Acordo

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Sean 7:45 PM

Caminhando rapidamente pelas ruas começo com meus pensamentos frenéticos outra vez em um looping daquela noite. Eu achava que talvez o que eu sentia por aquela menina fosse somente algum tipo de atração física, sexual, e que mais cedo ou mais tarde ela se apagaria da minha mente. Mas não, ela não sumiu. Estava lá, me deixando tão excitado como no momento em que a vi. Eu estava ficando louco, como é possível gostar de alguém que vi em uma noite? alguém com quem mal falei? porra nem se quer transamos, e eu não era do tipo que sentia amor platônico, o pouco contato que eu tive com garotas fora somente através do sexo e não de vínculos e eu podia contar nos dedos as poucas vezes que eu fizera isso. Nunca senti algo parecido com amor por nenhuma garota sequer e não queria, eu havia bloqueado qualquer mínima tentativa de afeto depois do que havia acontecido comigo por todos esse anos, até que isso virou algo do meu inconsciente, não dependia mais da minha vontade, o desejo de ter alguém simplesmente não existia. Finalmente chego até o ponto de encontro dos meus negócios.

- Hey Sean !

Dou um um comprimento de braço em Zade, o traficante encarregado do dinheiro, ele era um cara exageradamente alto, poderia até confundi- lo com um jogador de basquete, e que assim como eu, usufruía dos negócios que vendia.

- Como se saiu noite passada? Ele me pergunta como quem não quer nada enquanto tira um cigarro do bolso.

- Bem - Pego o dinheiro do meu bolso e entrego a ele. - Vendi tudo, você sabe que com aquela gente não tem erro

- É claro que vendeu , não esperava nada menos de você - Ele me diz enquanto dá um sorriso falso

- Mas sabe que vai ter que vender muito mais para pagar sua dívida com khalil.

Uma dívida que eu gostaria de não lembrar que eu tenho. Quando eu estava sozinho nas ruas e me recusava a voltar para casa do meu tio, Khalil estava lá. Foi ele quem me ensinou tudo o que eu não sabia, sobre as drogas, sobre as pessoas e sobre como sobreviver, mas em algum momento aquilo acabou dando errado eu não consegui deixar meu passado de lado, os abusos, a depressão, a vontade de não existir. Eu acabei me viciando naquilo que vendia me deixando pior do que eu já estava, tirando minha concentração e me deixando vulnerável ao perigo eminente, em consequência acabei indo parar na prisão e lá quase fui morto por gangues rivais, mas, mais uma vez khalil estava lá, ele me salvou, mas aquilo tudo teria um preço, um preço bem alto que me faria trabalhar para ele por muito tempo.

- É claro - digo sério enquanto ele me entrega outro pacote de drogas.

- Sean, você é um cara legal, vê se não vacila ok. Khalil não perdoa vacilos.

Com certeza não, trabalhando para ele vi muitas mortes, espancamentos e desaparecimentos. Até participei de alguns desses casos e não me sinto bem em lembrar. O dinheiro nos leva a fazer coisas ruins, coisas que deixam marcas profundas na alma, mas claro, se você não tem humanidade para se importar leva na boa, mas eu, ainda tenho por mais que eu odeie admitir eu ainda sou o tipo de pessoa que pensaria antes de apertar o gatilho.

****

Passei os dias fazendo o que fui designado a fazer: vender drogas, me afundar no caos de sentimentos e lembranças que habitam em mim e depois reviver toda essa merda novamente no outro dia.
O movimento estava normal, como sempre. Minha mente se dividia entre prestar atenção na rua e em pensar na garota da leviticus. Seu cheiro, seu sorriso, sua voz, ficaram marcados na minha mente como ferro quente que marca a pele. Depois do nosso beijo tudo se tornou vazio, quando ela partiu me senti só, novamente. Soco a parede de tijolos atrás de mim descrente no que estava acontecendo. Isso não era bom, nem para meu trabalho nem para mimga vida, mas mesmo assim esse temor não era o suficiente para eu desistir, eu a desejava e de uma forma ou de outra eu iria encontrá -la. Eu precisava encontrá- la.
Alguém entra na minha percepção rapidamente, o reconheço de longo tempo, que compra há tempos comigo. Jeremiah. Ele chega de forma insegura e noto suas mãos tremendo o que diz que ele está a um tempo sem sua droga.

- Quero o de sempre

- É 50.

- Não era 50 da ultima vez - ele me diz com uma leve mudança na voz .

- O preço subiu.

- Não tenho 50.

- Então não vá embora busque a grana ou não volte mais.

De repente ele fica tenso. E eu também. Fico atento analisando seus próximos movimentos, e detecto sua mão saindo do bolso com algum objeto que deduzo ser para me machucar. Minha mente começa a pensar em tudo o que devo fazer para me proteger mas no meio de tudo isso, surge uma ideia absurdamente foda.
Lembro de alguns rumores sobre Jeremiah, que ele era muito bom em computadores e isso o tornava bom em achar pessoas, que já havia feito alguns serviços para Khalil.

- Ao invés de me atacar e roubar as drogas do traficante mais barra pesada do bairro, porque não fazemos um acordo?

ainda com o objeto na mão e pensando se segue ou não em frente, ele para, abaixa o olhar, e por fim escolhe ouvir o que tenho a dizer

- Bem, posso te dar o que quer se fizer algo para mim.

- Depende do que é - ele me diz sério. - Não vou me envolver com as pessoas daqui, se é o que você quer, pode esquecer.

- Não é nada disso, você é bom achar pessoas certo? porque foi isso que eu ouvi dizer.

Ele confirma com a cabeça.

- Então preciso que ache uma garota para mim, seu nome é Blake, tem em torno de vinte e poucos anos, cabelos e olhos castanhos, 1,70, magra e provavelmente universitária.

- Só isso? não tem sobrenome? nem placa do carro?

- Você não era bom? então prova, digo colocando um pacote na mão dele.

- Quero todas as informações sobre ela, trabalho, faculdade, amigos, ex, passado e presente, quero absolutamente tudo.

Ele me lança um meio sorriso e diz

- Está bem, vou achar essa tal de Blake para você.

Meu corpo treme de antecipação em pensar na possibilidade de ver aquela garota novamente, ainda me lembro das sensações que ela me causou e que ainda me causa, o calor, seus lábios, suas mãos passeando por todo meu corpo. Naquela noite eu deixei ela conduzir a situação mas isso não aconteceria, se eu a visse novamente, eu a prensaria contra a parede e a faria gritar meu nome enquanto minhas mãos passeiam por todo seu corpo e em sua intimidade molhada. Minha antecipação é substituída pelo medo em descobrir sua real personalidade, se naquela noite ela não era só mais uma filhinha de papai triste que não ganhou o que queria e para mostrar que é rebelde resolveu ficar com um cara aleatório ou simplesmente estava bêbada e decidiu algumas coisas no impulso, mas não, aquela tristeza no olhar, o vazio... não, eu não me enganei, aquela garota não era como as outras.

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