13. Voltando pra casa

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Lauren POV

O retorno para casa seria tenso. Eu sei que minha mãe não vai gostar da ideia de estar voltando mais cedo, mas isso não será nenhuma novidade. Ela faz de tudo para que eu fique longe. Quando criança ela me enchia de atividades extracurriculares. Eu ficava exausta com aulas de balé, natação, piano, o clube de artes, esgrima. Meu Deus! Minha mãe definitivamente tinha uma meta na vida dela e essa meta era não ter minha presença em casa. Eu aceitava porque era apenas uma pirralha que tinha que obedecer aos pais e se meu pai concordava, devia ser porque era importante, pelo menos era assim que costumava pensar. Com o tempo isso foi começando a incomodar mais, e a ideia de que eu não podia ficar em casa era aterrorizante, digo, eu só queria o afeto da minha família. O meu irmão menor Chris não tinha que fazer todas essas coisas. A única responsabilidade que ele tinha era com a escola e isso nem conta porque ele só fazia desenhos em círculos coloridos. Não que isso tenha mudado com o passar do tempo, ele mal consegue manter sozinho a média nas notas. Eu sempre estou lá para ajuda-lo a reverter a situação crítica que ele costumava ficar com os professores.

Cheguei a pensar que minha mãe preferia o meu irmão, e isso fazia sentido. Os três estavam sempre juntos em algum programa em família, enquanto eu tinha que estar em alguma aula ociosa. Bom, se eu não tinha um amor incondicional da minha mãe, o meu pai sanava essa falta demonstrando todo o amor que ele podia. Sempre fomos tão unidos, ele era a melhor pessoa que eu conhecia, pena que fazia tudo o que mamãe mandava. Homens...

Como é sábado de manhã, certeza que não vai ter ninguém em casa então talvez consiga fazer uma surpresa, só espero que alguém fique feliz com isso. Mas se não ficar também, vai ter que aceitar porque eu não vou mais ficar longe da minha casa.

Enquanto fazia o contorno na única rua do condomínio, olhei para minha direita e vi uma garota sentada na varanda. Acho que me lembro dela.

- Ei garota! - Gritei de dentro do carro. -Você sabe se há alguém naquela casa ali? - Apontei para minha casa que ficava logo em frente.

A menina olhou rapidamente na tentativa de verificar quem era, mas não falou nada, abaixou a cabeça e continuou olhando para o livro.

Mas quem ela pensa que é? Pensei. Continuei a buzinar. Uma, duas, três...ao todo foram sete vezes longas e estrondosas buzinadas. Já estava começando a achar as caretas que ela fazia engraçadas quando a vi levantar - finalmente -e olhou com uma cara ranzinha.

- O que você pensa que está fazendo?

- Eu fiz uma pergunta, custa responder?

- Custa sim! -Acho que ela estava sem paciência. Ri com essa constatação. -Você chegou do nada com esse carro mais antigo que a prótese do meu avô e fica fazendo um barulho atrapalhando minha leitura. Não sei se você sabe, mas este é um condomínio fechado e aposto que nem deve ter permissão para estar aqui.

Sorri de canto e balancei a cabeça em negação. Que garota estourada

- Calma aí! Guarda as pedras, facas e armas, por favor. Eu me rendo. - Levantei as mãos na intenção de mostrar para ela, o que a fez revirar os olhos e bufar sem acreditar no que eu fiz e disse. - E não fale assim do meu bebê, ele é muito sensível, provavelmente ficará magoado com suas palavras rudes. Passei a mão sobre o volante e alisei devagar. - Ela não quis dizer isso, bebê, não fique triste, mamãe vai te defender. - Disse para o Maverick 302 preto que dirigia.

- Você além de louca, é uma louca que fala com carros? Mereço.

- Que nervosinha. - Não aguentei e ri.

- Do que está rindo? Aliás, o que estamos tendo essa conversa não-conversa?

- Estou esperando pela resposta. Você sabe dizer se tem alguém nessa casa?

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