cuidando parte I

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POV: Sarah

Hoje o dia passou bem devagar... Eu dei tudo de mim na agência, como se isso fosse me distrair da dor que tá aqui dentro.
Roberta e Thaís perceberam que tinha algo errado — elas sempre percebem.
Mas eu não consegui falar.
Não por falta de confiança, é vergonha mesmo.
Vergonha de ter permitido.
Vergonha de ter ficado.
Vergonha de ainda doer tanto.
Tudo o que eu mais queria era esquecer o que aconteceu ontem…
Mas os machucados que ficaram em mim — por fora e por dentro — não me deixam. Nem por um segundo.

Lucas passou o dia todo tentando contato. Ligações, mensagens...
Mas eu não respondi.
Não quero ouvir a voz dele. Não quero ver o rosto dele.
Eu só quero me esconder de tudo.

Pensei em faltar hoje, em não ir ao Freire Dancing...
Mas eu não posso me dar esse luxo.
Porque a vida não para.
E porque dançar ainda é a única coisa que me lembra que eu sou livre.
Ou que posso ser.

Cheguei no Studio e, assim que entrei na portaria, senti um puxão no braço.

Meu coração parou.

— Vai continuar me ignorando? — a voz dele veio baixa, controlada, mas gelada.

Travei.
Só consegui soltar:

— Me larga!

Puxei meu braço num solavanco e saí correndo.
Entrei no elevador e, graças a Deus, consegui fechar a porta antes que ele entrasse.

Mas dentro do elevador… eu desmoronei.

O ar sumiu. As pernas tremiam. As lágrimas, que eu segurava o dia todo, caíram com tudo.
Me sentia pequena, fraca, exposta.
A vontade era sumir.

Quando a porta abriu, saí num impulso, sem pensar, quase tropeçando nos próprios pés.
Passei por Débora sem sequer olhar pra ela.
E, como um pesadelo que insiste em continuar mesmo depois que a gente acorda… vi Lucas saindo do outro elevador.

Acelerei os passos, virei no corredor, e ouvi a voz dele me chamando de novo.
Graças a alguém lá fora, ele foi impedido de entrar.
Mas o pânico já tinha me engolido.

No fim do corredor vi uma porta discreta, sem nome, sem sinalização.
Abracei a chance.
Entrei sem pensar duas vezes.
Fechei atrás de mim.

Ali dentro…
Um espelho gigante. Uma porta aberta. Um quarto?
Não consegui prestar atenção.
Só vi a cama.
Me arrastei até o canto dela.
Sentei.
Abracei meus joelhos.
Fechei os olhos.

E desabei.

Eu queria sumir.
Queria que ninguém me achasse.
Queria desaparecer dentro de mim mesma.
O medo me consumia como fogo.
As lembranças, como navalhas.
Meu corpo tremia tanto que parecia não ser meu.

Ouvi passos.
Fracos. Cuidadosos.
E uma presença se aproximando.

Senti uma mão vir até mim.

Por reflexo, segurei. Forte.

Foi quando veio o cheiro.
Um cheiro que eu conhecia.
Um cheiro que acalmava.

Meus olhos, inchados, buscaram o rosto.

E era ela.

Juliette.

Soltei seu braço aos poucos, como quem acorda de um sonho ruim.
Meus olhos se encheram de novo, mas dessa vez... era diferente.
Eu ainda estava com medo.
Mas pela primeira vez no dia, não me senti sozinha.

Nã-não deixa ele entrar aqui, po-por favor... — imploro, a voz falhando entre os soluços, enquanto minhas mãos tremem. — Não deixa e-ele me encontrar...

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora