POV: Sarah
Meu lugar de paz.
É isso que ela é...
E só percebi quando, pela primeira vez em muito tempo, me permiti ser cuidada.
Sempre fui do tipo que segura a barra sozinha. Que engole o choro, que disfarça o cansaço, que finge que está tudo bem. Mostrar fraqueza? Nunca foi uma opção. Mas com ela... com ela tudo é diferente.
Talvez seja o jeito como ela olha, como fala baixo quando percebe que eu tô quieta demais. Talvez seja a paciência. O carinho.
Ou talvez... talvez seja o amor disfarçado de cuidado.
Ela cantou pra mim.
Aquela música doce, num tom ainda mais suave do que o normal. A voz dela me embalava e eu, sem nem perceber, fui adormecendo nos braços dela. Me senti pequena, segura, protegida.
Como se, naquele instante, nada de ruim pudesse me alcançar.
E tudo que eu queria era que ela fizesse como na música...
"Nunca mais vou te soltar."
Porque sair daquele abraço… seria como sair de casa no meio de uma tempestade (...)
Ouvir ela dizer que sentia algo por mim, mesmo sem saber explicar o que era.
Aquilo acendeu algo dentro de mim.
Como se alguém tivesse acendido as luzes de um lugar que eu nem sabia que existia dentro do meu peito.
A gente estava tão perto. Tão dentro de uma bolha só nossa.
Eu quis me controlar, juro que quis. Mas não consegui.
As borboletas no estômago ficaram loucas.
E quando nossos lábios se encontraram, tudo parou por um segundo.
Dessa vez foi ela quem me beijou.
E foi ainda melhor que o primeiro.
Porque veio carregado de verdade.
Mas aí… ela se afastou. Lenta. Ofegante. Ainda com a mão firme na minha cintura.
— Desculpa… nós não podemos. — disse, olhando nos meus olhos.
— Eu sei… você tem namorado. — respondi, com a voz mais baixa, o coração mais triste, e os olhos escapando do dela.
— Quê? Não. Eu não tenho namorado! De onde você tirou isso?
Levantei o rosto de volta, confusa. Ela estava com as sobrancelhas franzidas, surpresa real.
E nesse instante… o que eu senti foi esperança.
Mas aquele dia na aula… Bill… um dos profe—
— Claro que ele não é meu namorado, ele é só um folgado. — ela me interrompeu rápido, revirando os olhos com impaciência.
— Mas…
— Mas nada, não namoramos. A questão é que…
— Você não quer. — soltei num rompante, saindo de entre suas pernas, me afastando — ou tentando — até ela me puxar de volta com firmeza e me prender ali, entre seus braços, entre o seu querer e o seu não poder.
— Ei… olha pra mim. — ela pediu, fazendo um carinho tão delicado no meu rosto que quase me desmontou inteira.
E eu olhei.
Seus olhos estavam marejados, brilhando como se segurassem o peso de uma confissão presa na garganta.
— Não é isso. Eu quero… eu juro que quero. Mas...
— Ah, claro. Mas. Sempre tem o mas, né? — bufei, revirando os olhos, tentando parecer mais irritada do que magoada.
— Eu que deveria estar assim… — continuei, sem filtrar nada — Você é a primeira mulher que eu beijei na vida! Eu deveria estar surtando, desesperada, me culpando… mas eu simplesmente não consigo te tirar da cabeça nem por um minuto, desde que nós esbarramos naquela loja!
Joguei tudo de uma vez, como quem derruba um copo cheio só pra parar de segurar.
— Eu também penso muito em você… — ela murmurou, com a voz embargada, baixando a cabeça, como se confessar aquilo fosse mais doloroso do que libertador. — Mas… isso não muda nada. Você ainda namora, Sarah. Mesmo que o seu namorado seja um imbecil, você ainda namora.
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Eu era apenas eu
FanfictionJuliette Freire, é uma famosa professora de dança, dona da freire dancing, um estúdio de dança, conta com a ajuda de uma equipe bem capacitada que também são seus amigos, e devido ter crescido tanto na sua área profissional ela já não necessita atua...
