Sinueh retornou para casa ao final do dia seguinte. Ela estava aninhada com o bebê em seus braços e logo os empregados da casa vieram recebê-la. Estavam todos animados e curiosos para conhecer a pequena. Ela deixou que cada um a segurasse um pouco e por um instante, pensou que realmente poderia sua filha ser feliz naquela casa. Os pensamentos dela foram interrompidos com Alejandro atravessando a porta de entrada com um o seu porte de advogado executivo, o que seu mais novo cargo exigia.
- Ora, que milagre você aparecendo!
- O que você quer?
- O que eu quero? Como pode ser tão insensível a ponto de ao menos ir visitar a sua filha que acabou de nascer?
- Sinueh, esse jogo não funciona comigo. Não vou me dar ao trabalho de discutir isso na frente da criadagem.
- Não fale assim deles! Todos aqui ao menos já viram a Camila, coisa que você não se prestou a fazer.
- Quem é Camila?
- Camila é a sua filha, seu idiota!
- Eu não sinto nenhuma ligação com essa criança e não tinha outro nome para você dignar a ela?
- Coloco o nome que eu quiser! E a propósito, teremos que ir registrá-la amanhã mesmo.
- Claro, claro... ainda tem isso!
Ela o puxou pela manga da camisa e o levou até o escritório para que os outros ouvissem o restante da discussão.
- Alejandro, Alejandro, eu sei muito bem o trato que você fez com o meu pai. Sei que com a porcentagem ganhou uma bela quantia, mais do que você sonhou receber um dia. Ou você acha que com seus servicinhos sujos conseguiria juntar o dinheiro que tem hoje? Eu mais que ninguém aqui nessa casa conhece você e sabe do que é capaz para conseguir o que quer, e se quer continuar se vangloriando por aí ao dizer que possui aquele escritório medíocre, sugiro que faça o que o meu pai combinou com você. Trate de registrar A SUA FILHA e a ame como ela merece. – Disse impassível.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo? – Perguntou alterado e se sentindo diminuído perante a mulher.
- Para todos aqui consta que eu sou sua esposa e se tiver que falar isso novamente, falarei sem problemas. Eu exijo que você trate a nossa filha bem. Entendeu?
- Não sinto nada por você, logo o que quer que me diga, não fará efeito sobre mim!
- Não pedi nada para mim. Já desisti de esperar alguma coisa de você. Peço pela nossa filha, porque ela não tem culpa alguma do que aconteceu ou do pai que tem. Mesmo que você não tenha o mínimo de caráter possível, desejo que encontre um meio de chegar até a nossa filha. Se não fizer isso, terá todos os seus benefícios cortados. – Ameaçou.
- Você não pode fazer isso. Não pode me cobrar nada!
- Sim, você está certo. Não serei eu a cobrar você e sim a vida! – Dito isso, Sinueh se retirou do escritório e foi até a pequena que chorava nos braços de uma das empregadas. A levou para cima e enquanto estava sobre os degraus da grande casa, ela se permitiu chorar juntamente com a filha. Um choro silencioso, o pior de todos.
...
Naquele dia, Michael estava indo levar Lauren para a escolinha como era comum. Estavam atrasados porque Clara decidiu ir ao trabalho mais cedo e não arrumou todas as coisas que Lauren precisaria levar o que fez com que Michael ficasse confuso quanto ao que ela costumava colocar na mochila da pequena. Quando foram para o carro, Michael colocou Lauren na cadeirinha como era devido e posteriormente acelerou para poder deixa-la o mais rápido possível. Quando estavam no sinal, Lauren começou a ficar agitada e jogou um dos seus brinquedos Playmobil que bateu no vidro da frente, assustando o pai. Michael olhou rapidamente para trás e tentou conversar com Lauren para acalmá-la, quando conseguiu o sinal já havia ficado verde e ele acelerou e quase bateu no carro a sua frente. "Essa foi por pouco", pensou. Como o caminho que era habituado a seguir estava com um transido caótico, ele optou por outro que embora fosse mais longo, era uma via menos utilizado. E foi então quando tudo aconteceu. Michael olhou para trás por um instante para conferir como a filha estava e quando olhou novamente para frente ouviu apenas um estrondo em cima do capô e um borrão passando, ele ficou assustado e tentou desviar, que fez com que batesse no poste a sua frente.
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Redemption
AléatoireUma rixa antiga entre vizinhos era o que deveria manter duas famílias terminantemente afastadas, mas não foi isso que o destino tinha planejado