Tragédia de seis rodas

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Após vermos o Robson partir, nós empunhamos em nossas mais recentes armas e saímos pela mesma porta que ele, porem tomando direções opostas. Nosso objetivo era chegar na clareira. Sem chuva para nos ajudar a formação estava clara, Kate, Luciana e Caike estavam na frente. Jade e os pais de Matheus estavam no meio. Atrás estava eu com a Melissa em minhas costas e o Matheus. Juntos estávamos numa formação acabando com infectados que apareciam. Robson Fez um trabalho excepcional. Com nossas capacidades, sem que nenhuma outra criatura apareça nós conseguimos chegar lá sem problema nenhum, afinal, ele levou todos os tumores daqui quando saiu para atrai-los.

Minha espada estava nas mãos de Kate. Aparentemente ela era experiente com Kenjutsu, ou para os menos informados "a arte das espadas". O incrível é que mesmo juntando todas as nossas habilidades nós não conseguimos nem chegar perto da elegância que essa garota emanava com seus movimentos perfeitos com aquela lamina.

"Precisamos arrumar mais espadas" - Pensei eu enquanto carregava a Melissa em minhas mãos.

Depois de alguns minutos correndo, estávamos muito cansados. Por mais que Robson tinha limpado as ruas, foi apenas por um breve momento e somente perto da casa de Mateus. A medida que avançávamos em direção a Clareira não parava de aparecer mais e mais infectados. As ruas estavam mais e mais lotadas. Sozinho até daria para ignora-los. Principalmente os "invisíveis" perante eles, mas os indefesos e mais propícios a se tornarem infectados não teriam a menor chance.

Olhei diretamente para Caike e para Kate, eles entenderam a situação e apontaram para um muro com um grafite. Era uma escola estadual que tínhamos no nosso bairro. Aqui no brasil elas são separadas em três modalidades. Escola primaria ou prézinho, geralmente são escolas municipais (derivadas de município), depois as do fundamental que costumam ser municipais também. E por último as estaduais. Estas são maiores e possuem mais alunos pois correspondem a uma parcela de adolescentes e jovens do estado.

Nós achamos por bem parar um pouco dentro desta escola afinal, se passaram cerca de quatro dias desde o começo do caos. Os portões estavam fechados então tivemos que pular o muro. Não foi difícil, o muro não era tão alto. Por sorte estes infectados não estavam com tanta vontade de nos pegar.

"Deve ser por que Kate e Luciana estão aqui, né?"

Havíamos andado cerca de 20% apenas do caminho designado. Quando paramos para descansar, tirei a Melissa de minhas costas e a deixei com a Jade. Eu não sei o que ela viu, mas não deve ter sido bom. Os olhos dela estavam vermelhos e sua expressão congelada. Seus braços e pernas tremiam e eu sabia que não era de medo.

- Nós só vamos parar para descansar por alguns minutos - Disse enquanto me assentava perto do muro para encostar minhas costas um pouco - Essa horda é demais para nós, mesmo sendo fracos eles estão em maior número, vamos esperar até que ela passe, estamos com pressa, mas nada adianta se morrermos em vão!

Após dizer estas palavras, Kate se aproximou de mim e com o rosto desviado perguntou:

-He- Hey, Maikon, você tem um minuto?

- Para uma garota bonita como você tenho todo o tempo do mundo

- Pare de graça, eu estou seria aqui!

- Ta bom, ta bom, mas eu tam-

- Por que ele faz isso?

- Hã?

- O Robson, por que ele faz estas coisas?

- O que? Ajudar os outros?

- É, ele não tem a obrigação de fazer isso, se ele nos abandonasse ele não estaria em condições melhores?

Z Vol.1Histórias para pegar e não largar. Descubra agora