POV: Sarah
O que eu menos queria naquele momento era sair do abraço dela. Era nele que eu estava me sentindo segura, inteira, mesmo que por dentro tudo estivesse desmoronado. Tinha alguma coisa no jeito como ela me segurava… como se dissesse, sem dizer, que nada de mal ia me tocar enquanto eu estivesse ali. E por alguns minutos, eu acreditei nisso.
Quando me afastei e ela me prometeu que não ia fugir, senti meu peito apertar. Eu queria acreditar, e uma parte de mim acreditava. Mas a outra… a outra ainda carregava o medo de ser deixada.
Mas com ela… parecia diferente.
Fechei a porta do carro com um suspiro preso no peito. Um daqueles que doem antes de sair. Caminhei devagar até a entrada do prédio da Thais, sentindo o corpo inteiro pesar. Cada passo ecoava o cansaço que eu carregava não só nos ossos, mas na alma. O elevador demorou mais do que devia, e nesse tempo meu pensamento só sabia voltar pro olhar da Juliette. Tinha tanto cuidado ali… e era tão raro alguém me olhar assim.
Enquanto subia, vi meu reflexo no espelho do elevador. Os olhos vermelhos, o cabelo bagunçado, a expressão de quem viu mais dor do que deveria em uma noite. Era eu. Mas não me reconhecia. Não depois de tudo o que senti hoje.
E ainda assim… mesmo tão machucada, eu sentia algo novo crescendo no meio do caos. Era como se, depois de tanto tempo lutando sozinha, alguém finalmente tivesse me alcançado. E me segurado antes da queda final.
Quando o elevador chegou, caminhei até a porta da Thais e respirei fundo. Sabia que ela ia brigar, questionar, e que eu ia ter que falar. E por dentro, eu só queria silêncio e um pouco mais daquele abraço que me cobria feito abrigo.
Toquei a campainha e esperei. E no fundo, desejei por um segundo que fosse a Juliette abrindo a porta — só pra eu poder me perder naquele olhar de novo.
Mas não era, e minha amiga sem prestar atenção no meu estado iniciou o seu sermão.
— Muito bonito, né, dona Sarah?! — Thais começou com os braços cruzados, batendo o pé no chão. — Some do nada, não dá notícia, me deixa no vácuo por dias, e agora aparece assim, como se nada tivesse acontecido?!
A voz dela era irônica, o olhar acusador… Mas assim que seus olhos me examinaram mais de perto — meu rosto abatido, meus ombros curvados, a expressão tentando ser firme mas tremendo por dentro — tudo nela mudou.
Ela descruzou os braços devagar, a testa se franziu com preocupação, e a voz saiu muito mais suave:
— Sarah... que foi? — perguntou, já se aproximando com os olhos arregalados. — O que aconteceu? Você tá... — ela engoliu seco ao ver meu esforço pra segurar o choro. — Amiga, o que houve?
Ela me puxou pro abraço sem esperar resposta. Quando me apertou, fiz uma careta de dor, mordi os lábios com força pra não soltar um gemido, mas uma lágrima escapou. Aquilo trouxe à tona a lembrança, e com ela, a dor real e simbólica do que eu tinha vivido.
— Ai! — escapou baixinho, sem querer.
Thais me afastou no mesmo instante, assustada.
— Você tá machucada? Onde dói? — perguntou, os olhos agora vasculhando meu corpo, tentando achar alguma pista. Eu desviei, envergonhada, passando a mão no rosto pra esconder a lágrima.
— Respira, vem, senta aqui! — ela me puxou pra o sofá com urgência, quase me carregando. — Me diz agora, pelo amor de Deus, o que aconteceu? Você tá péssima, Sarah... eu tô assustada!
Eu respirei fundo, tentando manter a calma.
— Desculpa... será que você pode me trazer uma água?
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Eu era apenas eu
FanfictionJuliette Freire, é uma famosa professora de dança, dona da freire dancing, um estúdio de dança, conta com a ajuda de uma equipe bem capacitada que também são seus amigos, e devido ter crescido tanto na sua área profissional ela já não necessita atua...
