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Cole percebeu que podia, sim, ser bem ruim, ou ainda pior, quando pararam
em frente a uma farmácia.

— Não estou entendendo. Esse é o endereço que vovó deu?

Ele olhou para o papel outra vez e depois para o relógio. Estava ficando tarde, e, embora não se importasse de passar tempo com Lili, não havia a menor chance de ele ficar com ela durante a noite, não com seu corpo reagindo daquele jeito. Acabaria estragando tudo.

Uau, já estava começando a fugir! Nunca pensou que veria o dia em que isso aconteceria.

— Então acha que devíamos ir embora? — perguntou Lili.

— Vou ligar para ela. — Cole pegou o celular e telefonou para vovó, que
atendeu no segundo toque.

— Que foi?

— Estamos na farmácia, onde deveríamos pegar o presente. Você por acaso nos deu o endereço errado?

— Não.

Droga! Até mesmo a paciência de um padre seria testada por aquela mulher!

— Está bem. Então, o presente está aqui na farmácia.

— Sim, estão.

— Estão?

Vovó gritou alguma coisa e cobriu o telefone com as mãos. Então pigarreou.

— Sim, só precisa ir lá dentro e pedir as coisas que estão em nome de Cole Sprouse.

— Por que você botou a encomenda no meu nome?

Vovó parou e riu.

— Ah, já estou indo!

— Oi?

— Não é com você. — Ela deu uma risadinha. — Está no seu nome porque é você quem vai pegar tudo. Agora, vá lá e procure o gerente, que é uma pessoa ótima. Ele deve estar trabalhando hoje à noite, e está à sua espera.

— Vovó, eu não queria perguntar...

— Então não pergunte! — O celular ficou mudo.

Cole soltou um palavrão e guardou o aparelho no bolso da frente.

— Algo me diz que não deveríamos entrar.

Ignorando-o, Lili abriu a porta.

— Vamos lá. Cadê sua coragem? É só uma farmácia. Ela deve ter comprado
um cartão-presente ou algo do tipo. Só precisamos pegar.

Cole pensou em como deveria aprender a ouvir a voz da consciência. Aquela
que gritava coisas como PERIGO! ou ALERTA VERMELHO! quando se está
prestes a cair em uma armadilha. Aquela situação era claramente uma
armadilha.

Em vez de ouvir a voz da consciência, ignorou-a. Principalmente porque Lili
estava andando mais à frente, e Cole ficou hipnotizado pelo movimento de seus quadris. Não havia nada a fazer, além de segui-la.

Mas ele realmente deveria ter ficado onde estava.

Soube disso no instante em que entraram na loja e ele se apresentou.

— Ah! — Bob, o gerente, estendeu a mão. — Estávamos esperando você!
Acho que tenho tudo o que sua avó pediu para esse casamento bem aqui! — Ele deu uma piscadela.

Cole fez careta.

Lili olhou para dentro da cesta.
Realmente, não deveria estar fazendo isso.

Bob, pensando que ela não tinha conseguido ver, despejou o conteúdo no balcão.

— Então. — Bob pigarreou. — Sua avó expressou o interesse em bisnetos.
Esses são os melhores testes de fertilidade do mercado. Eles vão, é claro, mostrar quando esta doce jovem — ele indicou Lili com uma das mãos — estiver ovulando. Sabe como usá-los, senhorita?

Lili arregalou os olhos, horrorizada. Então abriu e fechou a boca. Cole riu, nervoso.

— Ela, hã... Quer dizer, nós... nós nos viramos.

Lili lançou um olhar que dizia “Só por cima do meu cadáver é que ‘nós nos
viramos’juntos!”, mas não disse nada.

— E essas.... — Bob puxou uma caixa de camisinhas e a sacudiu no ar. — Ah,
esperem! Não, não está certo. É o tamanho errado.

— Vamos ficar com essas mesmo. — Cole tentou colocar as camisinhas de
volta na cesta, mas Bob as tirou de seu alcance bem a tempo.

— Ora, jovenzinho! — Bob fez que não com o dedo na cara de Cole. — Você
sabe muito bem como é irresponsável usar uma camisinha que não cabe direito. Sua avó e eu já discutimos todos os seus... problemas. Você precisa do tamanho certo...

— Perfeito! — interrompeu Cole, sentindo o rosto esquentar. — Essas são do tamanho perfeito!

Ele tentou tomar a caixa, mas Bob se afastou e falou, pelo comunicador geral da loja.

— Stacey, pode ir ao terceiro corredor e pegar a caixa de camisinhas PP? Tem um cliente aqui que está precisando delas.

Meu Deus do céu!
Ele ia matar a avó.

Cole soltou uma risada nervosa.

— Não, sério. É brincadeira. Minha avó estava só brincando. Eu não... Quer
dizer, isso não é bem verdade. Não é o meu tamanho, eu, eu... — Ora, mas que droga! O que ele podia dizer?

THE CHALLENGE. (Concluída)Onde histórias criam vida. Descubra agora