Nothing is what it seems.

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"Apesar disso, mantém-te alerta. Todo o cuidado é pouco." a Blair aconselha.

"Sim, eu sei. Quero dizer, eu conheci-o há pouquíssimo tempo e nem estou convicta de que posso utilizar a palavra conhecer tendo em consideração que o Harry apenas...ele apenas surge repentinamente!"

Conforme o decorrer da conversa entre a ruiva e eu, apercebo-me de algo extraordinariamente surpreendente. O Niall permanece silencioso e este é um fator deveras alarmante pois o loiro simplesmente não consegue travar a sua língua sem se pronunciar.

"Niall? No que estás a pensar?" acordo-o dos seus pensamentos e ele praticamente estremece derivado do susto.

"Perdi-me a refletir acerca de uma coisa e apenas...apenas..." o loiro inicia porém engasga-se nas suas próprias palavras.

Niall não prossegue e limita-se a encarar o chão. Talvez seja uma suposição contudo, analisando a sua expressão fácil, ele aparenta deparar-se entre uma guerra contra o seu subconsciente acerca de uma possível decisão.

"Faz-te homem e fala!" Blair incentiva ou devo dizer, ela condena.

E, após um longo e intenso suspiro, o Niall finalmente cede perante os demónios que sopram martírios para a sua mente.

"Emma, alguma vez lhe disseste o teu nome?" ele questiona.

"Não, penso que não"

"Então, como é possível que ele tenha conhecimento acerca do teu nome?"

Não...não. É impossível! O defeito do Harry é apresentar uma figura terrivelmente sombria mas apenas pertence à sua personalidade! Ele não é má pessoa, ele...Não, não quero acreditar nessa lógica tão congruente.

"Estás a querer dizer que o Harry poderá ser o potencial inimigo da Emma?" a Blair lê-me os pensamentos.

O pior é possuir consciência que, caso se comprove como sendo verdade, eu estarei perdida.

"É a única explicação lógica, ou no mínimo a única que me ocorre. A Emma nunca lhe revelou o seu nome e de repente ele surge chamando-a corretamente." raciocina o Niall.

Ele está certo, o meu melhor amigo está a fazer sentido e mantive-me incapacitada de refletir por consequência da minha temporária cegueira.

O Zayn avisara-me, os meus pais ensinaram-mo e o Niall recordava-me a cada dia: Nunca confiar naqueles que desconheço. E subitamente surge o Harry, a mais súbita e inesperada aparição que contraria os meus ideais, contraria todas as leis da física e do meu próprio universo. Como pude baixar a guarda tão facilmente?

Submissa aos meus impulsos, levanto-me abruptamente da mesa. Completamente estática, coloco a mala ao ombro e viro costas abandonando o local o mais rapidamente possível.

"Emma...!" ouço as duas vozes familiares clamarem por mim.

Todavia ignoro e, meramente uma questão de segundos são o suficiente para que eu desapareça do campo e visão dos meus amigos. Preciso de estar sozinha, preciso de proceder a uma retrospetiva sobre a minha vida.

Necessito de proceder a um balanço e apenas pensar, sedada pelo som do silêncio que certamente e esperançosamente me trará alguma paz.

***

"John, a partir de amanhã começarei a ir sozinha para escola. Irei a pé e sem qualquer tipo de guarda-costas." anuncio a minha decisão.

"Mas menina Emma..." o homem prepara-se para contestar, os traços faciais gastos pela durabilidade de uma vida rapidamente se encurvam em novas engelhas proporcionadas pela evidente preocupação.

Loudest ScreamWhere stories live. Discover now