Capítulo 8: A tranquilidade entre tormentas é o pior entorpecente que existe.

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Tudo que poderia dar errado deu.

Louis estava sentado na cafeteria e já era noite na Base 05287. Agora, a maior parte daqueles que estavam participando da missão havia voltado para a Base. Alguns estavam correndo por aí e pensando no que deveriam fazer. Payne provavelmente estava surtando em algum lugar.

Honestamente, Louis não aguentava mais olhar para a cara de ninguém e foi para a vazia e parcialmente escura cafeteria. Ele se sentia estranho, seu corpo parecia tenso, mas ao mesmo tempo estava tonto como se pudesse desmaiar de sono a qualquer momento.

Estava cansado e sua mente lhe cansava ainda mais, ela estava barulhenta num contraste perfeito com aquele ambiente silencioso.

Era óbvio que estava preocupado, mas estava tão cansado que não teve reações ao que acontecia. Ao lembrar dos olhos brilhantes de Niall lhe contando que tinha falhado, ele mal se importou. Se não o cansaço, talvez fosse a situação de Beau que o havia afetado assim.

Normalmente ele ficaria raivoso, normalmente, ele também estaria correndo por aí e surtando, mas agora... Ele queria apenas ficar sozinho. "Niall não se preocupe nós iremos resolver isso..." ele disse enquanto dava tapinhas no ombro do loiro e despontava um meio sorriso sem dentes em sua direção.

Inevitavelmente, tal atitude deixou Niall mais preocupado ainda. Que Louis essa esse? O que estava acontecendo com Tomlinson?

A verdade é que não tinha muito o que fazer, ou sequer pensar e Louis parecia ter aceitado isso. A missão tinha sido um desastre, uma vergonha. Eles nem sequer lutaram, tampouco foram expulsos pelos rebeldes. Eles só saíram de lá as pressas pois simplesmente ficaram perdidos.

A grande Academia Galáctica, zeladora dos princípios da Confederação, com suas regras, procedimentos, prioridades e seus trabalhadores perfeitos... Talvez nunca na história tamanho ato vergonhoso tenha acontecido. E Louis? O que ele poderia fazer? Somente um homem não tinha poder sobre o que acontecia ou deixava de acontecer.

Ele tinha um copo de café puro na sua frente. Não adiantava, por mais que quisesse e precisasse muito não iria conseguir dormir e já que estava nesse estado o único pensamento que fazia total sentido era lançar cafeína pra dentro de seu sistema.

Se Tomlinson fechasse seus olhos ainda conseguiria escutar gritos, estrondos, choros e barulhos, tudo ao mesmo tempo. Por fim, rendeu-se abaixando a cabeça e a encostando na mesa sobre o seu braço. Assim, de repente, tudo ficou extremamente silencioso.

Cochilar não era seu objetivo, ele simplesmente apagou e no segundo seguinte estava lá de volta.

Dessa vez sozinho.

Caminhando tranquilamente enquanto seus passos ecoavam naquela cidade fantasmagórica.

Tudo era vazio e pacífico e o amarelado do céu do planeta estava mais forte, quase laranja, talvez o sol fosse se pôr.

O pequeno continuava caminhando pela cidade abandonada enquanto escutava passos atrás de si. A princípio, ele achou que esse som era resultado do eco que seus próprios passos produziam. Então não se importou muito. Mesmo assim, uma sensação bizarra que subia pela sua perna o fez olhar para trás, só por precaução.

Mas ele estava sozinho.

No decorrer da caminhada ele se virou várias vezes, mas não tinha ninguém o seguindo. Mesmo assim, os passos ficaram cada vez mais fortes e altos.

Ele começou a andar mais rápido e um desespero crescente fez sua respiração engatar ao mesmo tempo que retirava o ar dos seus pulmões.

De repente, ele escutou o ressoar de um primeiro tiro que manchou o céu. O horizonte começou a ter pontos vermelho sangue que tingiam aquele laranja numa mistura apolínea escura, Louis transformou seus passos em corrida, tentando fugir do barulho e dos passos daquele ser invisível.

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