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— A gente precisa parar de dizer que vai ser rápido. — Lili suspirou enquanto observavam a velhinha que digitava usando apenas os indicadores.

— Então... — Blanche, a dona da loja de bolos, parou de digitar. — Qual é
mesmo o sobrenome?

— Sprouse — respondeu Cole, bem devagar.

— Pode soletrar, por favor? — A senhora sorriu, revelando fileiras de dentes que pareciam dentadura.

— Ah, claro. S-P-R-O-U-S-E.

— S. — Ela digitou e olhou para cima.

Lili por pouco não conseguiu segurar o riso. Precisou desviar o olhar.

— P. — Cole fez uma pausa.

E lá estava Blanche, olhando para cima outra vez. Mas que droga! Aquela
mulher seria um teste de paciência até mesmo para os santos!

— R. — continuou ele.

— Sprou? — perguntou Blanche. — Tão curtinho! Que tipo de sobrenome é esse?

— Não, não, não — Cole se inclinou sobre o balcão. — Tem mais duas letras.

— Ah! — Blanche levou as mãos às bochechas e deu uma risada. —
Desculpe, querido. Esse cérebro velho já não funciona como antes!

— Ele ainda funciona? — murmurou Lili. Cole lhe deu uma cotovelada e
continuou a soletrar.

— O.

Blanche apertou a letra no teclado e olhou para cima.
Sério, daria para assar um pão no tempo que ela levava para digitar um
nome.

— U...

Lili e Cole suspiraram quando a atendente finalmente digitou a última letra e apertou “enter”.

Os únicos sons na loja minúscula eram o zumbido do computador e o violino
que tocava baixinho, como música ambiente. Alguns cupcakes estavam expostos em um porta-bolo colocado diante da máquina registradora e havia alguns bonequinhos de bolo espalhados por ali. Era uma loja realmente pequena.

— Ah, não! — A atendente suspirou.

Cole olhou para Lilj. Uma expressão de completa irritação passou por suas
feições perfeitas antes de ele perguntar, com a voz contida:

— Blanche, algum problema?

— São os bonequinhos.

— Sim?

— Os que foram entregues são um pouco diferentes dos modelos encomendados. Tentei ligar para o número cadastrado, mas ninguém retornou a ligação.

— Que número? — perguntou Cole.

As mãos lentas de Blanche navegaram pelo teclado. Dois minutos depois, a
senhora lia um número na tela.

— Vovó! — disseram Lili e Cole ao mesmo tempo, como se fosse um
palavrão.

— Posso pegar os bonequinhos, vocês dão uma olhada e decidem o que fazer, que tal? — Blanche ergueu uma das mãos no ar. — Vou lá. Só preciso encontrar...

Quando ela desapareceu nos fundos da loja, Lili se apoiou no balcão e
suspirou.

— Quando ela voltar, estarei velha demais para ter filhos.

— Ao menos não terá todos aqueles gatos.

— Muito obrigada, sr. Sensível. Obrigada.

Ele deu de ombros e percorreu o olhar pela loja.

— Esse não parece ser o tipo de lugar no qual Camila escolheria encomendar os bonecos do bolo.

— Nem me diga! — resmungou Lili. — O vestido que experimentei era horrível. Juro que pensei que vovó tivesse me levado ao lugar errado.

Lili e Cole se entreolharam, e estavam bufando.

— Você não acha que... — começou a perguntar Cole.

— Que o quê? — Lili pôs as mãos nos quadris. — Que vovó esteja pregando
uma peça na gente, fazendo tudo isso de propósito, só para nos torturar?

— Não. — Cole balançou a cabeça. — E você?

Lili semicerrou os olhos e se virou para a porta. Era um lugar respeitável, e
a senhora parecia ter projetos legais.

— Acho que ela não chegaria a tanto.

— Ela fingiu a própria morte para juntar Camila e Dylan. Pode acreditar,
esse é exatamente o tipo de coisa que ela faria.

— Aqui está! — Blanche apareceu com bonequinhos de bolo perfeitamente
normais.

Um casal parecido com Camila e Dylan dançava abraçado.

— Nada mau. — Cole olhou para Blanche. — Qual o problema?

Então a atendente tirou a plataforma da caixa, sobre a qual pôs os bonequinhos de vidro.

E na plataforma estava escrito: TETAS PARA SEMPRE.

— Caramba! — Cole murmurou um palavrão. — Não podemos usar isto no
casamento!

Lili cobriu a boca com a mão, tentando segurar a risada. Então pigarreou,
antes de perguntar:

— Hã, será que tem algum jeito de usarmos os bonequinhos sem a
plataforma?

A senhora pareceu horrorizar-se diante mesmo da simples menção àquela
possibilidade.

— Sem a plataforma?

Lili assentiu.

— Sem a plataforma? — Os olhos de Blanche faiscaram.

— Fique quietinha — sussurrou Cole, segurando a mão de Lili e se colocando na frente dela, como se quisesse protegê-la.

— Eles precisam ficar na plataforma! — gritou a atendente. — Todos os bonequinhos têm uma plataforma própria para o perfeito encaixe no bolo. Do contrário, eles afundam. Quer arruinar o casamento? Que tipo de noiva é você?

— Ah. — Lili olhou para a senhora, espiando por trás de Cole. — Não sou a
noiva.

Os olhos de Blanche se estreitaram.

— Mas veio buscar os bonequinhos.

— Sou a dama de honra. — Lili ergueu uma das mãos.

Blanche olhou para Cole.

— E-eu, hã... — gaguejou ele. — Sou o irmão. Padrinho.

— E deixaram que isso acontecesse? Deixaram que eles pedissem uma plataforma com a palavra errada? — Blanche contornou o balcão lentamente e encarou os dois. — Que tipo de amigos vocês são?

— Amigos ruins. — concordou Cole. — Péssimos.

Blanche sacudiu a cabeça.

— Quando vai ser o casamento?

— Semana que vem — respondeu Lili.

— Bem, então espero que tenham boa sorte quando forem contar a eles que
não haverá bonequinhos de bolo.

— Vamos levar! — gritou Lili, ainda trás de Cole.

Ele se virou para ela.

— Está escrito “Tetas Para Sempre”. Não tem como usar esse troço no bolo
de casamento.

— Eles precisam dos bonequinhos! — argumentou Lili. — Você é homem.
Não consegue construir uma plataforma nova, que a gente possa usar para pôr os bonequinhos que eles encomendaram? O arranjo é bonito. Tirando a parte das “Tetas”.

Cole abriu um sorriso.

Lili desviou os olhos de novo.

— Que se dane. — Ele pegou o cartão de crédito. — Vamos levar. Com plataforma e tudo.

— Que ótimo. — Blanche sorriu. — Tenho certeza de que a noiva e o noivo
vão adorar. E, se precisarem dos bonequinhos em outra ocasião, não se
esqueçam da Estamos no Topo.

— Só por cima do meu cadáver — murmurou Cole, entregando a Lili o
recibo enquanto pegava a caixa e saía da loja.

Lili o seguiu sem reclamar.
Eles entraram no carro.
E caíram na gargalhada.

— Não deviam ter nos encarregado de nada — comentou Lili, quando finalmente parou de rir.

— O que a gente vai fazer? Se foi esse o pedido de Camila, ela vai pirar quando vir que está errado.

Lili deu de ombros.

— Vamos pensar em alguma coisa. Agora, temos de terminar a lista. Nosso voo é amanhã à noite.

— Está bem.

— Ah, aqui está. — Ela entregou o recibo a Cole e pôs o cinto de segurança.

— Só pode ser brincadeira. — Cole soltou um palavrão e amassou o recibo antes de jogá-lo no chão.

— Algum problema?

— Sim, esses bonequinhos custaram 2 mil dólares.

— Quê?! — exclamou Lili.

Cole deu uma risadinha sarcástica.

— Tetas estão cada vez mais caras.

Lili cobriu o rosto com as mãos e gargalhou. Mas se sentiu paralisar quando Cole esticou o braço e apoiou a mão na parte de trás de seu assento para dar marcha a ré. A mão de Cole roçou seu pescoço. Um calafrio involuntário percorreu o corpo de Lili.

— Hum. — Ela se inclinou para a frente e pegou a lista. — Beleza, agora só
precisamos pegar o presente da vovó.

— Onde?

Lili apertou os olhos.

— Que estranho!

— O quê?

— É só um endereço?

Cole deu de ombros.

— Diga qual é. Vou botar no GPS.

Lili leu o endereço em voz alta. Por sorte, o lugar ao qual tinham de ir ficava a apenas alguns quarteirões do centro, perto da faculdade e da Queen Anne Hill.

Quando viraram na rua, Cole acrescentou:

— Não duvido nada de que vovó tenha escolhido um presente inapropriado.
Estou só avisando.

— Ah, por favor, Cole! — Lili revirou os olhos. — Não pode ser assim tão ruim.



continua...

THE CHALLENGE. (Concluída)Onde histórias criam vida. Descubra agora