River

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POV: Juliette

Sarah com ciúmes...
É a coisa mais adorável — e perigosa — do mundo.
Me deu vontade de puxar ela ali mesmo, só pra dizer: “não, não dancei pra ninguém, essa barra nunca foi testemunha de mais nada além de mim, sozinha, tentando lidar comigo mesma.”
Mas eu calei.
Porque o silêncio às vezes também protege.

Ela ficou vermelhinha. Tentando disfarçar, fingindo que nada demais passava pela cabeça dela. E eu fiquei ali, rindo por dentro e por fora, mesmo que meu corpo inteiro gritasse por autocontrole.

Merda...
A aula era uma ideia ruim.
Aquela roupa colada, desenhando cada curva dela como se tivesse sido feita sob medida pra me tirar o ar...
E eu aqui, tentando parecer profissional, quando por dentro eu era só bagunça e desejo.

Às vezes eu me pergunto se ela é mesmo hétero...
Porque do jeito que me olha, do jeito que encosta sem medo, que provoca sem perceber...
Se for atuação, é digna de um Oscar.

E no meio de tudo isso, meus pensamentos me puxam pra trás.
Será que ela vai mesmo ser paciente comigo?
E se eu não conseguir sair desse lugar onde o medo ainda me trava?
Ela não merece alguém indecisa, confusa...
Mas eu queria tanto ser corajosa por ela.

— Ei... A aula vai sair ou não?
A voz dela me despertou de um mergulho fundo demais.

Ãn? Ah... sim! — tentei disfarçar, ajeitando o cabelo, como se isso pudesse esconder a bagunça que eu era por dentro.

— Como tenho visto que as suas aulas têm uma pegada mais sensual, vamos continuar nisso! É o que seu trabalho exige, estou errada?

Ela me olhou com dúvida.

— Certo... Mas como você sabe?
— Você só me deu uma aula... e nessa mesma, nem eu sabia disso.

Droga, Juliette.
Droga.

Boca de sacola da mulésta.
Agora se explica.

— Eu tenho o controle de tudo nesse Studio Andrade!
Foi o que disparei, tentando parecer segura, enquanto por dentro eu só pensava: droga, droga, droga...
Tive que pensar rápido. Ela não pode saber que assisti todas as aulas. Que observei cada detalhe dela como quem estuda uma obra de arte escondida, só minha.

— Hum... Sei.
Ela respondeu com aquela desconfiança disfarçada, como quem já sacou metade da verdade, mas escolhe guardar pra si só pra ver até onde vai a mentira.

— Enfim... Hoje vamos tentar a música "River"! Você prefere me acompanhar ou ver antes de tentar?
Joguei a isca, tentando mudar o rumo da conversa antes que ela resolvesse apertar mais um pouco.

— Você pode fazer antes, por favor? Assim de primeira é complicado pra mim.
Ela falou, num tom mais baixo, quase tímido.
E eu senti meu coração derreter um pouco mais.

— Claro... Senta ali.
Apontei a poltrona no canto da sala, tentando parecer tranquila, mesmo sabendo o que vinha a seguir.

Dei play na música.
“River” preencheu a sala e, como em um estalo, meu corpo assumiu o controle.
Era como se eu deixasse de ser Juliette e me tornasse apenas movimento, expressão, entrega.

(Coreografia, usem a imaginação... Façam de conta que é a Ju)

POV: Sarah

Ela deu play na música, e eu fui em direção à poltrona no canto da sala, onde me pediu que sentasse.
Meus passos estavam firmes por fora, mas por dentro eu era um caos. Meu coração já batia acelerado e minhas mãos estavam tão suadas que precisei esfregá-las discretamente na calça antes de me sentar.

Eu era apenas euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora