Lili ia arrancar o próprio braço e comê-lo, de tanta fome. Será que a mãe de Cole estava tentando torturá-la, sacudindo aquelas batatas com um cheiro delicioso bem debaixo de seu nariz? Já tinha ouvido dizerem que a mulher falava pelos cotovelos, mas não sabia que seria daquele jeito.
A colher ia e vinha enquanto Melanie falava. Pairava sobre o prato, e então a
travessa; de novo o prato, mais uma vez a travessa. Ela parecia um gato brincando com a presa — devia ser exatamente assim.
Mel riu com Camila, pegou uma colherada de purê de batatas para servir Lili, mas foi distraída pela conversa. A colher passou outra vez por cima do prato de Lili e voltou para a travessa. Lili podia jurar que Camila mantinha Melanie falando de propósito.
Finalmente, três horas depois — está bem, estava mais para vinte minutos —, todos estavam servidos e comendo, felizes. Se é que “felizes” incluía vovó
contando histórias de Las Vegas enquanto Dylan encarava o frango como quem o estivesse achando muito sensual.
Lili quase se sentiu mal por ele. Mas Dylan se casaria em uma semana,
então era provável que não fosse morrer, nem nada do tipo.
Jace estava à direita de Lili e Cole, à esquerda. Ou seja: é claro que o clima
não estava estranho, nem um pouco! Cada vez que o braço de Jace roçava no dela, Lili se inclinava mais na direção de Cole, o que a fazia ter calafrios toda
vez que a pele dos dois entrava em contato.
Beber água sempre fora uma espécie de tique nervoso. O momento era constrangedor? Um gole d’água. Não sabia o que dizer? Um gole d’água.
Mas não havia água. Apenas vinho.
O que significava que, se ela tivesse alguma esperança de sobreviver à noite, precisaria esvaziar todas as garrafas da mesa.
Ela já tinha bebido duas taças, e estavam apenas no terceiro prato.
— Então. — Jace lhe serviu outra taça. Ah, maravilha! — Dylan disse que
você é uma repórter famosa.
— Não sei se eu diria famosa...
— É claro que é. — Do outro lado da mesa, Dylan deu uma piscadela. — Ela
é uma das favoritas de Seattle.
— Você seria a minha favorita. — Jace também piscou.
Cole teve um ataque de tosse. Ela lhe deu uma cotovelada nas costelas enquanto mantinha os olhos em Jace.
— Obrigada. Isso é muito gentil.
Ele deu de ombros de um jeito tão elegante que Lili teve vontade de vomitar.
— Bem, é verdade.
Lili desviou os olhos e comeu um pouco de purê. Ao menos a comida estava
maravilhosa, apesar de as pessoas ao seu redor a estarem enlouquecendo. Jace disse mais alguma coisa, mas ela já não estava prestando atenção suficiente — não com a perna de Cole encostada na dela.
Lili se virou para Jace, que riu e se inclinou para mais perto.
— Desculpe. É só que tem purê de batatas no seu rosto.
A boca de Jace estava a centímetros da de Lili, quando de repente Cole praticamente pulou da cadeira.
— Filho da puta!
— O quê? O que houve? — Matthew Sprouse, o pai de Cole, se levantou da
cadeira depressa e olhou ao redor.
— Hã... — Os olhos de Cole assumiram uma expressão confusa. — Um esquilo. Achei que tivesse visto um esquilo.
Camila tomou um gole de vinho e falou:
— Cole tem medo de esquilos.
— Lembre-me de enfiar um nas calças dele — zombou Lili.
VOCÊ ESTÁ LENDO
THE CHALLENGE. (Concluída)
Romance"Como vai? Quer dizer, faz tanto tempo!" Na verdade, fazia onze meses, uma semana e cinco dias. Mas quem é que estava contando? Não ela. Cole Sprouse é rico demais, bonito demais e arrogante demais: qualidades que, anos antes, fizeram Lili Reinhart...
