capítulo 16

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ESCOBAR 📿

Entro na pensão sentindo o cheiro de comida pairando no ar, encaro a minha mãe que estava vestindo um avental enrolado na cintura. Ela me olha sorrindo mostrando as covinhas e levanta a mão pedindo pra mim esperar.

Puxo a cadeira e me sento próximo da área externa. Olho pra Beatriz na minha frente quieta, era até estranho ver ela assim. Parecia estar tímida, o que não faz parte da personalidade dela.

Escobar: que foi? — coloco meus cotovelos em cima da mesa e olho pra ela.

Bia: todo mundo olhando e cochichando — olha ao redor e balançou a cabeça negando — não gosto, pelo menos não da forma que está sendo.

Escobar: deixa eles olhar, tu é nova aqui, ninguém te conhece. E tu também tá comigo — ela da risada fraca — mas é sério, gente nova vira centro das atenções. Povo gosta de fofoca, só não render.

Bia: convencido demais, teu ego é enorme. — ela entorta o nariz pra mim e desvia o olhar. Olho na mesma direção que ela e vejo a minha mãe vindo pra cá sorrindo.

Silvana: Vinicius... tá bem filho? —fala comigo, mas logo olha pra Bia — e quem é a garota bonita? Sua namorada?

Escobar: e aí, tô bem e você? — me levanto pra beijar o rosto dela.

Bia: eu namorada desse aí ? — riu fraco — com todo respeito ao seu filho, porque ele é uma boa pessoa, mas não — sorri, toda a vontade com a minha mãe já — prazer, Beatriz. — levanta e cumprimentou ela.

Silvana: ele é insuportável, mas depois acostuma. Se que sou mãe luto pra aguentar, coitada de você.

Escobar: falando de mim na cara dura aí. —falei de cara fechada e balancei a mão — tu quer comer o que Beatriz?

Silvana: não é por nada não, mas hoje fiz um Baião de dois divino. Você tem que provar.

Bia: então vou querer baião de dois.

Minha mãe anotou os bagulhos que pedimos e depois saiu da mesa. Durante o almoço até que a gente manteve a paz, trocamos só um papo furado. Quando acabamos de comer eu paguei e a gente levantou pra ir embora. Minha mãe veio rapidinho de lá da cozinha.

Silvana: já vão? — cruza os braços.

Escobar: já pô, mais tarde broto aí pra te ver.

Bia: a comida estava uma delícia. — sorri pra minha mãe — o melhor baião que comi e não é sendo puxa saco porque eu nem sou.

Silvana: Bia né? —ela assente com a cabeça— você já está convidada pra vim aqui mais vezes provar os outros pratos. Vai adorar.

Bia: olha que venho mesmo hein.

Silvana: pode vim, fico esperando.

Escobar: bora? —  corto elas, se deixasse as duas ficariam conversando por horas. Conheço as duas e posso afirmar, duas faladeiras.

Silvana: muito mal educado, não te criei assim... mas vão lá, beijos. — dei um beijo nela e a Bia se despediu em um cumprimento.

Vou embora pra minha casa só pra pegar a roupa de ontem dela. Ainda queria que ficasse mais, queria tirar um cochilo, mas ela não quis. Então eu fui levar ela.

Bia: me deixa na entrada da favela, precisa subir não  — fala assim que eu me aproximo do complexo do Alemão.

Escobar: te deixo na tua casa sem câo.

Bia: não precisa não, na minha rua tem muito fofoqueiro. — olho de canto ela guardando o celular na bolsa.

Escobar: e qual problema? Deixa eles falarem, não
vou descer do carro e ninguém vai me ver.

Bia: pra isso chegar na boca do meu irmão, é rapidinho. E quanta menos gente souber, melhor.

Escobar: então vou ser teu segredo? — dou risada sem acreditar naquilo. Coisa de adolescente.

Bia: não era o que você queria? Deixar no oculto — arqueia uma das sobrancelhas— tô fazendo o fácil pros dois.

Escobar: brota no pagode hoje mais tarde — mudei de assunto. Ela quer esconder do irmão e eu não vou insistir pra deixar isso quieta.

Bia: vou ver e te falo — faço tso com a língua no céu da boca— não é fácil assim não, tenho que ver se tô livre, se meus fiéis vão querer ir comigo também. Eu e minha gangue aonde eu for — dou risada — é sério, não saio sem eles.

Escobar: deixa de marra, se eles não for tu vai da mesma forma que eu vou tá lá. Se não posso nem te deixar na porta de casa, não posso querer curtir mais um
pouquinho com você mais tarde?

Bia: eu vou pensar no seu caso.

Não insisto mais, ela tá fazendo doce e eu não tenho paciência. Só faço o que ela pede, deixo na entrada do morro e depois volto pra maré. Precisava resolver meus assuntos e assim que eu chego, o problema vem junto até mim.

Chaves: tua mina tá aí dentro, tá maluca atrás de tu — passa a mão na testa molhada de suor.

Escobar: Marina? —ele assente— quem deixou ela entrar? — respiro fundo sabendo do problema que ela me causa sempre que tá aqui.

Chaves: sei não, peguei o plantão agora. Só me disseram que ela tava aí dentro e eu não tirei, nem toquei.

Fico puto com isso, nego já tá mais que ligado que não é pra deixar qualquer pessoa ficar entrando aqui. Entro na casinha, quando eu subo vejo ela sentada no sofá. Assim que percebe minha presença, levanta vindo na minha direção.

Marina: você é muito sujo Vinicius, não queria que eu fosse no baile pra sair com piranha? Você achou o que? Que não ia chegar em mim isso? Eu vi tá, eu sei bem que você até na pensão da sua mãe levou. — ela grita e eu continuo quieto, calmo.

Escobar: abaixa o tom.

Marina: vou gritar mesmo, tu tem sorte que eu só tô gritando. —bateu palmas começando o escândalo que sempre faz. Chego próximo dela, sem encostar, mas minha cara é o bastante pra ela abaixar a voz.

Escobar: eu falei pra tu parar de gritar não foi? Tá aí igual uma louca fazendo ceninha à toa.

Marina: à toa? À toa nada, eu tenho foto, vai dizer que é à toa e eu sou louca?

Escobar: tô dizendo que à toa porque eu não tenho nada contigo não, posso pegar quem eu quiser e levar pra onde eu quiser. Faz um favor pra si mesma? Começa a se valorizar pô, segue tua vida sem mim, larga do meu pé porra. Toda vez que fazer show como se fosse minha mulher, tu é minha ex porra! Já foi caralho, passado. Agora mete o pé daqui, anda. — falo de uma vez vendo os olhos dela encherem de lágrima.

Marina: você vai se arrepender disso, você vai ver. Quando tu precisou, eu estava do seu lado, fechei contigo no claro e no escuro, Vinicius. Agora quero ver se essas piranhas que tu arruma vai cair no miolo contigo, se vai segurar cadeia.

Escobar: sou grato a tudo que tu já fez, é por isso que até hoje dou uma moral pra tu. Só que também não preciso de você não, assim como tu não precisa de mim pra viver. Melhor cada um no seu lugar e é isso pô, segue tua vida. —abro a porta pra ela sair, mas antes de ir embora, para na minha frente — contigo não dá nem amizade.

Marina: avisa pra marmita da vez, que quando ela me ver, manda ela correr. Porque se eu pegar é sem historinha. — não respondo e ela sai da sala brigando sozinha na cabeça dela.

Tô falando, malucona pô. Só não larguei o balde ainda com ela porque a mina é responsa e eu tenho uma gratidão imensa por ela, quando cai nas grades quem ia me visitar ela era e minha mãe, mesmo eu e ela nem estando mais juntos, ela ia lá.

Mas sempre joguei limpo com a Marina, nunca levei ela enganada e ela sabe bem disso. Sempre que sai em fake ou qualquer boato que eu tô com alguém ela da dessas, surta, joga as paradas na cara e eu fico bolado. Mas também é culpa minha se ela da dessas, dou muita moral. Só deixa ela continuar assim também, quando eu pegar pra dar uns travas ela vai ver.

Intocável - em processo de revisão! Histórias para pegar e não largar. Descubra agora