promessas

728 65 22
                                        

POV: Juliette

Me apoiei na pia com as duas mãos trêmulas, tentando não desmoronar.
A cabeça baixa, os olhos marejando, e o peito… uma bagunça.
Respirava fundo, tentando convencer meu corpo de que estava tudo bem,
mas ele não acreditava.

As lágrimas caíam silenciosas, uma por uma, como se minha alma estivesse se desfazendo em gotas.
Fiz um daqueles exercícios de respiração que aprendi em algum lugar que nem lembro,
só pra tentar me manter em pé.

Inspira…
Segura…
Expira…

Mas doía.
Doía muito.
Era uma mistura de coisas que eu nem sabia nomear — um vazio, um medo, uma saudade de algo que eu nem vivi.
Uma vontade de fugir de mim, e ao mesmo tempo, de me encontrar em algum abraço que fizesse sentido.

Eu me sentia insuficiente.
Perdida.
Como se estivesse me cobrando ser forte o tempo todo, enquanto por dentro eu gritava por socorro.

Levantei os olhos, ainda marejados, e foi aí que vi.
Refletida no espelho da porta... ela.

Sarah.

Sua expressão mudou no instante em que percebeu o meu estado.
Vi a preocupação atravessar seu rosto, e isso me desmontou ainda mais.
Ela se aproximou devagar, e antes que eu pudesse evitar,
senti sua mão pousar no meu ombro.

— Oi... Ei, o que aconteceu? Você tá bem? — ela perguntou com a voz suave, e o olhar…
Ah, o olhar dela era um abrigo.

Mas eu não queria me entregar.
Não queria que ela me visse fraca, não agora.
Mesmo que, no fundo, eu só quisesse me esconder nela.

— Não. Não é nada. Eu tô bem, é só uma crise existencial... — tentei brincar, forçando um sorriso.
Mas minha voz saiu embargada, trêmula…
Ela percebeu.

E eu não consegui segurar a vontade de sair dali.

— Eu preciso ir. — murmurei, tentando seguir em direção à porta.
Forcei meu corpo a sair do toque dela, como se assim eu pudesse fugir do que estava sentindo.

Mas…

Antes que eu pudesse encostar na maçaneta,
senti sua mão segurar meu braço e me puxar.

Num instante, meu corpo colidiu com o dela.
Firme, quente, presente.
E uma descarga elétrica percorreu cada centímetro do meu ser.

Meu coração disparou.
Minha respiração travou.
Meu corpo inteiro gritou por aquele toque,
como se estivesse esperando por ele há séculos.

Ela me envolveu em um abraço forte, mas cheio de delicadeza.
Um carinho quase impossível de explicar.
Sua mão afagava meus cabelos, e aos poucos…
meus medos silenciaram.

Não tive forças pra sair daquele abraço.
E nem vontade.

Ali, nos braços dela, eu senti paz.
E também um caos bom,
que me bagunçava inteira e, ao mesmo tempo, me reorganizava por dentro.

Ela afastou o rosto do meu, mas continuou perto.
Tão perto que eu sentia sua respiração encontrar a minha.

Nossos olhos se encontraram.
Ela me olhou como quem quer entender a alma,
como quem enxerga o que eu escondo até de mim.

Segurou meu rosto com cuidado,
e eu vi quando ela desviou o olhar para minha boca.
Ela umedeceu os próprios lábios…
e isso me fez perder o chão.

Me faltava ar.
Me faltava juízo.
Mas me sobrava vontade.

— Desculpa, mas eu não vou perder essa oportunidade de novo.
Ela disse com a voz baixa, firme, quase como uma prece… antes de colar nossos lábios.

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora