- Mãe, responde-me, vou ligar à polícia.
- Não faças isso, filha, ele é o meu marido e eu o amo!
- Ele acabou de te bater com um cinto, tu estás bem?
- Alison, ele estava com efeito do álcool...
- Isso não é desculpa, mãe. Foi a primeira vez?
- Sim, e acho que ele não vai repetir isto meu amor.
- Mas eu prefiro ter a certeza disso, vou ligar à polícia e acusa-lo de violência doméstica. Eu não quero viver com um homem que bateu na minha mãe, ele é um monstro!
Depois de dizer isto, a minha mãe começou a chorar bastante, acho que afinal não tinha sido uma primeira vez, e tinha a certeza que nada se ia repetir pois ele seria preso.
- Não chores mãe...
- Filha tu tens razão, ele é um monstro, mas também é meu marido.
- Podes encontrar alguém melhor! Aliás mereces muito melhor que isso...
- Tens razão, ligas tu ou ligo eu?
Então o resumo do que aconteceu: o Peter foi preso por violência doméstica. Pela manhã, a Stella veio buscar a Arya e o pesadelo tinha acabado.
19 de fevereiro de 2020
- Mãe, estás bem?
- Não filha, não estou, mas fizemos o certo. Eu não sou o saco de pancada de nenhum homem.
- Foi mesmo a primeira vez?
- Não quero falar acerca disso, vamos para a escola porque se não vais chegar atrasada. Só quero que compreendas que o Peter não era um mau homem.
- Se gostas tanto dele porque o denunciaste?
- Foi por ti. E também por mim...
Quando cheguei à escola, veio-me diretamente a Melissa:
- Ontem porquê que esteve a polícia à porta da tua casa?
- Como sabes?
- Somos vizinhas, parvinha. Mas ainda não respondeste à minha pergunta. O teu padrasto foi preso?
- Desculpa mas é pessoal.
- Cabra ou me contas ou a escola toda irá saber! Tens até ao fim do dia de hoje. As horas estão a passar, tic toc tic toc...
Só me faltava a Melissa para me lixar a cabeça, tinha que inventar alguma coisa. Não queria que ninguém soubesse que o Peter batia na minha mãe, tinha vergonha de não ter impedido isso mais cedo.
Vi a Sam e a Brenda a saírem do mesmo carro e decidi ir ter com elas:
- Olá meninas, Brenda posso falar com a Sam?
- Podes. - respondeu-me a Brenda saindo dali.
- Sam, o que está a acontecer contigo?
- Devido a uma das mensagens anónimas, a minha mãe descobrir que sou bissexual, e fechou-me em casa. Tentou me forçar a ir para um convento de reversão da sexualidade mas eu recusei e acabou por me expulsar de casa. Dizia que não era uma criatura de Deus e então, fui viver com a minha namorada.
"Minha namorada"? Podia ter pedido para ficar a viver na minha casa, mas não queria discutir com ela, então decidi aceitar tranquilamente o facto delas dormirem juntas. Não sinto química, sei lá.
- Sammy e estás bem com o facto de não estares em casa?
- Sinto-me triste mas foi pelo melhor. Se a minha mãe não me conseguia aceitar como eu o sou, é porque não é muito lá grande mãe.
- Se achas que estás melhor assim, eu apoio-te a 100 por cento. Quero que sejas feliz!
- Adoro-te Alison.
- Também te adoro Sammy!
- Já soubeste do Kurt?
- Sim, falei com ele hoje ao telefone, está solteiro. E tu e o Mateo?
- Também continuo solteira até então.
Falamos sobre todos os mexericos dos últimos dias. Entramos na sala, era aula de Filosofia. Ao entrar, o Mateo estava com uma guitarra a cantar para mim uma música romântica, no final disso aconteceu o momento que estava à espera à muito tempo:
- Alison Prescott, aceitas ser minha namorada?
- Claro que aceito.
No fim disto beijamo nos, não sei como a professora tinha alinhado neste pedido de namoro"musical".
O Kurt ficou muito feliz por mim mas vi que isto fez-lhe lembrar do Miles.
Falando do Miles, ele não falou a aula toda, até pensei que hoje ia fazer uma surpresa ao Kurt, tal como se assumir aos pais, mas mais uma vez falhou.
O meu Kurt merece muito melhor, tem um miúdo da nossa sala, o Tommy é muito giro e também gay e assumido.
Ainda vou pensar em alguma coisa para juntar estes dois. Ou talvez pudesse tentar agora mesmo?
- Olá Tommy, hoje queres vir lanchar comigo, com a Sam e o Kurt?
- Pode ser, aonde?
- Eu depois mando-te a localização.
Despedi-me dos olhos verdes do Tommy, metaforicamente, e fui ter com a Sam e o Kurt:
- Alison aonde estavas?
- Fui à casa de banho Sam, hoje vamos ao café do costume lanchar?
- Óbvio, pode ser que deixe de pensar no Miles por um segundo que seja.
- Podes crer que vais! - afirmei eu com toda a certeza do meu plano, a operação Tommy e Kurt estava de pé.
- Amigos, pensei pintar o cabelo de verde, o que acham? - perguntou a Sam.
- Verde? Não acho que te ficasse lá muito bem... - disse eu.
- Verde é uma boa opção, adoro ver gajas de cabelo verde. Mas o rosa fica-te muito bem! - completou o Kurt.
- Alison, não te esqueças que o importante é eu gostar, quando fui pintar ele de rosa também criticaste e acabaste por gostar.
- Já me calei...
A Sam não gostava de ouvir críticas mas eu sou muito exigente, e ela está linda de rosa, acho que não precisa de mudar. Depois disto chegou a Brenda e o Mateo:
- Sam hoje podes vir almoçar comigo? - perguntou a Brenda.
- Também ia te perguntar o mesmo, Sammy. - completei eu com um ar envergonhado.
- Não leves a mal Alison mas vou com a minha namorada, à tarde já estamos juntas.
- Vamos nós, princesa, não te preocupes, queres vir Kurt? - perguntou o Mateo.
- Mateo és um querido, claro que gostava de almoçar contigo mas hoje já tenho planos com a minha mãe para o almoço. - explicou o Kurt.
- E comigo... - acrescentei eu.
Estava tão ciumenta pela Brenda e pela Sam estarem tão felizes, o problema é a Brenda estar a ser demasiado perfeita, isso ainda me enjoa mais. Acreditam que ela até deixou de ser amiga da Melissa.
A Melissa, quase me esquecia dela e da sua ameaça.
Antes do meu almoço com o Mateo, decidi ir falar com ela muito calmamente:
- Alison, já tomaste uma decisão?
- Porque precisas de ser tão má assim?
- Não te armes de inocente, vou repetir, ou contas-me o que aconteceu ou digo ao mensageiro anónimo que a polícia esteve em tua casa, e levou o Peter ou la como ele se chama.
- Eu conto.
- Boa decisão, vizinha.
-O Peter chegou com efeito de bebida a casa, já não era a primeira vez, mas a novidade é que apareceu a polícia, dizendo que o Peter espancou um sem abrigo à porta do bar. Agora está preso.
- Perca de tempo, que irrelevante...
Digamos que amei a reação da Melissa, acho que não me vai mais me chatear com mais este assunto.
Mas é a Melissa, por isso nunca se sabe o que se espera desta mulher.
O almoço com o Mateo correu muito bem, e tive a impressão que ele e o Kurt estão a travar alguma amizade. Aceito, mas sou ciumenta. Estou a brincar!
Rapidamente passou a hora até ao lanche e o Tommy veio-me buscar a casa e fomos para o café:
- Alison obrigado por me integrares no teu grupo de amigos. - disse o Tommy sorrindo.
- De nada, o Kurt e a Sam devem estar a chegar meu querido.
- Tu és namorada da Sam?
- Eu... não... porque estás a perguntar isso?
- Pensava que isto era um duplo encontro, eu com o Kurt e tu com a Sam. Ela é bi certo?
- Ela sim, mas que fique claro que eu sou hetero.
- Está bem, desculpa pela pergunta.
Admito que fiquei um pouco envergonhada com a pergunta, porque ele acharia isso?
Entretanto chegaram o Kurt e a Sammy:
- Olá Alison e... Tommy? - disse o Kurt admirado.
- Alison não nos disseste que o Tommy vinha, mas bem-vindo às fofocas da tarde. - avisou a Sam de forma sarcástica.
- Então, eu trouxe o Tommy para conhecer o Kurt, estão os dois solteiros e são os dois lindos de morrer e já referi solteiros? Estou-te a ajudar a seguir em frente Kurt.
- Alison, eu ando a ter muita paciência porque és a minha melhor amiga, mas eu acabei com o Miles muito recentemente e achas justo para mim, trazeres-me um encontro? Sabes que eu ainda amo o Miles!
- Ali, o Kurt tem razão, não tens que te meter na sua vida amorosa! - exclamou a Sam de forma bastante irritada.
- Esqueçam-se que eu estou aqui e continuem! - disse o Tommy.
- Mas Kurt, eu fiz isto por ti, eu achava que precisavas de alguém para te sentires mais contente depois do término com o Miles. Foi trágico. E eu namoro com o Mateo e a Sam com a, como ela mesmo se chama?
- E eu preciso de alguém para me sentir bem comigo mesmo, não é pelas minhas amigas namorarem que eu preciso de fazer o mesmo, tenho muito brilho em mim mesmo, não preciso de mais ninguém para brilhar, e talvez esse seja o teu problema, precisas de amadurecer e lidar contigo mesma primeiro...
- Mas Kurt... - interrompi eu.
- Alison, não me interrompas, eu ainda amo o Miles e tu como minha bestie devias de saber que eu não sou daquele tipo de pessoas que acaba com um no dia anterior e no próximo já está a comer outro. Tens de começar a prestar mais atenção nos outros e menos em ti, porque isso já irrita, obrigado Tommy por vires mas eu vou embora, beijos.
De seguida desta saída de diva do Kurt, tal como ele gosta, a Sam seguiu- o. Será que ele estava a exagerar ou eu estava a passar dos limites.
De seguida desta discussão, veio um seguimento da saga do Mensageiro anónimo dizendo: "Kurt e Alison tiveram a discussão do ano até agora, mas não percas tempo, ainda podes conseguir ultrapassa-los na peixaria"
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Entre nós
General FictionAlison e Sam, começam um novo ano, e sentimentos controversos e até inimigos podemos entrar no seu caminho, mas será que no final o amor entre elas é mais forte que qualquer obstáculo?
