Todos ali imediatamente se puseram de pé, fazendo com que o homem de jaleco branco ficasse claramente apreensivo ao observá-los.
Aquela definitivamente não era um família comum.
–O assunto à ser abordado é delicado, e de certa forma particular e íntimo. Alegou podendo sentir o maçante desconforto situado no ambiente.
–O que quer dizer com isso? O grisalho Dal Zotto indagou rudemente
–Peço desculpas pela minha falta de clareza. Replicou pacientemente –Quero saber se existe alguém com quem possa falar em particular. Um namorado, ou marido quem sabe.
–Ela não é cas... Renan mal fora capaz de concluir a alegação, sendo imediatamente interrompido pela voz imponente do capitão de sua equipe.
–Sou o marido dela.
A ambiguidade das respostas gerou ao médico certa dúvida em relação a veracidade da afirmação de Bruno, instaurando-se assim, um silêncio constrangedor em meio a eles.
Como se toda essa situação não fosse constrangedora o suficiente.
–Está esperando o que!? Ele é o marido dela! Estimulou Caleb em meio à angústia por notícias.
–Claro. Me acompanhe por aqui, senhor?
–Rezende.
–Senhor Rezende. Repetiu cordialmente encaminhando-o até uma pequena sala distante, privada.
Durante o curto espaço de tempo em caminharam, Bruno se mantivera em total silêncio.
O levantador tinha conhecimento de que o pior estaria por vir, afinal, se boas fossem as notícias teriam lhe sido reveladas ali mesmo, perante a todos.
Apesar de passados anos e anos trabalhando duro na lapidação de seu psicológico para se manter são, era fato que o rapaz não tinha estruturas para enfrentar a perda de um filho...
Quiçá a perda de seu verdadeiro amor.
Bruno mal podia suportar a ideia de Ísis não existir em sua vida.
Deveras o todo era precoce, e ninguém poderia negar. Entretanto, esses pouco mais de 6 meses lado à lado teriam sido suficientes para deliberar que a vida de um seria completamente frívola na falta do outro.
A paixão desenfreada, o fascínio recíproco, os sentimentos turbinados à flor da pele, e o Porto Seguro que se transformaram um para o outro fizeram com que o relacionamento dos dois fosse de 0 à 100 em pouquíssimo tempo.
Ísis era o pedaço faltante do quebra cabeça que Bruno tanto procurara intentando se fazer completo.
E Justamente quando todos os atros aparentavam estar em perfeito alinhamento e perfeita harmonia para que os dois finalmente encontrassem a felicidade genuína, a íntregra do que construíram até ali parecia desmoronar.
Era como se tudo fosse um punhado de areia e, por mais que tentasse, de um jeito ou de outro, aquilo escaparia por entre os dedos.
Ele não podia perdê-la, não agora.
–Céus, eu realmente odeio essa parte da minha profissão. Proferiu interrompendo o silêncio ali instaurado
Bruno parecia alheio à toda aquela situação, perdido em pensamentos que consumiam sua sanidade naquele momento.
–Bom, como de praxe temos duas notícias... a boa e a ruim. Relatou ele
Em um aceno desanimador com a cabeça, o rapaz incentivou-o a continuar.
–Ísis está viva, e bem.
A afirmação fez com que Bruno exprimisse todo o ar armazenado em seu pulmão num único suspiro.
Um mix de emoções dominara o rapaz que por sua vez, esperava pelo pior.
Era como se toneladas fossem retiradas de suas espaldas, de fato um alívio.
–No entanto, as lacerações no útero de sua esposa foram extensas demais. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas infelizmente não pudemos salvar o bebê.
Apesar de previsível, aquelas palavras foram como facas.
Facas que não perfuraram a pele.
Rasgaram a alma.
Bruno assistia seu sonho escorrer ralo à baixo sem ao menos poder fazer qualquer coisa.
Com toda certeza aquele dia estaria marcado como um dos piores de toda sua existência.
O atleta intentava ao máximo se fazer feliz pela vida de Ísis, mas a desolação causada pela perda de seu primogênito o consumia por inteiro.
–Sua cabeça deve estar à milhão agora. Reiterou fitando à figura melancólica do rapaz a sua frente. –Sei que não é o momento, mas é meu dever como médico instruir-lhes nesses casos... Para isso, necessito saber se pretendem tentar novamente no futuro.
Bruno se quer tinha forças para proferir palavras ao clínico, tampouco refutar o questionamento feito ulteriormente ao baque.
–Caso seja um desejo do casal, aconselho então a procurarem acompanhamento médico para futuras gestações, por precaução. Tornou a dizer testemunhando a falta de condições do atleta.
–Compreendo que não seja uma notícia fácil de se digerir. Mas devemos sempre enxergar o lado positivo das coisas, sua esposa está bem, lúcida, e aguardando por você. Salientou solicitamente –Tenho certeza de que Deus tem grandes planos reservados à vocês, basta resiliência.
–Pode me levar até ela? Solicitou proferindo palavras pela primeira vez em muito tempo.
–Siga em frente pelo corredor, primeira à direita, quarto 101.
O rapaz então apressou-se à seguir as instruções dadas pelo doutor, mas não antes de agradecê-lo pela vida da amada.
Ele ligeiramente alcançara o destino esperado, assim avistando a figura abatida da moça repousando sobre a maca.
Sem ao menos proferir uma palavra à ela, Bruno fora imediatamente notado ali em pé, temeroso.
Em silêncio, Ísis afastou-se minimamente do centro da pequena cama apontando em seguida, com leves batidas, o lugar vazio à seu lado.
Receoso pelas recentes cirurgias passadas pela companheira, cuidou ao máximo para que não esbarrasse em qualquer um dos ferimentos envoltos por bandagens.
Contrariando qualquer tipo de ação precavida tomada pelo homem deitado à seu lado, a fisioterapeuta o envolvera em um abraço extremamente emotivo.
E assim, naquele afetuoso e aconchegante abraço passaram-se horas.
Horas de extremo silêncio.
Palavras não eram necessárias para elucidar a dor que ambos sentiam no momento.
A conexão dos dois era de fato inexplicável.
Ísis conseguia sentir a dor do parceiro, assim como ele conseguia sentir a sua.
Ainda assim, ambos sabiam que o amor que sentiam um pelo outro era superior a tudo e com toda certeza superariam aquilo, juntos.
E para que isso acontecesse, a moça precisaria tomar uma das decisões mais de sua vida, se não a maior delas.
Mas a verdade é que Ísis tinha a resposta daquela pergunta dentro de si a muito tempo, e só precisava reunir os resquícios de coragem suficiente para fazer dela uma afirmação real.
A qual agora se via pronta para fazer.
–Me mudarei para Itália com você.
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Coworker | Bruno Rezende
FanfictionÍsis Dal Zotto, uma recém graduanda em Fisioterapia é filha de uma das lendas do voleibol brasileiro, que hoje atua como técnico da seleção brasileira de vôlei, Renan Dal Zotto. Bruno Mossa de Rezende, filho de outra lenda do voleibol mundial, Berna...
