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— Pronto? — Cole deu alguns tapinhas nas costas do irmão, que se olhava no
espelho e reclamava.

— Mas que inferno! Não consigo parar de tremer! — Cole fechou os olhos
e balançou os braços, então começou a dar pulinhos.

— Bem, primeiro, pare de pular. — Cole colocou as mãos nos ombros de Dylan. — Não é um jogo de basquete. Você não está nas finais do campeonato estadual.

— Certo. — Dylan parou de se mexer e assentiu com a cabeça algumas vezes.

— E pare de fazer que sim com a cabeça. Você está parecendo um maluco.

— Merda. — Dylan se sentou em uma cadeira e apoiou a cabeça nas mãos.

— Preciso dar o fora daqui antes que eu enlouqueça.

— Concordo. — Cole enfiou a mão no bolso da frente do casaco. — Mas, até
lá, use isso.

Dylan não olhou para ele.

— Cole, acho que as pílulas de Benadryl da vovó não são indicadas nessa situação.

— Não é uma pílula rosa. — Cole enfiou a pequena garrafa de bebida na cara
de Dylan. — É coragem líquida, meu amigo! Beba.

Dylan abriu os olhos e pegou a garrafa de plástico.

— Hum, então é um remédio de Cole Sprouse? Gostei.

— Talvez seja apenas um remédio dos Sprouse's, apesar de mamãe costumar
optar pelo vinho. — Cole deu de ombros. — De qualquer forma, não preciso levar todo o crédito.

Dylan tirou a tampa e fez cara feia ao virar toda a garrafa de vodca barata, os 120 mililitros de uma só vez.

— O gosto disto é horrível.

— Roubei da vovó, então eu já imaginava. Nunca vi uma mulher gostar tanto de vodca barata. — Ele deu de ombros. — De qualquer forma, está quase na hora de ir até o altar. Que tal arranjar coragem?

Depois de alguns segundos, Dylan respondeu:

— Pronto.

— Nossa, foi rápido!

— É, bem, foi só perceber que vou poder seduzir minha esposa em exatos 46 minutos. Talvez 44, se eu disser os votos rapidamente.

— Assim é que se fala! — Cole deu tapinhas nas costas dele. — Agora, vou
sair para encontrar sua futura esposa. Parece que preciso ajudar certa garota a chegar até o altar.

— Se ela tropeçar, você ganha um olho roxo.

— Beleza! — gritou Cole, saindo do cômodo em busca de Camila.

Ele a encontrou parada na entrada da varanda dos fundos, esperando, enquanto uma música suave tocava ao fundo.

Lili estava ao lado dela, as duas conversando em murmúrios urgentes. Até Cole pigarrear e indicar que estava lá.

Camila se virou primeiro, com os olhos brilhantes de animação.

— Eu só, hã... — Lili apontou para algo atrás de Cole. — Vou ficar por ali até chegar a minha hora de andar até o altar.

Cole sentiu o perfume de Lili quando ela tentou passar direto por ele. O que
não ia acontecer. Ele a agarrou pela cintura e a beijou na boca.

— Você não pode passar por mim sem dizer nem um “oi”.

Os lábios de Char tocaram os dele outra vez.

— É assim que dizemos “oi”, agora?

— É. — Cole abriu os lábios dela com a língua. — Claro que é.

Interrompendo o beijo, Lili deu uma piscadela safada e foi embora.

Cole ainda estava olhando para ela quando Camila falou:

— Nunca pensei que veria este dia.

— O quê? — Cole coçou a cabeça, nervoso, e se aproximou de Camila. —
Que dia?

— Você sabe. — Ela cruzou os braços e indicou com a cabeça a parte do cômodo onde estavam Lili e as outras madrinhas. — O dia.

— Ainda não entendi.

Ela deu de ombros.

— Pode chamar de puberdade. Você cresceu e se apaixonou.

— Então, agora eu sou um homem? — Cole piscou.

— Parabéns! — Camila riu. — Ah, meu Deus! Aposto que você deve até ter cabelo no peito! — Cole fez cara feia.

Sempre fora um metrossexual, e talvez levasse as coisas um pouco longe demais, ao fazer limpeza de pele uma vez por mês.

Ele deu um tapa para afastar a mão de Camila, que tentava tocar seu peito.

Peste!

— Está pronta? — perguntou, mudando de assunto.

— Acho que sim.

— Que bom. — Cole riu. — Prepare-se para ficar de boca aberta. Na verdade, prepare-se para chorar. Ouvi dizer que você e vovó tiveram uma boa conversa.

— Aquela mulher não consegue guardar segredo nem que sua vida dependa disso — resmungou Camila.

— Bem, vou deixar Lili alerta, só por precaução. — Cole esticou o braço e
segurou a mão da amiga. — Camila, conheço você desde que era uma garotinha usando maria-chiquinha. Você era obcecada pela Barbie e me disse que eu devia ser seu Ken. Na verdade, tenho certeza de que fiz o papel de Ken mais vezes do que gostaria de admitir.

Camila deu uma risadinha e continuou a ouvir.

— Nós rimos juntos, choramos juntos, gritamos um com o outro, brigamos,
nos odiamos... — Cole tentou controlar as emoções. Droga. Não era só Camila que iria acabar chorando. Ele se sentia prestes a perder o controle. — Eu parti
seu coração e nunca o consertei. — Ele umedeceu os lábios e suspirou. — Dylan consertou.

Camila pegou a mão de Cole e a apertou.

— Meu irmão o consertou — repetiu Cole, fechando os olhos por um breve
momento. — Cami, eu aceitei seu coração, na faculdade. Aceitei, mas não fui cuidadoso. Fui descuidado, jovem, idiota, você decide. — Ele soltou a mão da amiga e enfiou a dele no bolso, para pegar um presente. — Então, aqui estou, devolvendo-lhe os pedaços, para que meu irmão possa ficar com tudo. Dylan merece. Queria consertar o que eu quebrei. Queria desfazer o que deu errado, mas você sabe que isso é um tanto difícil de fazer, então aqui... — Ele ergueu a presilha de cabelo. — É um coração azul, de safira. A coisa azul que você vai usar também é a coisa nova. — Ele deu de ombros. — Eu sempre te amei, Cami. — Ele ajeitou a presilha no cabelo dela e beijou a amiga na testa.

THE CHALLENGE. (Concluída)Onde histórias criam vida. Descubra agora