ciúme

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POV: Sarah

Há tempos eu não dormia tão bem.
Não sei explicar… mas tinha alguma coisa naquela cama, naquele silêncio, naquele corpo encaixado no meu que me fez esquecer o mundo lá fora.
Apesar de tudo, Juliette tem esse dom estranho de me trazer paz.
Loucura, né?
É tudo tão recente… tão intenso.
Mas tem coisa que a gente não controla.
E eu, que sempre fui boa em manter o controle, me vi entregue ali, deitada com ela.

Quando abri os olhos, o quarto ainda estava na penumbra suave da manhã.
E lá estava ela.
Deitada de lado, encarando o teto como se buscasse respostas lá em cima.
A luz do sol refletia na pele branquinha dela, e por um segundo, achei que tava sonhando ainda.
Ela fazia um biquinho...
Aquela carinha meio séria, meio doce, meio perdida.
Dava vontade de guardar numa caixinha.

Me aproximei, inclinando o rosto pra dar um selinho, movida por impulso.
Mas parei no meio do caminho.
Tô indo rápido demais?
Tô invadindo algo que ainda tá se formando?
Então, desviando levemente, depositei um beijo estalado na bochecha.

Eitchaa... — Ela levou um susto tão fofo, que eu não segurei a risada.

E aí ela sorriu.
Ah, aquele sorriso...

—Boom diia, coisa linda! —Desejei, com o coração quente e a boca ainda rindo.

—Bom dia, sarará! —Ela respondeu, se levantando de um jeito que quase me fez puxar de volta.
Mas fui observando em silêncio enquanto ela ia em direção ao banheiro.

—Onde vai? —Perguntei, meio sem querer parecer carente, mas sendo.

Ela parou, virou o rosto e respondeu com a maior naturalidade do mundo:

—Tomar banho, bonita. Não sei se tu lembra, mas estamos no Studio.

Droga.

—Droga... —Soltei, levando a mão à testa como quem acorda de um sonho bom.

Ela riu do meu drama e falou com aquela voz que me acalma:

—Se tu quiser, pode ter a aula que não conseguiu ter ontem. Eu mesma posso te dar. Já que hoje é domingo e não abre! Aproveitamos que estamos aqui. Precisa ir a algum lugar? —Perguntou, me olhando com aquele jeito curioso dela.

Fiquei em silêncio por uns segundos, tentando processar o alívio que me deu com essa proposta.
Porque a verdade era uma só:
Eu não queria sair dali.
Não queria encarar a realidade, muito menos me despedir dela.

—Ah… Você não abre aos domingos? —Perguntei tentando esconder a alegria boba que quis pular do peito.

Ela sorriu de novo.

E eu pensei:
Talvez, só talvez… eu possa ficar mais um pouquinho aqui.
E me permitir sentir.

— Não né, Sarah... Eu e os meus funcionários merecemos uma folga! — Ela respondeu colocando uma das mãos na cintura, com aquele ar de óbvio, que só ela tem.

Eu não resisti.

— Xê tá tão xéria, mozão, nossa senhora! — Falei já me levantando pra abraçá-la, tentando quebrar aquele mau humor matinal. Mas ela... não devolveu.

— Tô mesmo. Tu vai fazer a aula ou não? — Perguntou direto, impaciente, com aquele olhar sério que, se fosse outra pessoa, talvez eu recuasse.

Mas eu? Eu só ria.

— Claro! E eu vou dispensar uma aula com uma professora gostosa dessa? — Respondi toda sem vergonha, me aproximando e dando um beijo no pescoço dela. Senti quando ela se arrepiou. A cara fechada deu lugar a um sorrisinho involuntário, enquanto me dava um tapinha no ombro.

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora