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A luz do sol passa pelas cortinas fazendo com que eu abrisse meus olhos lentamente

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A luz do sol passa pelas cortinas fazendo com que eu abrisse meus olhos lentamente. Segundos depois coloco meus pés no chão frio e vou fazer um café.

O único momento que é igual a antes do enterro é o ato de preparar meu café. Preparo tudo, sento-me na mesma cadeira de anos e observo o dia pela janela como se eu fosse vácuo.É como se eu estivesse deixado de existir, apenas esperando meu tempo na Terra passar. Pessoas sentem algo quando estão passando por um momento difícil e eu não sinto nada, sou um vazio completo.

Coloco a xícara na mesa e olho meu celular na prateleira da cozinha, desligado desde que cheguei em casa depois de tudo que passei durante aquele dia horrível onde tudo mudou. Várias pessoas tinham algo para falar, a maioria consolos verdadeiros, sou grata por elas, mas a energia do meu corpo tinha acabado e meus dedos não conseguiam se mover para responder algo. Foi mais fácil fingir que ninguém se importava.Passo horas (ou segundos) olhando fixamente meu celular, meu café provavelmente esfriou durante esse processo. Decido que posso encarar isso. Talvez eu nem responda, só dê uma olhada nas mensagens.Ligo o aparelho e vejo as inúmeras mensagens, paro na conversa de Harry e presto atenção na última que mandou.

"Fale qualquer coisa, só preciso saber que está viva."

Respondo com uma exclamação.Depois vou para a conversa com as meninas, a última é parecida com a de Harry me pedindo qualquer sinal de vida. Respondo o mesmo do anterior.

Termino meu café e vou para varanda respirar um pouco de ar fresco, mas não consigo fazer mais do que isso. Antigamente eu sentaria e leria um livro, ou então estaria observando o sol nascer com as meninas, porém meu corpo quase não foi capaz de caminhar até aqui, dificilmente conseguiria fazer muito.

Depois de respirar um pouco de ar puro, não sinto mais vontade de fazer algo. Sendo assim, vou para cama adiantar meu sono, pois pelo tanto que estou dormindo com certeza não tenho mais nenhum sono atrasado.

Durmo algumas horas, até que ouço a campainha tocar. Resmungo algo que nem eu fui capaz de entender e vou atender a porta.

Quando abro me assusto com a imagem de minha mãe. Ela nunca veio aqui e não mantemos relação alguma para ela resolver me visitar.

- Posso entrar?- Pergunta.

Dou espaço para que ela entre e depois vou direto para meu quarto, enquanto ela me segue sem dizer nada.Sento-me na cama, enquanto pega a cadeira que fica de conjunto com a mesinha do quarto. Minha cama está uma bagunça, então minha mãe provavelmente já deve ter adivinhado que não sai muito daqui. Ficamos olhando uma para outra, esperando alguém começar a conversa. Foi ela quem me procurou, então ela que comece a conversa.

-É...-ela pausa para respirar e olhar nos meus olhos antes de continuar- Eu sei que o motivo dessa sua tristeza é minha culpa, porque eu e o seu pai te negligenciamos e sua vó cuidou de você. Agora que ela se foi, você sente que não tem mais motivo para viver, mas meu bem, não é isso que ela ia querer. Então, por favor não deixe de viver. - Sua voz parece uma súplica, como se fosse seu último pedido antes de adormecer no sono profundo da morte.

sonhos, livros e café [FINALIZADA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora