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Assim que piso na areia e meus pés afundam levemente, me sinto em casa

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Assim que piso na areia e meus pés afundam levemente, me sinto em casa. Fecho meus olhos e suspiro, sentindo o abraço do mar enquanto caminho com a prancha sob o braço. Finalmente, depois de horas sem me sentir totalmente bem, estou aqui agora. Essa sensação de ser abraçada pelo mundo é a melhor motivação para começar bem meu dia.

Afasto meus pensamentos e apenas aproveito a maré calma, me conduzindo ao velho sentimento reconfortante de estar em harmonia com o infinito.

☆☆☆

O caminho até o pier não é longo, e a caminhada me faz bem. Aproveito esse tempo para observar as coisas ao meu redor, o que normalmente passa despercebido pela maioria das pessoas. Há beleza em tudo. No canto dos pássaros, no som das ondas chegando na areia, nas risadas das pessoas... cada som é uma música que brinca em meus ouvidos.

- três, dois, um... - me viro e vejo Pietro ao meu lado, caminhando no meu ritmo lento. - agora.

Ele aponta para mim, sorrindo.

- o que foi? - pergunto, rindo.

- aí está! - ele ri - o sorriso. Amanda Ferrero não é a mesma sem um sorriso estampado no rosto.

Sorrio mais. Ele tem uma vibe boa, na realidade. Nunca conversamos antes, mas pelo que Clara conta, ele parece ser o estilo de pessoa que vale a pena se conhecer.

- vai para o Caffe Fratelli?

- ah, não. Vou ao pier, encontrar o Luan.

Ele sorri.

- Ah, sim... estão se dando bem?

- bom... acho que ainda é cedo para dizer. Ele é um tanto irritante, mas... tem algo a mais. Algo que praticamente anula todo o sarcasmo e aquele sorriso besta.

Pietro ri com vontade.

- Ele é assim mesmo. Mas, não é por mal, sabe? É mais um mecanismo de defesa. A família dele é um tanto complicada, e ele se adaptou assim. - ele pausa, arrumando os óculos, suspirando -ele é um tanto intenso, eu diria. Mas vejo que você também é.

Não sei o que responder. Intensidade? Não tenho certeza se foi um elogio. Felizmente Pietro continua:

- tenho certeza que vocês têm muitas coisas em comum. Só dê uma chance pra ele.

Paramos ao chegar no pier, e me sinto grata por ter tido essa conversa com Pietro. Ele realmente parece um cara legal.

- de qualquer modo, foi um prazer, Ferrero. - ele me abraça, e acrescenta antes de se virar: - é só focar no que vale a pena. E acredito que tudo merece uma chance de provar que vale alguma coisa.

☆☆☆

Antes mesmo de ver seu rosto, sei que é ele. Um garoto de camiseta preta, calça jeans escuras com correntes nos bolsos e o cabelo preto dançando conforme o vento está apoiado no parapeito, observando o mar. Me aproximo devagar, me apoiando ao seu lado.

sonhos, livros e café [FINALIZADA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora