POV: Sarah
Como eu não percebi a hora passar tão rápido? E por que eu fiquei tão incomodada com o tratamento daquele cara com ela, a ponto de expor que eu tenho um namorado? Ela só pode estar com ele… É muita intimidade! Meu Deus, por que estou mais incomodada com a possibilidade de ela estar namorando do que com o fato de que eu quase a beijei? Eu ia beijar uma MULHER? Como assim? Eu sou hétero! Aaah, dane-se, ela também está namorando! Mas ia me beijar, e agora? Eu nem me despedi... Será que fui grossa? Ah! E daí também? Ela ficou lá com aquele cara, e nem sequer teve a educação de me apresentar a ele! Que mal educada...
A modelo brigava internamente, o desconforto e a frustração estampados no seu rosto enquanto saia do estúdio. Ela estava visivelmente nervosa com o que acabara de acontecer. E ela tinha razão: Lucas já estava à sua espera em frente ao estúdio. Quando ela o avistou, ele estava encostado no carro, de braços cruzados, com uma expressão fechada.
— Achei que não ia descer hoje. Eu te liguei várias vezes! O que tanto fazia que não atendeu o telefone? — Perguntou, alterado, enquanto a modelo se aproximava.
Sarah, por sua vez, ignorou-o completamente, passando direto até a porta do carro. Mas ele não deixou por menos: alcançou seu braço e a puxou de forma brusca.
— Ei, tô falando com você! Não me ignora, não. E essa roupa ridícula que você tá usando? — Ele continuou, alterado, apertando o braço da empresária.
A modelo, sentindo a pressão, puxou o braço com força, conseguindo finalmente se soltar. Mas, dessa vez, ele foi mais rápido: colocou a mão no seu queixo, apertando com força e forçando-a a olhar nos seus olhos.
— Você ficou louco? Tá me machucando, me solta! — Sarah falou com certa dificuldade, os olhos já marejados.
— Eu falei pra você não brincar comigo. Agora, responde as perguntas que fiz. — Ele falou, os dentes cerrados.
Com um movimento bruto, ele soltou o rosto de Sarah, que, agora, deixava as lágrimas caírem sem conseguir se conter.
— Entra no carro! — Ele impôs e assim ela fez!
— Agora você vai me explicar tudo o que eu perguntei! — Falou dando partida no carro.
Ele agora falava baixo, mas sua raiva era visível
Sarah se mantinha em um choro silencioso, encolhida no banco do carro! Mesmo assim começou a falar, ela sentia medo!
— Eu tava na aula, não ouvi o celular tocar... Acredito que por causa da música! — A morena respondeu num fio de voz.
— E essa roupa? Precisa disso? Tá querendo se mostrar né? Por acaso seu professor(a) é um macho? Eu acho muito bom que não seja, pro seu bem!
Terminou a fala com essa ameaça!
— Eu não trouxe roupa, tive que pegar essa emprestada! E não. Eu não tenho um professor, porque você não confia em mim? — Já chorava um pouco alto enquanto falava!
Eu mal conseguia acreditar em como a situação virou um pesadelo tão rapidamente. Como eu pude permitir que ele chegasse a esse ponto? Ele já tinha ultrapassado os limites várias vezes antes, mas hoje... hoje foi diferente. Cada palavra que ele disse me cortava como uma lâmina, e o pior de tudo é que, no fundo, eu sabia que era minha culpa. Eu sempre achava que ele estava só perdido, com raiva, inseguro... tudo isso por causa do amor que ele sentia por mim. Ele só não sabia controlar, e eu me convencia de que esse era o "preço" de estar com alguém tão intenso.
Mas agora, ele estava no volante, dirigindo com raiva, como se toda aquela violência que ele descarregou em cima de mim fosse justificável, porque "eu o fiz fazer isso". Ele parecia tão perdido em sua própria fúria que sequer se dava conta de que tudo isso estava quebrando mais do que meu espírito.
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Eu era apenas eu
FanfictionJuliette Freire, é uma famosa professora de dança, dona da freire dancing, um estúdio de dança, conta com a ajuda de uma equipe bem capacitada que também são seus amigos, e devido ter crescido tanto na sua área profissional ela já não necessita atua...
