17 | Consumado

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Quatro noites e três dias, foi o tempo que o mantive preso e sob minha vigia constante. Apesar da minha mente ficar o tempo inteiro me avisando que eu não precisava olhar para ele a cada segundo, era quase impossível evitar. A tentação era maior que tudo. Fiz um bom trabalho em atrapalhá-lo com minha insistência, eu diria que foi até divertido, considerando o que seria divertido para mim. Meu senso de humor pode ser tanto quanto mórbido às vezes.

Mas ainda estava achando aquilo tudo simples demais, contudo a graça era começar de baixo, eu teria muito tempo para brincar com ele. Comecei o meu trabalho o enfraquecendo aos poucos, mas mesmo assim ele se manteve resiliente e forte. Eu o conhecia tão bem que saberia exatamente quais seriam os passos que ele tomaria assim que entendesse que estava solto.

Bingo!

O primeiro passo seria buscar água. Aliviar suas necessidades fisiológicas. Um banho, talvez, para se sentir melhor devido ao calor que o fiz suportar, em seguida tentar vir atrás de mim para algum acerto de contas. Mordi os lábios contendo a animação ao perceber que ele seguiu exatamente o roteiro que montei em minha mente. Passo por passo. Tão previsível, querido.

Enquanto Noah se banhava fiquei alguns segundos admirando seu corpo, ele estava bem diferente do que era no passado, muito mais forte, com certeza esteve malhando muito mais, e eu podia jurar que ele estava mais alto também. Sem perceber, lambi os lábios. Não era a minha intenção desfrutar disso, mas em breve eu resolveria nossas questões matrimoniais.

Liberei uma dose pequena de gás sonífero no banho, não o queria apagado ainda, queria que ele terminasse de fazer isso por si mesmo antes de eu tirá-lo do quarto, já daria bastante trabalho carregá-lo, banhá-lo também era muito mais trabalho do que eu estava disposta a fazer, assim que ele encerrou o banho eu soube que não demoraria até que ele começasse a ficar tonto.

Quando Noah tentou derrubar a porta, algo que eu sabia que se ele continuasse eventualmente conseguiria, liberei uma dose mais forte e poderosa do gás no quarto para que ele apagasse por completo por tempo o suficiente para eu fazer aquilo que desejo. Sorri ao vê-lo me gritar.

Quando ele já não se movia mais, sai do meu quarto arrastando a cadeira de rodas até o quarto onde ele já está desmaiado. Ergo sua mão e a vejo tombar ao chão toda mole. Sorrio, pensando que agora chegou a hora de cuidar do meu marido com mais dedicação. Passo meus braços por debaixo dos dele e consigo erguer um pouco seu corpo, com algum esforço consigo colocá-lo na cadeira. Ele era grande demais e pesado em demasia.

Biologia injusta. Suspiro irritada com o esforço que sou obrigada a fazer, mas isso não me pararia, nunca fui uma mulher de desistir dos meus objetivos, era só um detalhe, mais um de muitos que eu sabia ter que enfrentar no futuro. Tinha consciência de que precisava de um pouco mais de tempo do que ele precisaria se fosse ao contrário, mas conseguiria o mesmo resultado no final. E o final era a única coisa que importava.

Após arrumar seus pés no pedal da cadeira vou andando com ele até o escritório onde fica instalado o pequeno elevador que possuo na mansão, dali desço com meu amado esposo até o subsolo, depois de uns dez minutos eu consigo acomodá-la na cama que deixei pronta para ele.

Arrumei uma sala especial para Noah, aqui tenho uma cama que possui correntes nos quatro cantos e roldanas para que eu possa esticá-lo ou erguê-lo, a depender de qual ação eu gostaria de tomar. Eu mesma desenhei cada detalhe dessa sala, assim como desenho algumas salas de tortura que temos na base. Tudo aqui foi idealizado para recebê-lo com muito carinho e amor. Ninguém pode dizer que eu não sou uma esposa dedicada.

As correntes são tão grossas e resistentes que, sob circunstância alguma, ele conseguirá quebrá-las. A cama é com a base de concreto e as barras de ferro são chumbadas no chão. Ele não vai conseguir rompê-las, ainda mais eu o enfraquecendo cada dia um pouco mais. É claro que não planeio mantê-lo constantemente preso, seria suspeito se ele não aparecesse publicamente comigo dando uma de macho alfa típico dos homens da instituição, pelo menos ocasionalmente. Não que eu queira isso, por mim ele jamais sairia desse quarto, mas não sou estúpida, preciso dele do lado de fora, o casamento fez com que ele precise ser visto.

A Senhora • COMPLETOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora