Cole não estava nem um pouco preparado para o que vovó havia planejado.
Eram apenas quatro da tarde, afinal, e as intenções dele incluíam apenas jantar cedo e beber alguns drinques.
Enquanto Cole apenas tentara deixar Lili louca por ele, vovó estava fazendo
tudo o que ele tinha pensado em fazer, só que muito melhor.
Porque ela trouxera a melhor amiga de Lili.
— Cami? — Lili ficou boquiaberta quando Camila e Dylan entraram na
casa.
Vovó dissera a eles que bebessem um pouco de champanhe, se sentassem
bem quietinhos e esperassem pela festa do século. Palavras dela, não dele.
Depois de duas horas de espera, Cole estava convencido de que vovó dormira ao volante. Não que ele se importasse...
Lili quis caminhar na praia, e ele foi
com ela. Depois ela quis mais champanhe — e ele lhe daria tudo o que ela desejasse. Só queria que ela se sentisse... querida... desejada. E como aspirava a ser o cara que a faria se sentir assim!
Algumas horas haviam se passado desde aquele último beijo, e Cole já
considerava seriamente a possibilidade de trancar a porta da casa para tentar
uma nova chance. Foi quando o irmão e a futura cunhada chegaram.
— Surpresa! — gritou Camila e entrou correndo na grande sala.
— Não acredito que vocês estão aqui! — Lili correu para os braços de Camila. — Como vocês...
— Vovó — responderam em uníssono.
Cole se levantou do sofá e foi apertar a mão do irmão.
— Estou surpreso por vocês terem conseguido pegar um voo.
Dylan soltou um palavrão.
— Eu também. Mal tivemos tempo de fazer as malas. Só joguei na bolsa
umas roupas que estavam no chão e peguei uns negócios com babados para Camila.
— Lingerie. — A noiva suspirou. — Ele pegou minha lingerie de seda.
Dylan deu de ombros.
— Sou homem.
— E não posso sair por aí pelada! — praticamente gritou Camila.
Dylan não pareceu se importar, o maldito sortudo.
— Você vai ficar bem. — Ele deu uma piscadela.
Camila corou e desviou os olhos. Depois se virou para a amiga:
— Então, Lil, vovó disse que Cole foi seu salvador, hoje.
— Calma lá! — Cold ergueu as mãos. — Não acabe com minha reputação de
mau.
Camila deu uma piscadela.
— Nem sonharia em fazer isso. Ele ainda é um babaca, Lili. Espero que
saiba disso.
Lili riu com Camila.
Cole não estava rindo.
Nem um pouco.
Será que ele era motivo de piada para todos?
— Então... — Camila puxou Lili até o sofá. — Fico feliz por poder contar isso
pessoalmente, para ter a chance de ver sua reação.
— Você está grávida! — gritou Lili.
Dylan cuspiu o drinque e engasgou.
— Hum, não. — Camila olhou de cara feia para Dylan. — E agora são dois
babacas.
— Não seria a primeira vez que ela nos acusa. — Cole ergueu o champanhe
para brindar com o irmão e deu um longo gole.
— Você se lembra de Jace Munroe? — perguntou Camila.
Os olhos de Lili se arregalaram.
— O Jace Munroe? O quarterback daquela escola que era rival da nossa e que parecia uma versão mais sexy do Justin Timberlake?
— Sim, esse mesmo. — Camila riu. — Eu o convidei para o casamento!
— Não entendi. — Lili tirou os sapatos e acomodou as pernas debaixo do corpo, no sofá.
Uma pena, porque Cole estivera observando suas pernas torneadas com atenção.
— Por que você convidaria alguém que mal conhece para o casamento?
— Dylan joga golfe com ele.
— E daí?
— Eles saem, são amigos, e ele está solteiro.
Cole bebeu o champanhe rápido demais e começou a engasgar, mas disfarçou com uma risada. Mesmo que não achasse a situação nem um pouco
divertida.
Lili se encolheu.
— Não quero que armem um encontro para mim desse jeito.
— Não pense nisso dessa forma. —Camila botou uma das mãos no braço de Lili. — Além disso, ele se lembra de você.
— Lembra? — O rosto de Lili se iluminou.
Ah, droga. Como ela podia ser tão cega em relação ao próprio charme? Ela
era uma garota linda. É claro que aquele mané ia se lembrar dela. O babaca já devia ter saído com umas cem mulheres e finalmente estava pronto para se comprometer com a mulher certa. Exatamente o que Lili era. Maldito.
— Nós comentamos com ele que você também iria, e, bem... Não sei, mas
meu conselho é: vai fundo!
— Com licença — interrompeu Cole. — “Vai fundo”?
— Hã, sim? — Camila beliscou o braço de Cole. — Lil precisa sair e começar a namorar. Do jeito que as coisas estão, ela vai acabar adotando cem gatos e morando em um trailer no meu jardim.
— Isso não é verdade. — Lili corou. — Sou seletiva, só isso.
— Acho que isso é culpa daquele acampamento. — Camila suspirou. — Juro que desde o nono ano você tem dispensado a maioria dos caras que prestam um pouco de atenção em você.
Lili corou e olhou para as mãos unidas.
— Nono ano? — repetiu Cole. — Ei, eu estava naquele acampamento com
vocês!
Lili ergueu a cabeça e sorriu.
— É mesmo. Tinha esquecido.
Cole com certeza não. Tinha ficado com um monte de garotas naquele verão.
Fora o melhor verão de todos. Ele até tivera uma quedinha por Lili antes de ela começar a agir como louca: um dia eram amigos; no outro, viraram inimigos mortais.
Até aquela noite fatídica em que dormira com ela.
Então foram mais que amigos por algumas horas. O que o fazia pensar: o que eram agora? Ele não queria que ela saísse com outros caras. Não, ele mataria qualquer um que pusesse as mãos nela. Não que ele quisesse ser o cara a pôr as mãos nela. Se bem que... Ele examinou o rosto de Lili, seus lábios e olhos. Droga, talvez ele quisesse tentar ser o cara sobre quem ela e Camila falariam, trocando risinhos. Isto é, se as garotas ainda fizessem esse tipo de coisa aos 25.
— Por favor? — pediu Camila. — Por mim? Só esteja com a mente aberta
quando o conhecer, será que é possível? E se alguma coisa acontecer... — Ela deu de ombros. — Aconteceu.
Cole saiu em resgate de Lili, ou pelo menos foi o que pensou estar fazendo
quando disse:
— Não a pressione, Cami. Estar sozinha não é horrível. Conheço várias garotas que estão bem felizes com suas vidas e carreiras. Nem todo o mundo quer casar e ter filhos.
— Certo. — Camila apontou para Cole. — E se você quiser acabar como ele, Lilj, fique à vontade.
— Mas... — Cole sacudiu a cabeça. — Só estou tentando dizer que a escolha é
dela.
— Assim como sua escolha é galinhar por aí. — Camila deu um tapa nas
costas de Cole. — Cada um faz o que quer, não é mesmo?
Por que ele se sentia subitamente envergonhado por seu passado? E por que estava se deixando intimidar por Camila?
Lili o olhou como se esperasse que ele dissesse alguma coisa ou a defendesse, mas Cole não sabia como agir. Mas notou uma coisa: que ela estava
corada. Será que também estava com vergonha?
— Finalmente! — Vovó entrou pela porta da frente com um monte de bolsas nas mãos. — Têm ideia de como é difícil encontrar bons fogos de artifício em Seattle?
— Hã, será que deveríamos ficar preocupados? — Lili apontou para uma sacola com uma etiqueta na qual se lia “Fogos de Artifício”.
— Não, a não ser que ela também tenha fósforos — respondeu Dylan, no momento em que vovó pegava um número de fósforos suficiente para incendiar toda a Alki Beach.
— Eu disse a vocês que este seria o melhor aniversário de todos! — Vovó
sorriu, deixou as bolsas no chão e andou até Lili.
Em um instante, a aniversariante estava nos braços da senhora.
— Você é uma garota especial, então merece um dia especial com a família.
Uma lágrima corria pelo rosto de Lili quando ela se afastou de vovó e
agradeceu. O aposento mergulhou em silêncio outra vez, até que vovó começou a dar ordens a respeito de um bolo, fogos de artifício e margaritas.
continua...
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THE CHALLENGE. (Concluída)
Romance"Como vai? Quer dizer, faz tanto tempo!" Na verdade, fazia onze meses, uma semana e cinco dias. Mas quem é que estava contando? Não ela. Cole Sprouse é rico demais, bonito demais e arrogante demais: qualidades que, anos antes, fizeram Lili Reinhart...
