18. Recordações (Parte II)

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Pov. Lauren 

Depois do alvoroço com os vizinhos, entramos todos em casa. Não posso dizer que minha mãe está feliz com meu retorno agora, visto que ela está com uma carranca imensa. Provavelmente daqui a pouco ela vai me chamar para conversar e soltar todos os cachorros em cima de mim. Sento para tomar o café finalmente, meu estômago está um saco vazio no deserto. Chris me acompanha e está muito quieto para o meu gosto.

- O que você tem? 

- Por que eu tenho que ter alguma coisa?

- está quieto demais! Isso não é do seu feitio. - digo sorrindo.

- E o que não é do meu feitio sair me metendo em confusão e arrastar o carro dos outros pela rua, sabe? - disse em tom de deboche.

- calma aí! O que eu te fiz?

- Mamãe não vai gostar disso. Você sabe! - ele começou a exaltar a voz - e no fim, tudo sempre gira em torno de você, só que sempre quem acaba se ferrando junto sou eu.

- Você ta ficando alterado. - apenas o olhei tranqüilamente.

- viu? Você não se importa com quem afeta quando sai fazendo essas coisas. Nem tudo é sobre você, Laur, quando vai entender isso?

- em que momento eu te fiz pensar isso? - comecei a levantar da cadeira. - não meti você em nada. Eu não tenho culpa de que temos um vizinho explosivo e que gosta de largar o carro por aí. 

- Continua inconseqüente como sempre.

- E você continua obedecendo tudo o que nossa mãe fala. - fui até ele e ficamos frente a frente. - Chris, você não tem que ir contra ela, apenas saiba que ela não é a única certeza nessa vida. Mamãe sempre quer estar no controle sobre nós, e eu apenas devido que eu controlo a mim própria, mesmo que nem tudo saia como o planejado. Eu lidarei com isso. É se quiser saber, a liberdade tem um preço e se você não está disposto a pagar, viverá para sempre abaixando a cabeça e um dia lembrará que perdeu tempo não vivendo tudo. - nesse momento já estava abraçando ele o mais forte que podia. 

- Você está chorando, Laur? Desde quando você é tão mole assim? - ele começou a passar a mão no meu rosto.

- Isso não são lágrimas. - nos afastamos- eu só quero que você não esqueça que para viver como se deve, não pode se deixar controlar por ninguém. Seja um espírito livre! 

- Espírito livre? - ele começou a rir - o que você fez com a minha irmã? - nós dois rimos.

- Ainda sou eu, Chris. E ainda estou aqui com você.

Paramos de falar por um instante e retornamos ao café que estava muito bom. Eu consegui aproveitar a refeição mais que o habitual e posso considerar isso como algo relativamente bom. Notei que Chris havia voltado a ficar quieto. Fiquei o encarando até resolver me contar, o que não demorou muito.

- Você gostou?

- De que?

- Você gostou dela?

- De quem está falando?

- Quero saber se você gostou da Karla... Nossa vizinha.

- Ah, não sei, ela parece ser meio travada com os pais, no geral classificaria como indiferente... - disse por fim.

- Indiferente? Qual é, não vai dizer que não reparou como ela é bonita.  - Onde esse garoto está querendo chegar?

- Hmm...- fiquei pensativa e de repente entendi tudo. - Ela é a tal garota que você falou para mim? - e ele apenas acenou afirmando minha pergunta. - Poxa, Cade animação?? - não acredito que meu irmão está interessado já vizinha. - você gosta dela desde quando? 

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