.26 Aversão

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Michael entrou na casa com a filha nos braços acompanhado da esposa e das duas garotas que confidenciaram tê-la ajudado. Ele a colocou no quarto e checou sua temperatura que media 40•c. Imediatamente Clara ligou para o médico da família e exigiu que viesse o mais rápido possível. Quando o medico chegou, Lauren estava delirando algo referente a noite anterior, mas ninguém conseguia entender com exatidão do que se tratava. As meninas contaram que ela passara a noite sob o céu de Copa, e o o medico julgou isso sendo um dos fatores responsáveis pelo estado em que ela se encontrava. Quando a examinou, notou alguns arroxeados no tórax dela, e o tom de pele pálido dela o confundiu, assim, para ter um diagnostico mais preciso, ele necessitaria que a paciente fosse ao hospital fazer uma bateria de exames. Os pais concordaram e agradeceram o atendimento do profissional, que por sua vez recomendou algumas vitaminas, repouso e água para hidratação, pois ele advertiu que os lábios dela estavam ressecados... Após a saida dele, Clara encheu as garotas de perguntas, ela nao acreditou na história de que Lauren havia dormido sozinha assim na rua, pois ela mesma tinha levado a filha para casa e viu quando ela entrou no quarto. Algo não encaixava, mas iria descobrir depois, por hora estava ansiosa para que Lauren acordasse. Michael ficou sentado ao lado da cama praticamente a manha inteira. Chris pareceu preocupado quando soube do estado da irmã, mas recebeu uma ligação de uns amigos que o intimaram para sair e ele não pensou duas vezes até cair fora de casa.Por fim, as duas garotas ganharam a estima da matriarca da família e foram convidadas para almoçar, o que aceitaram prontamente. 

Ao final da tarde, Lauren acordou em seu quarto e não fazia ideia de como tinha ido parar lá.  

Pov Lauren

Abri os olhos e a sensação era de uma luz intensa atravessando o meu lóbulo frontal. Não foi nada agradável! Quando tentei levantar da cama,  surgiu um refluxo que automaticamente juntei forças e fui até o banheiro na intenção de aliviar essa agonia. Retornei e tornei a deitar na cama. Não demorou muito e vi duas pessoas entrarem no meu quarto. Que invasão é essa? Pensei.

- Olá, você acordou!! - Disse uma delas.

- Desculpe, mas eu conheço vocês?

- Não se lembra de mim? Sou a Ally, amiga do Nick. Nos vimos quando você esteve lá no ferro velho e...- lembrei agora.

- Verdade. - Acenei levemente para ela. - Oi Ally! Como sabia onde moro, ou melhor, o que está fazendo aqui? - Preciso entender isso direito.

- Calma aí, senhorita detetive. - Disse a garota ao lado dela. - Você acabou de acordar de um momento bem tenso. Não está com fome ou algo do tipo? 

- Acho que nem mesmo se quisesse  conseguiria manter algo no meu estômago. - falei alisando minha barriga por cima da roupa. Ainda mão estava me sentindo muito bem. - Qual seu nome, a propósito?

- Pode me chamar de Dinah. Sou amiga dela. - apontou para Ally - Eu que dirigi o seu carro e te trouxe ate aqui quando uma menina esquisita pediu ajuda para nós lá na praia. Ela sorriu e eu fiz o mesmo.

- A praia... Vocês estavam lá? - levei uma mão até a nuca e fechei os olhos para tentar lembrar de algo.

- A gente estava passando na calcada e vimos você desacordada. A tal menina que estava com você parecia bem desesperada e nem dirigir sabia. - Ambas concordaram e eu assenti -  Ela é tão surreal que deixou você sozinha lá no carro e foi embora. - Dinah fez uma cara de repulsa.

- Explica esse "me deixou sozinha", por favor.

- Ela primeiro tentou pagar a gente pelo nosso ato de ajuda ao próximo, mesmo quando negamos e foi bem rude querendo se livrar de nós para não ser vista ao nosso lado. Depois, ela largou você no carro com febre, desacordada e sumiu. Sumiu! - O som de inconformidade era estridente.

- Aonde ela está agora? Vocês sabem? - Será que os pais dela descobriam que ela passou a noite fora? Espero que não entre em problemas por minha culpa. 

- Sinceramente, não sei e nem faço questão dessa informação. - Dinah falou e Ally pareceu concordar timidamente.

- Talvez ela tivesse um motivo para isso. - Talvez tivesse mesmo...

- Se fosse você teria aversão a esse tipo de pessoas. - Dinah chegou perto de mim colocando a mão em minha testa. - egoístas, sabe?

- Ela não é uma pessoa ruim. Pelo menos acho que não. - pausei um pouco - O problema de aceitação com o pai a deixa afetada algumas vezes.

- Se quer usar essa justificativa para  livra-la da irresponsabilidade... Você que sabe. - Ela levantou da cama e foi até a porta do meu quarto. - Vou avisar a sua mãe que já está acordada. 

Olhei um instante para as duas e não sabia o que responder... Fitei a janela e tentei enxergar o quarto de Camila, mas dessa vez haviam longas cortinas que me impediram de verificar se havia gente no quarto ou não , assim que me certifiquei disso, no instante seguinte fui agraciada de uma tonalidade escura preenchendo meu campo de visão de repente...

- Por favor, não que estive com a Camila essa noite para minha mãe. 

Foi tudo o que consegui dizer antes de deitar novamente antes de um novo mal estar me consumir.

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