cuidando parte II

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POV: Juliette

Eu estava sem chão. Ver ela daquele jeito, tão pequena no próprio corpo, tão frágil e silenciosa... doía em mim de um jeito que eu não sei explicar. O peito apertado, o coração miúdo, implorando para encontrar um jeito de acolhê-la, de fazer com que ela não sentisse mais medo algum.
E o pior é que eu nem sabia exatamente o que tinha acontecido — mas o suficiente pra querer arrancar esse sofrimento dela com as próprias mãos. Quando imaginei a origem daqueles machucados, meu sangue ferveu. A raiva gritou dentro de mim... e tudo o que eu queria era que aquele imbecil pagasse por cada marca que deixou nela. Mas eu engoli. Engoli pra ser força, pra ser porto. Porque ela não precisava da minha fúria, ela precisava de paz.

Ela me olhou pedindo com os olhos o que a boca não conseguiu dizer: fica.
E eu fiquei. Porque ela quis... e, de alguma forma, isso me fez sentir um calor silencioso no peito. Como se, no meio da dor dela, houvesse espaço para eu ser consolo. E só isso bastava.

Quando ela começou a tirar a roupa, tentei manter o olhar respeitoso. Mas meus olhos foram traídos pelo machucado na costela — e não consegui segurar. Uma lágrima caiu. E, como se o meu choro desse permissão ao dela, ela desabou um pouco mais.
Eu precisei ser firme. Me controlei com tudo que tinha dentro de mim.
Liguei o chuveiro, me aproximei devagar e a levei pra debaixo da água. Fiquei ali, com ela, inteira, do jeito que ela precisava.

O roupão ficou encharcado. Mas eu não tirei. Não podia. Não devia. Eu estava sem nada por baixo e, mesmo que meu coração batesse mais forte por ela, não era sobre isso. Não podia ser. Ela precisava de cuidado, não de confusão. Não era sobre desejo, era sobre presença. Sobre respeitar. Eu queria que ela soubesse que podia confiar em mim, que não haveria espaço pra malícia ou invasão. Só pra o que ela precisasse: afeto, abrigo, colo.

Quando o banho terminou, sequei ela com todo carinho que pude esconder nas pontas dos dedos. A envolvi no roupão seco e a levei até o closet. Separei uma lingerie que parecia nova, simples, mas bonita, e um pijama confortável. Peguei algo pra mim também, tentei manter a naturalidade, não demonstrar que meu coração ainda doía por dentro.

— Pode se vestir... Tem alguns pijamas aí. Eu vou me trocar no banheiro e pedir algo pra gente comer, tá? Já volto.

Saí tentando manter o tom leve, deixando um espaço pra que ela se sentisse segura.

No banheiro, vesti a roupa devagar, ainda sentindo cada emoção latejando em mim. Cuidar dela estava me rasgando em silêncio, mas era isso que eu queria fazer. Ser cuidado onde o mundo só feriu.

Pedi uma pizza — parecia simples, mas era conforto. E quando terminei, respirei fundo, voltei até o closet... bati na porta com delicadeza.
Meu coração ainda ali, pequenino, esperando que ela estivesse um pouco mais inteira do que quando a deixei.

— Sarah… tá tudo bem? — perguntei baixinho atrás da porta, tentando esconder o desespero que começava a subir pelo meu peito.

Silêncio.

— Posso entrar? — insisti, mais suave ainda.

Nada.

Meu coração já estava apertado, mas quando abri a porta e vi ela ali... sentada em frente à penteadeira, com a cabeça afundada nos braços, chorando em silêncio… nossa, aquilo me partiu inteira por dentro.
Me aproximei devagar, como quem não quer assustar uma borboleta machucada. Toquei seu rosto com toda delicadeza do mundo e comecei a enxugar as lágrimas que ainda escorriam.

Ela ergueu os olhos até os meus. Tão vermelhinhos, tão cansados…

Sshhhi... Não chora mais, tá? Eu tô aqui. Vai ficar tudo bem... — sussurrei, mesmo sem saber ao certo se aquilo era verdade. Mas eu precisava que ela ouvisse. Que ela sentisse.

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora