POV: Sarah
Fiquei ali, no meio daquele banheiro, parada como se o tempo tivesse congelado ao meu redor. As paredes pareciam se fechar lentamente, e meu reflexo no espelho me encarava com olhos arregalados, assustados... e confusos.
Como eu tive coragem de fazer isso?
Meu Deus, eu beijei uma mulher.
Eu beijei.
E que beijo...
Minhas mãos foram automaticamente à cabeça, os dedos entrelaçados no cabelo, puxando levemente como se isso fosse capaz de organizar o caos dentro de mim. Comecei a andar de um lado pro outro, cada passo ecoando nos azulejos frios como um lembrete do que tinha acabado de acontecer. Meu peito subia e descia num ritmo acelerado. O ar parecia pesar. Eu estava ofegante. Em surto.
Mas… o que ela quis dizer com "eu não posso?"
A frase ecoava sem parar.
Lógico, Sarah… que burra. Ela deve ter alguém.
Namorado?
O LUCAS!
O susto bateu com força. A realidade caiu como uma avalanche e me deixou sem chão. O Lucas… meu namorado. A pessoa que estava ali, do lado de fora, me esperando. A quem eu dizia amar, com quem dividia a vida há anos. O que eu fiz?
E por que... por que eu gostei?
Minhas pernas estavam trêmulas. Encostei na pia para me apoiar. Meus olhos ardiam, mas não era choro. Era confusão. Culpa. Desejo. Medo. Tudo junto.
Foi quando alguém bateu na porta. Eu congelei por um instante.
— Sarah... amor, você tá bem? Tá a um tempão nesse banheiro! — a voz do Lucas veio abafada do outro lado da porta.
— E-eu tô bem… — respondi num impulso, a voz falha. — Tô só… retocando a maquiagem, já vou.
Respirei fundo, me forcei a olhar no espelho, tirei um batom da bolsa só pra reforçar a mentira, e quando senti que dava pra disfarçar a tormenta, girei a maçaneta.
Lucas me esperava ali, sorrindo, alheio ao terremoto dentro de mim. Me deu um beijo rápido, que eu mal consegui retribuir, e voltamos para a mesa. Mas Juliette… já não estava mais lá.
O vazio da ausência dela me atingiu mais do que deveria.
Fiquei inquieta. Mexia nos talheres, fingia prestar atenção nas conversas, mas meu pensamento estava preso naquele banheiro. Naquele beijo. Em Juliette. Será que eu fiz uma burrada? E se ela me odiar por isso? E se… eu me odiar?
Durante todo o almoço, estive presente só no corpo. A mente? Estava longe, entrelaçada ao gosto dela ainda presente nos meus lábios. A cada piscada, eu via de novo o rosto dela se aproximando. A respiração ofegante. O arrepio que percorreu minha espinha. O beijo. As mãos trêmulas. A recusa.
E o pior… o que era pra ser uma confusão, me trouxe vontade.
Borboletas se formavam no meu estômago, como se eu tivesse 15 anos e estivesse apaixonada pela primeira vez.
O que tá acontecendo comigo?
O que você tem de tão especial, Juliette?
Por que eu não consigo parar de pensar em você?
Lucas, sempre solícito, disse que me levaria direto pra empresa. Mas eu precisava falar com alguém. Urgente. Se eu engolisse tudo aquilo, explodiria.
— Pode me deixa na casa da Thais? — pedi, tentando soar casual.
— Claro, amor. Tá tudo bem mesmo?
— Tá sim… só quero ver ela um pouco, tô com saudade.
Thais era mais que uma amiga. Era minha confidente, quase uma irmã. Nos conhecemos na agência, trabalhamos juntas há anos, e ela sempre soube ler cada sinal meu, mesmo quando eu fingia estar bem.
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Eu era apenas eu
FanfictionJuliette Freire, é uma famosa professora de dança, dona da freire dancing, um estúdio de dança, conta com a ajuda de uma equipe bem capacitada que também são seus amigos, e devido ter crescido tanto na sua área profissional ela já não necessita atua...
