capítulo 11

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Beatriz

Viro a esquina da comunidade, vejo o movimentos dos soldados ali em baixo. Vem três na direção do carro apontando o fuzil na minha direção. Engulo a saliva e semicerro meus olhos sem entender. Abaixo os vidros devagar pra verem que era eu.

Mal pisei na favela e já veio uns 3 moleques na direção do carro com o fuzil apontado, abaixei o vidro pra eles verem que era eu.

Vk: desce do carro Bia — ele grita apontando o fuzil pra mim — ordens de cima.

Bia: não vou descer. De cima, mas de quem?

Vk: teu irmão deu a ordem pra assim que você chegasse a gente pegar o carro, facilita aí.

Luan quando quer consegue ser um escroto, e isso era na maior parte do tempo.

Vk: te levo pra casa, só desce e deixa eles levarem o carro. A gente tem ordem pra atirar — continuou sério, o que era até estranho de se ver.

Bia: ah tem? —dei risada sem acreditar naquilo tudo — deveria mesmo deixar você atirar pra ver a desculpa desse viado — resmungo pegando minhas coisas e desço do carro.

Peço pro Vk me deixar em casa, chego entrando colocando as coisas no lugar. Hoje não vou atrás de briga, mas Luan que me aguarda. Ridículo essa cena dele, não tinha neve.

...

Gabriel: eu não creio que você saiu e nem me chamou.

Bia: tava lá pelos acessos e a Suzi que me chamou, nunca mais saiu com ela sério! Me abandonou lá cara, a sorte é que arrumei um cara.

Gabriel: isso é de lição pra tu não sair mais sem mim... quem é esse cara aí?

Bia: sabe aquele tal de Escobar?

Gabriel: sortuda! Aquele macho é um pecado de tão gostoso.

Bia: ele é bom só na cama, porque fora é um ignorante.

Gabriel: você já nem gosta de provocar ele também né? Tu diz como se fosse uma santa aí.

Bia: eu sou —olho o carro do Luan parar aqui de frente a pensão— pera aí que vou resolver um negócio. Levanto e corro até o outro lado da rua antes dele sair — você deve ter problema. Me fez sair do carro na madrugada e ir pra casa sozinha — minto pra fazer ele sentir remorço.

Ogro: emprestei meu carro pra tu ir fazer seu trampo, você disse que era coisa de uma hora. Mas aí vejo você em festa, meu carro longe de casa. Ai tu tá de brincadeira com a minha cara. Quando quiser ir pra tua putaria, não pega meus bagulhos.

Bia: esperasse eu chegar em casa e pegasse o carro no outro dia. Mas não, ia te matar ficar sem o carro algumas horas. Vontade de mandar você enfiar o carro dentro do seu cu — ele ia se aproximar de mim, doido pra me bater. Mas eu já acostumei com isso, não abaixo a cabeça.

Ogro: tu só não vai levar um se liga, porque tá na rua, mas deixa que na melhor hora me resolvo contigo Beatriz. — me da as costas entrando na viela.

Queria xingar mais ainda ele, mas fico quieta. Minha cara vai até no chão quando eu vejo o Escobar parado dentro da viela olhando pra cá. Ele balança a cabeça negando e vira pra direita junto com o Ogro.

Voltei pra pensão bolada, estava no erro? Até estava, mas custava ele ter pedido pelo menos pra alguém esperar eu ir até em casa com o carro ou alguém me levar. Porque se não fosse o Vk ali, eu ia andando com certeza.

Gabriel ficou de cara com a cena que fiz, mas não surpreso né, me conhece muito bem. Não ia deixar barato o que ele fez não, achei feio demais. Ele tem não sei quantos carros e moto a disposição dele.

Pego meu celular bem afim de mandar mensagem pro cara lá, mas que nada, eu nem tinha o número dele, e ele não me mandou uma mensagem. Se não me chamou, é sinal que não quer falar comigo.

Gabriel: baile hoje é aonde? — me olha enquanto pega uma batata frita pra comer.

Bia: na minha cama, sai tentação — abono as mãos no ar e ele dá risada.

Gabriel: tu só sai quando é com sua outra amiga né Beatriz? Quando tu quiser fazer esse muco enorme aí, vai se foder sozinha pra fazer também.

Bia: caralho que viado chato, aonde fui amarrar meu jegue. —reclamei— sei nem quais bailes tem hoje.

Gabriel: aqui nem tem, só amanhã.

Bia: vamos num evento fechado, uma coisa diferente.

Gabriel: lá vem tu e essas ideias de patricinha.

Bia: uma vez na vida e outra na morte cara, bora na vitrinni. —ele gargalhou.

Gabriel: uma água lá é 20 conto Beatriz.

Bia: eu conheço o dono, boto a gente no camarote e a gente bebe sem gastar mais que 100,00. Confia em mim não? Da outra vez que fomos voltamos com bolso cheio e encharcados de cachaça.

Gabriel: pior que eu sei que tu consegue fazer isso, você é suja!! Vou chamar a Daniela e a gente vai pra lá.

Amo baile de favela de paixão, mas as vezes tu só quer um programinha diferente sabe? E hoje era um desses dias. Geral marcando de se arrumar e se encontrar na Daniela, porque lá os uber até sobem, já que é no comecinho da favela, quase que na entrada.

Tomo meu banho, e depois foi todo aquele furdunço pra mim me arrumar, no fim a minha casa ficou de pernas pro ar, mas eu tava toda gata e é isso que importa.

Daniela: olha ela, toda gostosa.

Bia: tá uma delícia também. — olho ela vestindo um vestido de couro, valorizando todo o corpo — aquela bicha me apressando e nem chegou aqui.

Daniela: mandou foto na rua, daqui a pouco chega. Vou pedindo o uber pra não atrasar.

Já era quase uma hora mesmo, quando Gabriel chegou a gente desceu e ficou esperando uber na frente da casa. Geral que passava olhava, até porque estávamos super arrumadas, bem babadeiras mesmo. Não estávamos nem combinando com nossas origens.

Pegamos o uber e partimos pra Vitrinni, já estava bem cheinho lá. A Dani pagou a corrida e a gente desceu. Desenrolei com meu amigo e ele já deixou no camarote, ainda pra impressionar soltou logo dois combos de gold, sempre assim!

Tenho meu dinheiro aqui, mas se um homem quiser pagar de fodão, eu deixo. Tá com a mão aberta aí porque quer. Se eu puder ta economizando o meu, vou guardar mesmo.

Intocável - em processo de revisão! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora