Bloqueio

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POV: Juliette

Sim...
Eu já nem lembrava que aquilo tinha começado como uma aula.
Tudo que existia ali era ela.
Meus passos seguiam o ritmo da música, mas meu corpo, minha alma, se moviam só por ela.
Era como se cada nota fosse um toque imaginário seu, como se dançar fosse a única forma que eu tinha de implorar — sem palavras — por seus dedos na minha pele.

Eu via o desejo escancarado nas pupilas dilatadas dela.
E esse olhar... me incendiava por dentro.
Quando ela caminhou na minha direção, eu senti.
Meu corpo todo entrou em alerta.
O coração galopava no peito como se buscasse sair pela boca, minhas pernas bambearam, a boca ficou seca...
Mas meu corpo estava quente.
Molhado.
Ansiando.

Quando ela alcançou minha cintura e colou nossos corpos, a descarga de prazer foi imediata.
Ela sussurrou um pedido de desculpas...
E eu já nem sabia mais o que era certo ou errado.
Meu olhar caiu pros seus lábios, como se minha boca já estivesse cansada de esperar.

Então ela me puxou.

O beijo foi urgente. Quente. Quase desesperado.
Minha mão desceu e agarrou sua bunda como se isso fosse aliviar o caos dentro de mim.
Mas não aliviou.
Aumentou.

Guiá-la de volta pra poltrona foi puro instinto.
A fiz sentar.
E sentei em seu colo, sem nunca soltar sua boca da minha.
Era tudo língua, saliva, respiração dividida e mãos famintas.

Minhas unhas marcavam sua nuca.
Ela apertava minha bunda com as duas mãos, arrancando de mim um suspiro quase gemido.
A calcinha... já estava encharcada.

Quando o ar faltou, nos separamos — mas não por muito tempo.
Logo senti seus lábios no meu pescoço, e minha cabeça caiu pra trás como resposta.
Sua mão subiu pela lateral do meu corpo até alcançar meu seio, massageando, explorando...
E eu rebolava no seu colo, tentando conter — em vão — o desejo que transbordava de mim.

Ela tentou tirar meu top...
E eu deixei.
Por um segundo.

Mas minha mente me sabotou.
De novo.
Coloquei minha mão sobre a dela. Interrompi.

MAS QUE DROGA, JULIETTE.

Ela me olhou, confusa.
E eu mal consegui falar.

— Desculpa... eu não consigo, saiu num sussurro engasgado, quase um soluço.

Seus olhos fecharam, respirou fundo.
E quando voltou a me encarar, uniu nossas testas num gesto tão delicado que partiu meu coração.
Sua mão tocou meu rosto, fez carinho.
E por um instante, eu temi. Tive medo de perdê-la ali.

Mas ela disse:

— Tá tudo bem. Não precisa se desculpar.

Ela se afastou só o suficiente pra deixar um beijo leve na minha bochecha e secar a lágrima que escapou.

— Quando você estiver pronta, tá bom? Desculpa forçar essa situação, mas...

Sshhh...
Levei meu dedo até seus lábios, impedindo qualquer culpa.

— Você não forçou nada.
— Eu quis...
— Na verdade... eu quero.
— Só não consigo agora. Então, não peça desculpa por isso.

— Tudo bem! — Ela respondeu, me oferecendo um sorriso lindo.

Levei minha mão até seu rosto, fiz um carinho leve, os dedos deslizando com ternura até tocarem meus próprios lábios. Um suspiro involuntário escapou de mim antes que eu me aproximasse e deixasse um selinho longo nela.

— No seu tempo! — Ela falou logo após o beijo, entrelaçando nossos dedos com delicadeza, como se quisesse dizer que estava comigo, mesmo sem pressa.

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora