Capítulo 11 - Hunters

936 85 8
                                        

A floresta em volta do lago ficou para trás. Escalaram longas encostas, escuras, de arestas duras contra o céu que já se avermelhava com o pôr-do-sol. Chegou o crepúsculo. Passaram, sombras cinzentas numa região rochosa.

A escuridão se adensou. Por entre as árvores que estavam atrás e abaixo deles via-se uma névoa. A lua crescente movia-se no oeste, e as sombras das rochas eram negras. Tinham atingido os pés de colinas rochosas e diminuído o passo, pois seguir a trilha era mais difícil. Por toda a noite, os quatro avançaram aos tropeços naquele terreno irregular, subindo à crista da primeira cordilheira, que era a mais alta, e descendo outra vez para dentro da escuridão de um vale profundo e sinuoso, do outro lado.

A lua já tinha descido havia muito tempo diante deles, as estrelas reluziam no alto; a primeira luz do dia ainda não tinha atingido as colinas escuras que ficavam atrás. No momento, Aragorn estava perdido: a trilha dos orcs tinha descido para dentro do vale, mas depois desaparecera.

_ Para que lado você acha que os orcs iriam? _ perguntou Legolas.

_ Eles não irão na direção do rio, qualquer que seja o alvo que almejem _ disse Alysanne _ E a não ser que tenha acontecido muita coisa em Rohan e o poder de Saruman tenha aumentado bastante eles vão tomar o caminho mais curto que puderem encontrar através dos campos dos rohirrim.

Curvado em direção ao chão, Aragorn procurava sinais por entre as dobras e valas que conduziam à cordilheira oeste. Legolas e Alysanne iam um pouco à frente. De repente, o elfo deu um grito e Aragorn correu até ele.

_ Já alcançamos alguns daqueles que estamos caçando _ disse ele _ Olhem!

Ele apontou e os outros viram que o que a princípio julgaram ser rochas ao pé da encosta eram corpos amontoados. Cinco orcs mortos estavam ali.

_ Aqui está outro enigma! _ disse Gimli.

_ Provavelmente, os inimigos dos orcs são nossos amigos. Existe algum povo morando nestas colinas? _ questionou Legolas.

_ Não _ disse Alysanne _ Os rohirrim raramente vêm aqui, e estamos longe de Minas Tirith. Pode ser que algum grupo de homens estivesse caçando aqui por motivos que desconhecemos. Mas acho que não é isso.

_ E o que você acha? _ perguntou Gimli.

_ Acho que o inimigo trouxe consigo seu próprio inimigo _ respondeu ela _ Estes são orcs do norte, de muito longe, entre os mortos, não vemos nenhum daqueles orcs grandes com insígnias estranhas, houve uma discussão, eu suponho: talvez tenha havido alguma disputa pela estrada ou pelos prisioneiros _ disse Alysanne.

Continuaram. O céu ao leste já ficava esmaecido; as estrelas estavam sumindo, e uma luz cinzenta crescia lentamente. Um pouco mais adiante, encontraram uma dobra no solo onde um pequeno córrego, caindo sinuoso, tinha cortado uma trilha rochosa que descia até o vale.

_ Até que enfim! _ disse Aragorn _ Aqui estão as pegadas que procuramos!

Agora os perseguidores voltaram-se rapidamente e seguiram a nova trilha.

Adiante, no oeste, o mundo continuava quieto, disforme e cinzento; mas, ainda enquanto olhavam, as sombras da noite se desvaneceram, as cores voltaram à terra que despertava: o verde fluiu sobre os amplos prados de Rohan; a névoa branca tremeluzia nos cursos de água, e bem adiante e à esquerda, a trinta léguas ou um pouco mais, num tom azul e púrpura, erguiam-se as Montanhas Brancas, subindo até picos de azeviche, cobertos por uma neve reluzente, ruborizados pelo róseo matutino.

Assim terminavam as Emyn Muil, e as verdes planícies dos rohirrim se estendiam diante deles até onde a vista alcançava.

_ Legolas, o que seus olhos élficos podem ver? _questionou Alysanne.

Dragon Blood 2 - The RingHistórias para pegar e não largar. Descubra agora