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— Puta merda, ela está de sacanagem! — Cole olhou para o prédio com um
misto de horror e confusão. — Espero muito que a gente esteja com o endereço errado.

Lili arrancou o pedaço de papel das mãos de Cole.

— Deixe-me ver.

— Eu sei ler, sabia?

Revirando os olhos, ela examinou o papel.

— Inacreditável.

— O quê? — Ele se inclinou por cima do ombro dela, olhando o papel mais
uma vez. O perfume de Lili o atraía, e isso o deixava tenso.

— Você saber ler.

— Muito engraçado!

— É o endereço certo. — Lili bateu no peito dele com o papel e andou até a
porta escura. — Acho que devíamos... Devíamos entrar?

— Claro que não. — Cole cruzou os braços. — Sem chance.

— A lista diz que a Madame nos espera à uma da tarde! Vamos nos atrasar se
não entrarmos.

Cole umedeceu os lábios e olhou outra vez para o prédio. Nas vitrines havia
imagens de casais dançando. As mulheres riam e jogavam confetes para o ar. Parecia um desses comerciais toscos sobre absorventes internos.

— Não. E quem é chamada de Madame, hoje em dia?

Lili revirou os olhos.

— É o nome dela. Por quê? Está com medo de desenvolver um par de peitos?
Tem medo de que suas bolas desapareçam?

Cole bufou com desdém.

— Tudo bem, vamos lá. — Irritado, ele agarrou o braço de Lili com a mão
esquerda e abriu a porta com a direita.

Lá dentro estava escuro.

— Viu? Endereço errado. — Cole soltou o braço de Lili e pegou o celular no
instante em que uma música começou a ser ouvida no ambiente. Então alguns refletores se acenderam e o cegaram momentaneamente.

— Que porra é essa?

Foi aí que começou a cantoria.

Lili, ao seu lado, ficou tensa. Mais luzes foram acesas, embora Cole não tivesse nem ideia de onde elas vinham. Ainda estava um pouco cego por conta do
primeiro clarão. Tentou dar um passo para o lado, mas bateu em uma mesa.
Apoiando as mãos no tampo, olhou para baixo. E viu fotos de strippers do sexo masculino sem blusa.

Ele se endireitou rapidamente, mas então esbarrou em alguma coisa dura,
que oscilou. Cole se virou, tentando estabilizar o objeto.

Era uma estátua nua.
De um homem.

Como é que ele ia tocar naquilo? A escultura tinha sido colocada na mesa de um jeito que deixava as pessoas frente a frente com o órgão sexual masculino. Esticou a mão para segurá-la pela cintura, quando sentiu Lili esbarrar nele. Ela parecia travar a própria batalha contra um enxame de balões na forma de... é... partes íntimas.

— Mas que droga! — Lili segurou a mão dele. — Precisamos correr.

— Parece o inferno, só que pior — concordou Cole, agarrando-a pelo braço.

— Bem-vindos, bem-vindos! — cumprimentou uma voz amplificada por um alto-falante.

— Meu Deus. É oficial: estamos nos Jogos Vorazes! — Cole segurou Lili e a
empurrou para trás de si. — Só deixe que eu morra primeiro, Senhor! Por favor, deixe que eu morra primeiro.

THE CHALLENGE. (Concluída)Onde histórias criam vida. Descubra agora