Sonhos, uma palavra que resume o mais belo da vida e que infelizmente raramente sai das noites em que você imagina o ramo que sua vida poderia ter tomado. Mas não é assim para essas três melhores amigas, recém formadas e sonhadoras elas querem domin...
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O astral de casa está diferente, Amanda e Clara parecem estar presas em suas mentes em muitos momentos. E eu compreendo o porque estarem tão fora da Terra, mas também não consigo entender esses sentimentos, afinal são complicados demais e praticamente fora da minha zona de entendimento.
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Estou preparando as panquecas para o café da manhã, quando ouço um grito vindo do quarto de Clara.
-Meu Deus, o que aconteceu?- Amanda fala saindo do quartinho a onde guarda sua prancha.
-Vamos lá ver.
Abro a porta do quarto de Clara e encontramos ela deitada no chão chorando com um livro na mão.
-O que aconteceu?- Pergunto
-Esse não pode ser o final, eu me recuso a acreditar.
-Final do quê?- Ferrero pergunta.
-"A cinco passos de você" como assim eles não ficaram juntos?- ela fala se levantando e pegando um lenço para soar o nariz.
-Ah, você terminou- digo.
-Te entendo, também não acreditei, mas pelo menos eles terminam indo realizar seus sonhos- Amanda fala se sentando ao lado de Clara.
-Foi o final mais bonitos que eles poderiam ter- digo me sentando também.
-Mas eles nem conseguiram se beijar ao som de Ed Sheeran- Clara fala deitando na cama e abraçando seu travesseiro.
-Mas eles tem um porquê que dá pra entender, eu li "querido John" não era uma doença que os separava- querido John foi um livro que com certeza entrou na minha lista de leituras que me fizeram chorar.
-Mesmo assim, vou demorar para superar.
Rimos, e a ela continua chorando abraçada com seu travesseiro.
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Meu dia na cafeteria segue toda sua monotonia de sempre, pessoas com pressa, outras procurando no café um ponto de paz e eu apenas observando os clientes saindo e voltando. Gosto de fazer isso, observar as pessoas, imaginar o porquê de sua pressa com a vida.
O sino avisando um cliente novo toca, viro para ver quem é e encontro Ferrero e De Lucca entrando.
-Meninas, eu tenho uma super novidade para vocês- Clara fala sentando no banquinho do balcão e Ferreiro fazendo o mesmo- Hoje na editora eles entregam esse panfletos do sarau literário que vão patrocinar eu pensei que podíamos ir, o que acham?
-Não é uma ideia ruim- digo.
-Acho uma ótima ideia, estamos precisando sair pra fazer algo juntas.
-Isso, vai ser na semana que vem, vai ter exposição de clássicos e livros contemporâneos, além de várias poesias.
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Estou maratonando urso sem curso quando vejo que chegou uma mensagem, entro na conversa e vejo que é da minha mãe, ela está apenas dizendo que se eu quiser ficar na casa dela para o casamento da minha prima sou muito bem vinda, mas mesmo assim não consigo nem ao menos respirar, todos meus assuntos familiares parecem ter o dom de me afogar. Jogo o celular no sofá e começo a tremer, a casa parece estar diminuindo e me fechando aqui dentro, preciso de ar, por isso não penso duas vezes em deixar um bilhete na geladeira dizendo que vou caminhar.
Nossa casa não é longe da praia, então decido ir até lá, ouvir o barulho do mar e observar o céu estrelado.
Ferrero sempre diz que caminhar faz bem e que libera endorfina, confesso que não a ouço sempre quando ela diz isso, mas hoje tenho que concordar plenamente, principalmente quando o som dos meus pensamentos parece ser alto demais.
Chego na praia e vejo que tem mais uma pessoa sentada na areia olhando para o céu, não sei o motivo, mas caminho para mais perto para ver seu rosto. Vejo que é Harry, com a mente completamente fora da terra, seu cabelo está se movimentando com o vento e ele está com uma calça preta e camiseta de manga comprida. Sei que meus pensamentos parecem completamente altos, mas os deles parecem um show de rock em sua mente.
-Não conseguiu dormir também?- pergunto me sentando perto dele.
Ele pareceu se assustar quando me viu, porém logo abre um sorriso.
-É, parece que sim, quando não consigo dormir venho aqui para observar o céu estrelado.
-Sabe, tem uma lenda brasileira indígena que diz que as estrelas são os olhos de pessoas apaixonadas contemplando o céu. Conta a lenda que um guerreiro deitado no chão e olhando o céu percebeu que uma estrela piscava sem parar, e ele ficou horas a admirando até pegar no sono. Enquanto dormia a estrela se transformou numa linda mulher e então os dois se apaixonaram, entretanto a estrela precisava voltar ao céu. Seu amor pela estrela era tão grande que ele não conseguiu ficar longe de sua amada, por isso o guerreiro resolveu ir para junto dela. E é por isso que quando uma estrela pisca no céu é a estrela dizendo que continua amando seu guerreiro.
-Nossa, não sabia que gostava desse tipo de coisa.
-Existe muitas coisas que eu gosto e você não sabe ainda.
-E eu quero descobrir cada uma delas- ele diz sorrindo.
Não consigo disfarçar como aquilo me deixou sem graça.
-Gostei dessa lenda, me deu mais um motivo para gostar tanto das estrelas.
-Olhar no céu me acalma, não importa o quanto meu dia esteja ruim olhar para ele é encontar luz em pontinhos na camada azul escura do céu.
-Quando o mundo está caindo nas minhas costas, eu sei que no final do dia tem um monte de estrelas para me acalmar.
Sorriu para ele e ele logo depois sorri também. É a primeira vez que vejo que apenas um sorriso pode mostrar total compreensão.
-Não precisa responder, mas por que não conseguiu dormir?
Não sei direito o que dizer, é como se por um lado todos os segredos podem ser ditos debaixo desse céu e ao mesmo tempo o depois desse momento me assusta.
-Bom, são problemas familiares que acabaram dominando minha mente, e você?
-Problemas familiares também, achei que já estivesse esquecido, mas parece que não.
-A gente sempre acha que esqueceu, mas no final aquilo ainda te machuca.
Nós nos olhamos debaixo desse céu estrelado, e é a primeira vez que eu entendi como certos olhares podem dizer muito.