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Faith

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[continuação do mesmo dia]
[Narrando Alison]
O teste de matemática correu-me mais ou menos, e acho que em geral à turma correu bastante mal.
A seguir era a aula de português:
- Olá alunos, hoje vamos receber uma aula nova que veio da Inglaterra, deem as boas vindas à Lana.

A Lana era loira, alta, tinha olhos verdes e era linda. E não tenho mais nada a dizer se não que ela era de outro mundo, no final da aula, no intervalo maior, ela encontrava-se sozinha e eu decidi ir ter com ela:
- Olá Lana , tudo bem? Se precisares de alguma coisa, podes me dizer.
- Tu chamaste Brenda, certo?
- Não, eu sou a Alison, a Bree é a ruiva...
- Ah pois, sim estou bem.
- Gostaste da turma?
- Acho que sim, tens fofocas para me atualizar sobre as pessoas?
- Essa pergunta diz-me que tem alguém que querias saber mais, quem é?
- Juro que não, apenas quero conhecer as pessoas em geral!
- Tu não me enganas, eu juro. Quem é?
- Mateo Balsano. Ele é lindo e gostoso, fiquei apaixonada por ele, diz-me que ele não tem namorada... por favor!!
- Ele não tem namorada.
- Então, nota o meu nome: Lana Peach que vou ser a futura namorada dele!
- Mas tem namorado...
- Que desperdício, juro. Ele é tão gostoso. Quem é o sortudo?
- Kurt.
- Pois, bem em pareceu, são os únicos gays da turma?

As perguntas da Lana estavam a ser no mínimo dos mínimos estranhas e vindas do nada, não percebia a razão para ela querer saber as sexualidades de metade da turma:

- 75% da turma são queer. E o Mateo não é gay, ele é bissexual.
- Então tenho hipóteses!
- Ele está mesmo apaixonado pelo Kurt!!
- Isso nunca me impediu de nada. - disse ela rindo-me, juro que cabra de merda.
- Eu não posso mandar no que tu fazes, mas eles gostam mesmo um do outro, e passaram muito para ficarem juntos, por isso aconselho-te a deixá-los em paz.
- Ok, veremos. A Sam e a Marvin são lésbicas, não são?
- Porque presumes isso?
- Usam roupas muito pretas e são daquelas pessoas alternativas.
- A Sam é bi e a Marvin é pan!
- Ok... e tu, és hetero, não és?

Quando ela me perguntou isso, eu não sabia o que dizer, a antiga Alison iria fazer de tudo para esconder a sua verdadeira sexualidade, mas eu já não era essa pessoa:
- Não, eu também gosto de raparigas.
- Achas-me gostosa, então?

Neste momento apareceu o Kurt, o meu salvador.
- Olá meninas, estás a dar as boas vindas à Lana?
- Sim.
- Já soube que namoras com o pão do Mateo. Parabéns!
- Obrigado, eu acho...
- Kurt, nós temos que ir aquele sítio, lembras-te? Desculpa Lana.

Peguei no braço do Kurty e levei-o para perto do buffet:
- Ela é uma merda.
- Porque dizes isso, Ali?
- Amor, ela teve comentários homofóbicos e parece que está a comer o Mateo vivo.
- Vamos matar essa cabra!
- Ai por favor.

[Narrando Mateo]
O teste de matemática correu-me pessimamente, mas poder finalmente andar com o Kurt de mão dada outra vez, era muito bom.
No intervalo de 15 minutos, eu e a Sammy fomos à papelaria tirar umas fotocópias de uma ficha de biologia, pois tínhamos teste para a semana e ainda nem nos tínhamos preparado minimamente:
- Mateo, a Lana era tão beta, juro, só queria mais uma alterna.
- Tu não tinhas decidido ficar sozinha, e já queres uma alterna?
- Baby não te posso dizer nada, eu juro. Mas não era para namorar, era mesmo para amigar.
- A Alison passou à vida?
- Eu ainda penso nela a toda a hora, mas não quero, Mateo. Eu juro que não... hoje tenho uma marcação na terapia, acho que me vai fazer bem!!!
- Sam, fico muito feliz por ti.

Acho que a Sammy estava a fazer algo realmente bom por ela mesma, a Lana aproximou-se de nós e disse:
- Mateo, não me queres fazer uma visita guiada à escola, estou perdida e não sei aonde é a secretaria?
- Eu estou com a Sam agora, Lana.
- Mateo, podes ir. - disse-me a Sam com um tom baixo.
- Ok, eu levo-te até à secretaria.
Na ida para a secretaria, a Lana não parava de olhar para mim, até que disse:
- O teu namoro com o Kurt é mesmo sério?
- Sim.
- É pena!!
- Lana, a secretaria é ali.
- Obrigada fofo...

Não ia deixar que ela se metesse entre mim e o Kurt, mas ele prometeu-me que iria sempre confiar em mim. Fui procurar por ele, e estava a conversar com a Brenda:
- Bree, posso roubar o meu namorado por uns minutos?
- Claro, Mateo.
Eu tinha tanta vontade de fazer sexo com o Kurt, mas queria que ele estivesse realmente pronto. Coloquei a minha mão sobre a dele e levei-o até às casas de banho masculinas:
- Mateo, porque me trouxeste até aqui?- perguntou-me o Kurt, colocando cada braço à volta do meu pescoço.
- As minhas mães, pediram-me para te convidar para ires jantar hoje a nossa casa.
- Claro que vou.
- Ótimo, agora dá-me um beijo.

Ele aproximou-se de mim e eu encostei os meus lábios aos dele.
- Mateo, o teu casaco cheira a ganza.
- Eu e a Sam tivemos a fumar hoje, e esqueci-me de deixar o casaco em casa.- disse eu.
-  Amor, eu não tenho direito de dizer o que podes e o que não podes fazer, mas fumar faz mal.
- Estás mesmo preocupado comigo?
- Sabes que sim.
- Não te preocupes, não é algo que eu faça sempre...
- Ok.

Espero que ele não tenha ficado com uma impressão errada minha, eu não queria isso. Mas como ele mesmo disse, eu sou livre de tomar as minhas próprias decisões, e não é mesmo algo que eu faço constantemente.

[Narrando Kurt]
Hoje as aulas eram até às 13h20, mas felizmente passaram bastante rápido.
Passei a tarde toda no shopping porque eu posso, fazer compras sozinho é das melhores coisas, acreditem ou não.
Comprei uma roupa para utilizar no jantar hoje, porque era uma ocasião especial.
Quando cheguei a casa, reparei que a minha mãe encontrava-se bem triste:
- Mãe, o que se passa?
- Cometi um deslize mais uma vez. Não consegui filho, desculpa.

A minha mãe é toxicodependente à aproximadamente dois anos, e nunca contei a nenhum dos meus amigos, nem a Sam e nem a Ali sabem de nada.
Tudo começou quando a minha mãe descobriu que estava a ser traído pelo meu pai, isso mexeu muito com ela e desde ai, ela não é a mesma.
Ela disse-lhe que o aceitava de volta almas ele não quis, e abandonou-nos. Desde aí, não o vejo e não faço mesmo muita questão...
Isto mexeu muito com ela, e fez com que ela se refugiasse nas drogas, ela tentou lutar contra ela e ficou limpa, mas há um mês, uma amiga que a minha mãe e o meu pai tinham em comum, contou- lhe que o meu pai ia-se casar, o que faz a minha mãe ter uma recaída.
- Mãe, não achas que devias ficar uns tempos numa clínica?
- Filho, eu não sou nenhuma viciada, eu vou conseguir ultrapassar isto sozinha.
- Eu vou ligar ao Mateo, e cancelo o jantar, tenho que ficar contigo.
- Filho, vai.
- Mas mãe...
- Vai, eu fico bem.
- Como queiras...

Não me deixava confortável em deixar a minha mãe sozinha, mas ela preferiria que eu viesse e foi o que eu fiz. Dirigi-me a casa do meu namorado, e quando toquei à campainha, a mãe dele que eu não conhecia, a Alison, abriu:
- Olá Kurt, é um prazer, és tão lindo.
- O prazer é todo meu!!!
- Gostas de lasanha vegetariana? - perguntou-me a Emily, a sua outra mãe.
- Eu adoro. - respondi eu, é um dos meus pratos favoritos, e aposto que o Mateo deu a dica às suas mães.

O Mateo e a Sam saíram do quarto, e ele dirigiu-se a mim e deu-me um beijo:
- Vocês são adoráveis. - disse a Emily.
- Mãe, para, estás-me a envergonhar...
- Também tudo te envergonha.
- É o que faz estar apaixonado. - contrapôs a Sam rindo-se. O Mateo sorriu e deu-me a mão!
- Kurt queres ir para o meu quarto?
- Meninos, o comer está pronto.
- A sério mãe?
- Sim, filho, a lasanha está mais que pronta.
- Fica para a próxima, idiota. - disse-lhe a Sammy.
- És tão parva, juro. - respondeu o Mateo com um sorriso no rosto.
- Kurt, conta-nos, o Mateo é bom namorado contigo? - perguntou-me a Alison.
- O melhor namorado de todos. - respondi eu rapidamente, o que ele piscar-me o olho.
O jantar passou rapidamente e estava ótimo.
- Estava bom?
- Estava perfeito. - disse eu.
- Ainda bem que gostaste!- afirmou a Emily. - queres ver um filme connosco?
- Adorava, fica para a próxima, a minha mãe está doente, e precisava de ir estar com ela.
- Queres que vá contigo? - perguntou o Mateo preocupado.
- Não, amor, mas obrigado.
Ele foi levar-me à porta, deu-me um beijo de despedida e disse que me amava, e eu disse de volta.

Ao chegar a casa, a minha mãe estava a dormir, o que me deixou aliviado.
Todos os momentos que eu estava fora de casa, tinha medo que algo de mal lhe podesse estar a acontecer, era uma constante luta interior. Mas tinha fé que tudo iria acabar bem...

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