capitulo 13

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Beatriz

Aproveitei tanto, bebi muito e não gastei nada. Pra mim isso é a melhor coisa que tem. Daniela conheceu um homem que pagou tudo, ainda foi dormir com ele no motel. Ficou mandando um monte de foto do quarto, doidinha.

Mas nem como tudo são flores. Mesmo de ressaca eu levantei, tirei as fotos do provador de três lojas. Passei maquiagem no rosto todinho pra dar um ar mais de viva. Só não reclamo, porque tô ganhando dinheiro com isso.

Gosto de gastar em salão, estética, quando saio, roupinhas caras, então tenho que trabalhar. Todo mundo pensa que eu só vivo escorada no Luan, usufruindo o dinheiro dele. E ele até me dá as coisas, sempre me presenteia e eu sei que precisar, ele ajuda. Não reclamo porque ele tem dinheiro de sobra, dinheiro que por sinal vem fácil. Mas eu tenho minha dependência e meu dinheiro próprio, porque nada melhor que a gente querer comprar algo e não tem que pedir.

Fora que eu nem vivo com dinheiro dele e ele se sente no direito de mandar em mim. Se me sustentasse iria me prender na torre e não deixaria eu sair de casa.

Assim que acabo as lojas, vou embora pra minha casa que tava uma zona de ontem. Arrumo tudo, depois só tomo um banho e deito na cama pra descansar, sentindo ainda o cheirinho de desinfetante pela casa.

....

Acordo assustada com meu telefone tocando, vejo o nome do Gabriel na tela. Combinamos de ir pro baile, como sempre. Íamos pro baile lá do complexo da Maré. Eu mesmo quem dei a ideia ainda, fogo no rabo falou mais alto.

Gabriel: tô te ligando faz tempo — escuto a voz afobada e ofegante do outro lado da linha.

Bia: tava dormindo. O que foi?

Gabriel: já são nove horas. Levanta que eu tô indo pra aí com uma pizza pra gente comer juntos.

Bia: tá — falei e encerro a ligação.

Sabe aqueles cochilos que você fica até desnorteada? É assim que eu tô. Toda perdida. Pra despertar fui logo tomar meu banho, gelado ainda. Saio enrolada na toalha e os dois já estavam até aqui dentro de casa, ouvi a voz do escandaloso. Coloco um pijama qualquer e deixei a roupa de mais tarde separada, desci e me juntei no chão pra comer com eles.

Bia: e como foi a noite Dani? — pergunto e me sento no chão do lado deles.

Daniela: motel de luxo, Chandon, hidro e tudo mais querida. Bofe só tem o pauzinho meio pequeno, mas da pra se satisfazer.

Gabriel: tamanho não é tudo não, tem que saber fazer.

Bia: mas coisa pequena demais não serve pra nada. 

Daniela: tamanho pra mim é sim, gosto de ficar de quatro e senti que meu útero está sendo cutucado bem forte — dei risada fazendo cara feia.

Com a gente era assim. Intimidade de anos e abertos pra falar sobre qualquer assunto. Nós três crescemos grudados. Gabriel quando não era assumido chegava a ser engraçado, andava só comigo e com a Dani. Pai dele jurava que ele tava pegando as duas, coitado.

A gente termina de comer, depois subimos pra terminar de se arrumar, escovo os dentes e faço uma maquiagem.

Daniela: quero ver tu dar perdido hoje. — me olhou de cima a baixo — tá gata.

Bia: quem gosta de dar perdido é você Daniela, eu saio e aviso que tô indo dar uns beijos — ela levanta os ombros.

A gente se adianta e vamos saindo. Quando chegamos na entrada da favela, vi o Luan segurando o fuzil rodeado de bandidos. Quando o olhar dele bate em mim, ajeita a postura e vem caminhando com aquele ar de dono do mundo. Meu psicológico automaticamente vai se preparando pra ouvir encheção.

Ogro: tá indo pra onde?

Bia: baile da maré — continuei encarando meu celular.

Ogro: vê as coisas que tu vai fazer, não vou tá lá, mas tu sabe que sempre tem um de olho né?

Bia: última vez que tu botou alguém atrás de mim se viu no que deu né? Vk agora tá aí, todo apaixonado. —falei olhando aonde o uber estava.

Ogro: brinca mais que brincadeira. —forçou uma risada— tá avisada tu, se liga — ele sai sem nem dar oi pros meus amigos. Mal educado e chato.

A gente pegou o uber e fomos até a entrada da favela, depois fomos os três de moto táxi. Como sempre chegando e o baile já estava rolando, ficamos de pista por opção. Porque aqui o que mais tem é homem oferecendo pra mulher entrar em camarote, e realmente veio uns três aqui chamar falando que tava liberado se quisesse.

Suzi nem estava aqui, ela tinha me dito que o outro lá foi preso e aí acabou que ela agora mais fica dentro de casa.

Não tinha avistado quem eu estava na intenção, provável que ele estaria no camarote e eu ainda não quero ir pra lá. Começo a dançar com eles. Estava curtindo a minha onda máxima aqui, tomando meu bom whisky. Acho que não existe nada que me faça mais feliz do que uma boa aglomeração e cachaça.

Gabriel: vamo subir? Beber de graça, certeza que lá deve tá regado e aqui tá começando encher demais. Aquele menino falou que coloca a gente lá dentro de boa — aponta com a cabeça pra um conhecido dele e eu concordo com a cabeça enquanto dou um gole na bebida.

Gabriel vai na frente, Dani e eu em sequência. Gabriel tava é se achando nosso cafetão. Quando vinha algum homem tentar graça ele só faltava oferecer a gente em troca de dinheiro.

Assim que subimos, pegamos um combo de Whisky. Fiz meu copo e comecei a voltar a beber. Sinto alguém me observando, quando olho pro lado vejo ele me olhando com o semblante fechado, como de costume. Mas ele tava lindo todo arrumadinho.

Daniela: fez algo pra ele? Percebi te olhando a um tempo assim com essa cara feia. 

Bia: a cara dele sempre foi assim, só vive de cara fechada — disse o óbvio. Não precisava nem ele estar bravo.

Foi dose atrás de dose, eu já estava começado a ficar bem alegre. E os dois aqui não ficavam pra trás não, tava todo mundo já dançando sem nem dar trégua.

Bia: preciso usar o banheiro cara, esse whisky tá descendo muito rápido.

Gabriel: você que é mijona, quer que vou contigo?

Bia: fica com a Dani, se não capaz dela sumir com algum macho aqui. — ele riu e ela mostrou o dedo pra mim. Não disse mentira nenhuma também.

Deixo meu copo ali, como não ia ter ninguém pra segurar pra mim fora do banheiro. Vou andando até o banheiro químico, a fila tava pequena, por milagre. Entro no banheiro e sinto o alívio instantâneo. Escuto uma batida forte na porta, quase fazendo a cabine balançar.

Bia: tem gente — grito abrindo a minha bolsa. Mas batem de novo — Tá vendo a porta trancada não?—falei pegando o meu lenço na bolsa e a pessoa continuou esmurrando a porta— oh caralho, tem gente.

Me limpo irritada, quando abro a porta dou de cara com o Escobar me olhando com o maxilar trincado.

Intocável - em processo de revisão! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora