fingindo costume

937 76 4
                                        


POV: Juliette

Ainda tava paralisada, bicho! De frente praquela porta aberta. Senti as pernas falharem, e precisei me segurar pra não cair ali mesmo. Como é que ela tá aqui? Não queria acreditar que era ela de verdade. E justo agora? Eu dançando... Meu Deus, sensualizando?? Juliette, eita muléstia! E o pior: pensando nela! Que vergonha da gota. Mas o que é que ela tá fazendo aqui? Eu simplesmente não conseguia reagir.

POV: Sarah

Assim que abri a porta, minhas pernas quase cederam. Fiquei travada. O coração disparou, o ar parecia que ia sumir do peito. Era ela... A morena da loja de sapatos. Bem ali, dançando. De um jeito tão... tão sensual que me deixou sem fala. Estava linda, concentrada, com o corpo perfeitamente definido — e aquele bumbum… Meu Deus.

Que isso, Sarah? Você é hétero... Mas não conseguia parar de olhar. Cada movimento que ela fazia acendia algo em mim. Eu sentia um calor estranho, meu corpo reagindo antes da minha mente entender o que tava acontecendo. A razão gritava que aquilo era loucura, mas eu tava hipnotizada. Quando as mãos dela deslizavam pelo próprio corpo, meus olhos seguiam, grudados, não conseguia desviar os olhos nem por um segundo. E quando a música finalmente parou... Ela me viu. Percebi o susto que tomou, e eu não conseguia, na verdade eu sabia como agir ou o que falar!

Ai, que susto, criatura! — disse com a mão no peito e um sorriso sem graça.

Ah... O-oi! Desculpa, eu não queria te assustar. Bati na porta, ninguém atendeu... Aí abri. E você tava tão concentrada...

Ei, calma! Tá tudo bem, visse? Sem problema.disse rindo, vendo o desespero estampado na cara dela.

Tu veio pra aula?

Sim, sim! Desculpa de novo. Eu marquei uma hora hoje... A recepcionista falou que já tavam me esperando.

Ótimo. Mas pra começar, tu já pode parar de se desculpar, viu? Quem tem que pedir desculpa sou eu, que nem percebi que tu já tava aqui. Acabei te fazendo esperar — e não o contrário. — falei ainda com um sorriso no rosto.

— Ok... Desc... — ela começou, mas parou imediatamente sob meu olhar firme.
— Tá bom!

— Melhor assim! Porque desde o acaso de ontem, só escuto tu pedindo desculpa, mulher. A propósito, qual é teu nome? — perguntei, só pra ver o rosto dela corar.

— Sarah. Sarah Andrade. Eu ia pedir desculpa de novo por ontem, mas... deixa pra lá. E você, como se chama?

— Juliette Freire. — respondi estendendo a mão. Ela pegou, e no instante em que nossas peles se tocaram, senti como se um raio tivesse atravessado meu corpo.
Pele arrepiada. E, pelo visto, não era só eu... Ela tentou disfarçar, mas eu fui mais rápida:

Já disse que é sem desculpa, visse? O mundo é pequeno demais, hein? Prazer te conhecer, Sarah. Agora como deve ser, sem esbarrão nem correria. Posso te chamar assim? — falei sorrindo, vendo ela toda sem graça.

Cla-claro que sim, Srta.Freire!
A modelo responde ainda sentindo suas bochechas queimarem!

O sorriso dela crescia ao vê-la claramente envergonhada.

As duas ficaram em silêncio por alguns segundos. O aperto de mão demorava um pouco mais do que o esperado. Olhos fixos um no outro, o silêncio preenchido por algo que nenhuma das duas ainda ousava nomear.

Juliette foi a primeira a desviar o olhar. Soltou a mão e limpou a garganta, tentando quebrar o encantamento que se formava sem aviso.

Então... Vamos começar tua aula? Tu já dançou antes? Ou vai ser tudo do zero?
Ah, e só Juliette, pufavô! Mas, e então... Na verdade tu não marcou hora comigo, eu sou proprietária do Studio... A um tempo não atuo como professora , fico mais na parte teórica e burocrática, mas tivemos uns contratempos, e por enquanto eu vou substituir sua professora, tudo bem pra tu? A morena de olhos castanhos se explica, um pouco apreensiva!

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora