Trinta e oito

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–Vou perguntar mais uma vez caso não tenha entendido. Pontou dissimuladamente –Está grávida Ísis?

Atônita, a jovem mal sabia como responder o questionamento feito pela mãe.

A possibilidade era assustadora, porém real.

Ísis realmente não sabia como agir.

Porém, tinha convicção de que se aquela fosse uma gravidez planejada e desejada, Annalisa e o restante de seus familiares seriam os últimos a saber da notícia.

–Quem cala consente, então é isso? Impaciente com o silêncio recebido como resposta, perguntou.

Pressionada e com medo do que poderia receber em resposta se ficasse em silêncio por mais uma vez, sem ao menos medir as possíveis consequências, Ísis prontificou-se à responder.

–Não, eu não estou grávida! Ficou maluca!?

A mais velha então encarou seriamente a face pálida da jovem à sua frente, buscando qualquer mísero detalhe em sua expressão que poderia lhe contar se estaria dizendo a verdade, ou não.

Amedronta-lá parecia ser o hobby favorito da italiana.

–Espero que esteja me dizendo a verdade, se não...

A matriarca mal pode terminar sua ameaça.

–Se não o que Annalisa? O que!?

Ísis era como uma bomba relógio prestes a explodir...

O que o fez.

Vai me deserdar? Me botar pra fora de casa e fingir que não sou sua filha!? Que não sou uma Dal Zotto!? Questionou amargurada

A fim de controlar toda sua ira, a fisioterapeuta passou às mãos pela cabeça, colocando todos os rebeldes fios loiros em seu devido lugar.

–Ah é, você já fez tudo isso. Pontou ao sorrir ironicamente

Um silêncio então pairou pelo ambiente após a declaração da moça.

Silêncio que foi quebrado ao som abafado dos dedos estatelados de Annalisa atingindo o rosto da filha.

Um tapa.

Extasiada, Ísis levou uma de suas mãos ao local ardente no mesmo instante.

A outra, teve destino à seu ventre.

O ardor era amenizado a medida que as incessantes lágrimas vindas dos marejados olhos verdes, escorriam por toda extensão de seu rosto.

Ao se dar conta do que fizera, coberta de arrependimento, Annalisa correu em direção à filha a fim de ampara-la.

–Não chega perto de mim. Pediu com a voz trêmula

–Me perdoa filha, me perdoa. Pontou em desespero

Em um olhar embebido de desgosto e desprezo, Ísis a fez se afastar.

–Você deixou claro a muito tempo que não sou sua filha.

–Não diga isso meu amor. Clamou com os olhos marejados

Coworker | Bruno Rezende Onde histórias criam vida. Descubra agora