Sonhos, uma palavra que resume o mais belo da vida e que infelizmente raramente sai das noites em que você imagina o ramo que sua vida poderia ter tomado. Mas não é assim para essas três melhores amigas, recém formadas e sonhadoras elas querem domin...
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A água quente relaxa meus músculos, com isso sinto tudo que está em minha mente desaparecer. Esses últimos três meses conseguiram ser incríveis e agitados, e agora vou finalmente voltar para Gênova e encontrar Cecilia, Ana e meus pais que vão ficar alguns dias para me visitar na semana que vem.
Saio da banheira, pego o roupão e me sento na cama. Minhas malas já estão todas prontas para amanhã, agora só falta a ligação do dia para eu descansar da viagem.
-Oi meninas- aceno para Cecília e Ferrero pela chamada de vídeo.
-Olá- Cecília acena de volta e vejo seu atual café quase pronto para inauguração. - Está animada para voltar?- Cecília pergunta.
-Estou, gostei do curso e do tempo que passei aqui, mas já estou com saudades da Itália.
-E claro, agora além de Cecilia, Ana e eu, você tem o Pietro te esperando e um livro para a ser publicado- Amanda fala sorridente enquanto organiza alguma partituras, afinal são 22:00h aqui e 16:00h em Nova York.
- Nem acredito que tudo que estou vivendo seja real. Quer dizer, vou publicar um livro e Pietro e eu estamos juntos.
-Você sempre foi talentosa, e só demorou para vocês dois ficarem juntos porque o Pietro é um lerdo- Martini comenta.
Sorrio e deixo escapar uma risada.
-Obrigada por acreditarem em mim quando nem mesmo eu acreditava, meninas, de verdade. Não sei o que faria sem vocês.
-Sempre estaremos aqui umas para as outras. Se vocês não acreditassem em mim, não sei como teria coragem de estar aqui, em Nova York.
-Bom, sem vocês não sei como teria aguentado atravessar esse momento de luto e estar aqui pronta para abrir meu próprio café.
Sinto algumas lágrimas molharem meu rosto com essa conversa emotiva.
-Ok, isso significa que cuidamos bem umas das outras- respondo, depois de secar as lágrimas que caíram.
-Sim.
-Com certeza.
☆☆☆ Resolvi fazer uma viagem de trem, apesar de ser mais longa, gosto de observar a vista. Quando enfim coloco os pés em Gênova e avisto meus amigos, sinto uma adrenalina enorme, sabia que estava com saudades de todos, mas aparentemente era maior do que eu pensava.Ana e Cecília vem correndo me abraçar, deixando minha bolsa cair no chão. Logo depois Luan, Brandon e Harry me abraçam e então noto Pietro me olhando com uma expressão que não sei ao certo explicar o que significa.
Devo eu mesma ir abraça-lo? Ou vamos continuar olhando um ao outro?
Antes que eu decida, Pietro vem e me abraça e sinto que poderia morar nesse abraço.
-Sei que as meninas aqui têm fofoca para colocar em dia, mas posso ficar com a minha garota por algum tempinho? - Pietro diz, com o braço envolvendo meus ombros.
-Claro que pode, garotão- Ana dá um tapinha em suas costas.
Depois que nos despedimos de todas e minha ansiedade mostra que não vai colaborar, pergunto:-Onde vai me levar?
-É uma surpresa- ele responde enquanto coloca minhas coisas no porta mala e entramos no carro.
Ligo o rádio e deixamos a música preencher o ambiente.Gosto dessa sensação, para maioria das pessoas o silêncio pode ser um problema, todavia para mim significa que estamos conectados com a pessoa a ponto de não sentirmos a necessidade de sempre puxar algum assunto. ☆☆☆
Pietro para o carro em uma loja de discos de vinil antiga, o exterior do lugar é o todo de tijolos com uma placa preta e também aquela energia boa que só antiguidades tem. -Uma loja de discos de vinil?- pergunto, ainda surpresa.
-Exatamente- Responde Pietro e pega minha mão para entrarmos. -Quando era mais novo, passava por esse lugar sempre que ia para escola, até que um belo dia resolvi entrar e nunca mais deixei.
-Foi aqui que descobriu que queria trabalhar no ramo da música?- pergunto.
-Sim. Eu não era tão apaixonado pelo música na época, não entendia nada e não tocava instrumento nenhum. Até que que comecei a todo dia alugar um disco diferente e colocava para tocar na casa dos meus avós depois da escola. Depois, coloquei na cabeça que queria fazer a mesma coisa que ouvia.
-Foi aí que descobriu que era bom?
-Na verdade não, quando pedi para meus pais me colocarem na aula de violão e canto, eu era péssimo. Não sei como minha professora não desistiu de mim.
-Não acredito, achei que você simplesmente tivesse dom pra coisa. -Eu queria ser bom, então me esforcei muito mais do que aqueles que simplesmente tinham o dom, e agora estou onde estou por causa disso: esforço.
-Devia contar essa história para mais pessoas, é motivadora.
-Não sei, eu só senti que queria que você soubesse. - Ele sorri para mim.
-Então poucas pessoas sabem disso? Sei que tem muitos amigos. - Questiono sorrindo, a sensação de só sentir que queria que tal pessoa soubesse de algo é boa. Mostra que temos importância na vida de alguém.
-Poucas pessoas sabem disso, e não é porque tenho vergonha por não ter sido bom desde o começo, e sim porque existe certas coisas que nos fazem conhecer nosso íntimo e são essas que não contamos pra todo mundo.
- Nossa... tem razão, até porque não quero que todos conheçam meu íntimo.
-Aliás, não trouxesse você aqui apenas porque quero que conheça essa parte minha.
-Por que, então?
-Você vai publicar um livro.
-É, e estou enlouquecendo por isso.
O garoto ao meu lado vira de frente para mim e pega minhas mãos olhando fixamente para meus olhos. -Quero mostrar que você tem os dois, o dom e o esforço. É por isso que sei que você vai arrasar e eu vou estar no seu lado observando tudo.
Pietro conseguiu me deixar mais uma vez sem palavras, logo eu que sempre achei que fosse boa com elas.Porém dizem que um gesto vale mais que mil palavras, por isso fecho a distância entre nós com um beijo calmo como se estivéssemos nos conhecendo pela primeira vez.