Lili levou mais de uma hora para se arrumar. Nenhuma roupa ficava boa, e ela queria estar bonita, já que seria vista andando por aí com uma celebridade.
O que deveria vestir? O modo como Cole a olhara a tinha feito estremecer. Bem, tudo estava confuso demais, o que de repente a fez agradecer a demora de uma hora em ficar pronta, em vez dos vinte minutos habituais.
Nesse tempo, precisou ficar lembrando a si mesma que ele devia estar sentindo pena dela. Ele não era assim tão altruísta... Era Cole Sprouse, pelo amor de Deus! Até os espelhos ficavam
enciumados se ele passasse direto, sem olhá-los ao menos uma vez.
{...}
Dirigiu o Ford velho até a casa dele, alternando entre o pânico, a vontade de dar meia-volta e a determinação. Era seu aniversário. Ela devia se divertir. Ela merecia aquilo, e a única outra opção que tinha eram os quatro volumes de uma série de livros no Kindle e uma garrafa de vinho.
Se desse meia-volta, pegaria no sono enquanto Jimmy Fallon e Justin
Timberlake estivessem apresentando a sétima parte da sequência History of Rap, então acordaria com os devaneios do apresentador Carson Daly às duas da manhã.
Deprimente. Para dizer o mínimo.
Cole já estava esperando quando ela estacionou em frente à casa.
Lili ficou boquiaberta. Mas que... Só tinha visto um carro como aquele na
TV, e ainda assim ficara duvidando de que ele fosse real.
Uma coisa era certa: aquilo tudo era demais para ela. De repente, parecia
errado estacionar o velho Ford ao lado daquela máquina.
Ela pegou a bolsa e saiu do carro.
Cole usava calça jeans justa, óculos de sol tipo aviador e uma camisa azul-clara com os primeiros botões abertos. Uma jaqueta de couro bege completava o visual, e, sinceramente, aquela era uma imagem e tanto. Mas nem assim ela conseguia ignorar o carro, que praticamente a cegava. Era... Era incrível. Não tinha palavras.
— Gostou do carro? — perguntou ele, jogando as chaves para ela.
Lili quase tropeçou quando as pegou no ar.
— É de verdade?
Cole riu.
— O quê? O carro?
Lili só conseguiu assentir com a cabeça.
— Não sei. Por que não usa essa chave e descobre?
Louca para entrar naquela máquina de aparência alienígena, ela rapidamente
abriu a porta do motorista e se sentou no assento de couro macio. Servia como uma luva. Era como se o carro se moldasse ao seu corpo, como um vestido.
— Que é isso?
— Um Bugatti Veyron.
— É... — Lili passou as mãos pelo volante e olhou para Cole, que estava no banco do carona. — É lindo. A gente pode dizer que carros são lindos?
Rindo, Cole estendeu o braço e acariciou o assento bem ao lado da perna de Lili.
— Dá para sentir isso?
Ela teria que estar morta para não sentir o calor da mão de Cole acariciando o couro bem ao lado de sua coxa.
— É costurado a mão. Não é incrível que um carro possa ser sensual? Mas...
— A mão de Cole subiu para a perna de Lili. — O que eu queria era que você se
sentisse sexy no dia de seu aniversário. Aliás, você está linda. Amo vermelho.
Ela decidira usar um vestido vermelho frente única bem justo e sapatos
dourados. Isso depois de um furacão ter passado por seu quarto.
— Pronta para ir? — Cole recolheu a mão. — Pode dirigir se quiser.
Lili balançou a cabeça e começou a sair do banco do motorista.
— De jeito nenhum. É caro demais. Vou acabar indo a 20 quilômetros por
hora na estrada, com medo de alguém bater em mim.
Cole deu a volta no carro e a ajudou a terminar de se levantar do assento
baixo, mas ela acabou tropeçando e caindo em seus braços, desajeitada.
— Desculpe.
— Não precisa. — Os olhos dele se fixaram nos lábios dela por um breve
segundo, antes de Cole dar um passo para trás. — A regra número um dos
aniversários: não precisa pedir desculpas. Agora, entre no carro. Temos que encontrar os pais de alguém.
— Cole, duvido que a gente vá encontrá-los...
— Já encontrei. Ou melhor, vovó encontrou. Eles estão hospedados no
primeiro hotel para o qual ela ligou. Vovó disse que é um dos melhores de Alki, então era um bom lugar por onde começar a procurar. Tudo o que fez foi ligar dizendo que estava quase morrendo e que precisava falar com o filho. Ela deu à recepcionista o nome de seu pai e depois... desligou.
— Ela é um gênio do mal.
Cole ligou o carro.
— Um dia ela vai dominar o mundo. Escute o que estou dizendo. — Ele
estendeu o braço até alcançar o cinto de segurança de Lili e o afivelar. —
Segure-se. Só dirigi isso aqui uma vez, e é rápido.
Ele não estava brincando quando disse que o carro era veloz e que só o dirigira uma vez: em alguns momentos, estavam tão imersos na conversa que
Cole nem se dava conta de que estava a mais de 160 por hora.
Pela primeira vez na vida, Lili se sentia como a personagem de um conto de
fadas. Quando mais nova, ela fora a garota por quem Cole não se apaixonara. Agora... Olhou discretamente para ele, que mexia no rádio. Era sua Cinderela.
Mesmo que fosse por pena, a sensação era muito boa. Alguém finalmente a tinha escolhido.
Ela nunca percebera quanto precisava disso. Até agora.
continua...
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THE CHALLENGE. (Concluída)
Romance"Como vai? Quer dizer, faz tanto tempo!" Na verdade, fazia onze meses, uma semana e cinco dias. Mas quem é que estava contando? Não ela. Cole Sprouse é rico demais, bonito demais e arrogante demais: qualidades que, anos antes, fizeram Lili Reinhart...
