66// Día duro

14 0 0
                                        

Dois dias depois.

Me olho no espelho novamente, vendo meu reflexo com aquele vestido preto e o cabelo preso para trás.

Mais cedo, pedi aos meus pais que me buscassem na casa do Jason porque queria ir ao velório da minha avó.

De início, eles acharam que não seria uma boa ideia. Não porque quisessem me afastar daquele momento, mas porque queriam proteger minha saúde mental. Eles achavam que o lugar poderia despertar lembranças dolorosas demais para mim.

Mas eu disse a eles que não fui ao enterro da minha mãe. Eu era pequena demais na época, e assim que ela faleceu, fui levada para um orfanato.

Eu não queria, de novo, perder a chance de me despedir.

Além disso, o sonho que tive dois dias atrás mexeu demais comigo. Eu sabia que não era apenas um sonho, porque, quando abri os olhos, vi a borboleta no quarto do Jason. E, naquele momento, algo em mim havia mudado.

Escuto batidas na porta. Sophia a abre lentamente e me observa.

- Está pronta? - ela pergunta, e eu me viro, retribuindo com um leve sorriso.

- Estou. O que acha? - pergunto, encarando minha roupa.

- Não está muito você... mas está bom. - responde, e eu a encaro. Ela também usa um vestido preto, salto e o cabelo preso em um coque. Sem maquiagem, sem adornos. Também não parecia ela.

- É... - é só o que consigo dizer, voltando-me para o espelho, ajeitando o vestido.

- Filha? - escuto ela me chamar.

- Sim?

- Tem certeza de que quer ir? Você sabe que pode ficar com a Jasmim e...

- Está tudo bem, mãe. - digo, encarando-a pelo espelho. Vejo o olhar preocupado que ela me lança. - Eu preciso me despedir dela direito. Eu não fiz isso com a minha mãe... você sabe disso. - me viro e ela assente, com um leve aceno.

 - me viro e ela assente, com um leve aceno

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Velórios... sempre são tristes. É o momento da despedida de quem mais amamos. Mas o que consola a alma é a esperança de reencontro no céu.

O velório da abuela está cheio. Vejo pessoas que eu nunca tinha visto. Mas Sophia disse que ela era muito amada e tinha muitos amigos. Ainda é estranho me referir a ela no passado.

Sinto uma tristeza profunda, uma dor que parece não caber no peito. Mas, sinceramente, achei que estaria pior.

O pastor e algumas irmãs cantam um hino da harpa. E, por mais estranho que pareça, uma paz inexplicável envolve o lugar.

Tento me virar para olhar em volta, mas não consigo muito. Ava está abraçada à minha cintura do lado esquerdo e Jason segura firme meu braço do outro. Mesmo que eu quisesse fugir, não conseguiria.

Querido DiosOnde histórias criam vida. Descubra agora