pressentimento

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POV: Juliette

Faz duas semanas desde que Sarah me beijou naquele banheiro, naquele restaurante onde o mundo pareceu parar por alguns segundos.
E desde então… eu não consigo parar de pensar nisso.

Tento evitar os encontros no Freire Dancing. Me tranco na minha sala, e só saio quando tenho certeza que ela já foi embora.
Mas quem eu quero enganar?
Não adianta.
Porque mesmo escondida, meus olhos sempre buscam o reflexo dela.

Fico ali, do outro lado do vidro escuro da parede da minha sala, o qual dar passagem para a sala de dança, observando cada movimento como se fosse hipnose.
Ela não sabe que estou ali — pelo menos eu acho que não.
Mas é como se meu corpo soubesse exatamente o momento em que ela entra, em que começa a dançar.
Com ela, eu perco o controle.
Com ela… tudo o que costumo ser se desfaz.

E é estranho, porque meu trauma me grita para fugir.
Mas há algo nela que me puxa com uma força absurda.
Fico babando nas aulas como uma adolescente encantada pela primeira vez, e me odeio um pouco por isso.

Oliter — que está ajudando com a parte burocrática do Studio já que ainda não voltou a dançar — percebeu rápido.
Ela sempre percebe.
Então eu tive que contar.

Ela jura que estou gostando de Sarah.
Mas como eu poderia?
É impossível! — é isso que eu repito pra mim mesma sempre.
Mesmo que eu fique ansiosa cada vez que escuto a música começar.
Mesmo que meu corpo todo estremeça quando ela dança.
Mesmo que meu coração dispare sempre que Lara ou Oliter soltam alguma piadinha, com aquele sorrisinho malicioso de quem sabe de mais do que devia.

Eu sei que é infantil da minha parte evitá-la depois do que aconteceu.
Mas eu simplesmente não consigo fazer diferente.

O medo me paralisa.
"O que você está fazendo, Juliette?" — meu consciente sussurra com o peso de um julgamento antigo.
"Ela tem namorado", ele grita.

E é verdade.
Ela tem.

Agora, estou em casa. Jogada no sofá, mechendo no celular por puro hábito, tentando desligar a mente.
Mas então... dou de cara com ela.
Sarah.

Em um site de fofoca.

As fotos… são ousadas demais.
Ela está com um cara.
As mãos dele estão onde não deveriam estar — ou talvez até deveriam, logo se ver que ela nasceu para isso, ser estrela.

Mas, algo dentro de mim doeu.

Me senti incomodada.
Senti ciúmes.
Mas que direito eu tenho?
Ela não é minha.
Nunca foi.
E isso também faz parte do trabalho dela — fotos, exposição, sensualidade.
Nada daquilo é errado.

Mesmo assim…
Desligo o celular.

Tento dormir.

Mas o corpo não desacelera.
O peito está apertado, como se uma verdade estivesse tentando emergir, mas eu não deixasse.
E ela… não sai da minha cabeça.
Nem por um segundo.

É como se algo além de mim estivesse tentando me mostrar alguma coisa.
Mas eu ainda não estou pronta para ver.

Ou... talvez esteja, mas tenha muito medo do que pode significar.

POV: Narrador

São 7:00h da manhã.

O despertador toca alto no quarto silencioso.
Juliette desperta com um resmungo impaciente, tapa o rosto com o travesseiro por alguns segundos, até finalmente se render e desligar o alarme.

Levanta devagar, como se o corpo também carregasse o peso de um sonho inacabado.
Segue para o banheiro — banho, higiene, rotina.
Nada fora do comum, exceto o incômodo no peito, que parece ter acordado antes dela.

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora