14. Simultâneo

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O meu retorno para casa não foi lá como eu esperava, mas isso também não foi nenhuma novidade para mim. Os meus pais ficaram a manhã inteira fora e assim que entraram em casa, me pegaram dormindo no sofá porque eu simplesmente cochilei enquanto assistia As Aventuras de Gumbau, devido a demora deles. Minha mãe ficou além de surpresa por me ver ali, senti certo transtorno da parte dela, mas é claro que ela teve que jogar a culpa do estresse dela em mim, dizendo que deveria ter ligado e lhe comunicado. Meu pai por sua vez, ficou muito feliz e demorou aproximadamente uns dez minutos para me soltar do abraço.

- Laur, não acredito que você está aqui! - Disse visivelmente emocionado.

- Pai, não vai chorar, por favor.

- Não me importo de chorar. Isso não é fraqueza, preciso externar meu amor de por você de alguma forma e se elas tiverem que vir em lágrimas, o que posso fazer? - ele afagou meus cabelos me abraçando novamente.

- Tudo bem pai, também senti sua falta. Muito!

- Disso eu não tenho dúvidas.

- Ah, que convencido. - Acabamos rindo os dois.

- E você não vai dar o meu abraço? - Disse o meu irmão, Chris.

- Pirralho, você está maior do que eu. Que loucura!

- A genética do tamanho alto da família veio para mim e você ficou com a da inteligência. - Falou humorado e nos abraçamos.

"Genética do tamanho alto da família? Claro. Nossa, ele não muda mesmo." Quando nos separamos, era hora de enfrentar a fera da casa.

- O que deu na sua cabeça para vir assim? E as suas aulas?

- Oi mãe, também senti saudades suas!

- Eu senti saudades. - Ela me abraçou como há muito tempo não fazia.- Mas agora me responda.

Revirei os olhos com aquilo. Essa é uma atitude tão típica de Clara Jauregui, tão mandona e pouco afetuosa.

- Resolvi voltar para o Brasil e concluir os estudos aqui!! - Falei logo de uma vez e abri os braços para ser recebida apenas por meu pai e meu irmão comemorando o que acabei de dizer. Abri os olhos e vi minha mãe olhando diretamente para mim como que esperando uma explicação para isso.

- Você não pode voltar, Lauren! Não sabia que começou a ser tão inconsequente com seu futuro assim.

- Mãe, eu disse que continuarei estudando aqui. Não vejo isso como um ato de inconsequência, eu pensei muito e quero ficar perto da minha família. Estou cansada de ficar sozinha e de repente me cansei da França.

- Cansou da França? Quem em sã consciência cansaria de morar na França? - Ela perguntou para mim e para os outros dois que estavam ao meu lado. Pelo visto a coisa vai ficar feia aqui e eu que achei que seria mais fácil. Respirei fundo antes de responde-la.

- Se não me quiser aqui, posso ficar na casa dos meus avós, mas não voltarei para França e já fiz minha matrícula na universidade, só tenho que esperar o retorno das aulas. - Fiz tudo para transparecer o máximo de firmeza que consegui.

- Eu não acredito nisso! Não acredito! - Ela começou a gritar. - Está vendo o que sua filha faz comigo, Michael?

Vendo que meu pai não sabia o que responder, olhei em volta da sala procurando onde havia deixado minha mochila.

- Não quero ser um problema entre vocês. Já disse que posso ficar na casa dos meus avós.

- Você não vai sair.- Ouvi a voz do meu pai. Do meu pai!!!

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