos, aquela conexão forte de olhares pairou entre nós. Castanho no castanho, castanho no castanho. Eu fui a primeira a quebrar o olhar, descendo para a sua boca e vendo como o seu dente prendia o seu lábio inferior, eu queria estar fazendo aquilo com ela.

Sin Contrato Histórias para pegar e não largar. Descubra agora